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depois que bebeu o sangue negro, dirigiu-me estas
palavras:
- Ó preclaro Ulisses, tu esforças-te
por conseguir o teu doce regresso; um deus, porém, tornar-to-á
difícil. Não creio que passes despercebido ao Sacudidor
da terra, cujo coração está em cólera contra
ti, por lhe teres cegado o filho. Mas, apesar de reveses, ainda chegaríeis
à pátria, se quisesses conter o teu ânimo e o dos
companheiros, quando, salvos do mar violáceo, aproximardes, pela
primeira vez, a nau resistente da ilha Trinácia e nela encontrardes,
pastando, as vacas e as ovelhas gordas do Sol, que tudo vê e tudo
escuta. Se as deixardes ilesas e tratardes do regresso, posto que sofrais
trabalhos, chegareis a Ítaca; mas se vós lhes fizerdes mal,
então anuncio-te a ruína da nave e a dos teus companheiros.
E, se bem que te salves, todavia chegarás tarde à
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terra pátria e depois de uma viagem má
e de ter perdido toda a tua equipagem. Irás sobre a nau de outrem
e encontrarás aflições na tua casa: homens atrevidos
que te consomem a fazenda e pretendem a esposa, semelhante a uma deusa,
à qual oferecem presentes. Contudo, quando chegares, vingar-te-ás
das violências deles.
Logo que no teu palácio tenhas dado morte
aos pretendentes, por astúcia ou cara a cara, põe-te a caminho
com um remo de fácil manejo ao ombro, até que te vejas entre
uns homens que nunca viram o mar, que não comem os alimentos temperados
com sal, nem conhecem as naus de proas vermelhas ou os remos de fácil
manejo, que são as asas das naus. Vou dar-te um sinal muito certo
que não te passará despercebido. Quando vier ao teu encontro
outro viajante e ele te disser que levas uma pá de
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