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que, para a inteligibilidade ou decodificação
de um texto poético, não é suficiente apenas o conhecimento
do código lingüístico. Há necessidade do conhecimento
de uma pluralidade de códigos: retóricos, místicos,
culturais, etc., que estão na base da estrutura artístico-ideológica
de uma obra literária. "Essa forma de vida que é a
‘língua’ está sempre e necessariamente inserida em situações
sócio-culturais e abarca ‘formas de trabalho’ lingüísticas
e não-lingüísticas, que se interpretam mutuamente"
(114, p.154).
Novidade
A linguagem literária, para poder se afirmar
como sistema semiótico segundo, é obrigada a desviar-se
da norma lingüística. Na linguagem científica e diária
faz-se largo uso de estereótipos, seguindo
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padrões lingüísticos e petrificando
a palavra. O cientista e o homem comum não pensam no código
que utilizam: o uso lingüístico cria automatismos psíquicos
e intelectuais que levam à perda do sentido do significante. A
força da repetição aniquila o significado original
da palavra, que perde seu poder de criatividade.
A linguagem poética insurge-se contra
o automatismo e a estereopartição do uso lingüístico,
reavivando arcaísmos, criando neologismos, inventando novas metáforas,
ordenando de um modo diferente e surpreendente os lexemas no sintagma. Os
signos poéticos, mais do que expressar conceitos, carregam representações
sensoriais através da metrificação, da rima, da assonância,
do ritmo, da sinestesia, etc.
A novidade do significante lingüístico
causa no leitor um efeito de
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