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Shakespeare Hamlet

Aqui, Shakespeare opõe duas das correntes filosóficas mais "em moda" da sua época: o estoicismo de Sêneca, de acordo com o qual a aceitação passiva e desapaixonada do Destino (ou vontade Divina, na leitura Cristã) era uma forma de virtude; e, por outro lado, a teoria da "ação positiva", de Cícero, que criticava Sêneca, encarando a virtude estóica como a desculpa do covarde.

Mais adiante, no mesmo monólogo, os pensamentos de Hamlet se voltam novamente para a idéia do suicídio, mas duvida da utilidade dessa solução, pois o que nos espera depois da morte pode ser bem pior do que o que temos aqui. Perto do final desse trecho, percebe-se que Hamlet tem plena consciência de seu problema central - a demora em concluir sua vingança como resultado de pensar e repensar excessivamente os prós e contras de cada situação.

Ato III, cena 3: essa cena, logo depois da "peça dentro da peça", na qual a culpa do Rei é testada por Hamlet, mostra como, diferentemente de seu sobrinho, Claudius age imediatamente ao sentir-se ameaçado. Ele planeja enviar Hamlet para a Inglaterra com Rosencrantz e Guildenstern. Em seguida, sozinho, tenta rezar e arrepender-se de seus crimes, mas é uma atitude vazia, já que não se propõe a desistir de seus ganhos obtidos - o trono e a própria Rainha. Hamlet o encontra ajoelhado e se recusa a matá-lo assim contrito, sem perceber que não há arrependimento verdadeiro da parte do Rei. Mais uma vez, Hamlet pensa demais e adia a vingança com pretextos e desculpas.

 

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