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dessas críticas, o trabalho realizado por
Jean Cohen sobre a estrutura da linguagem poética apresenta uma
grande capacidade operacional, pois, se a teoria do desvio gora ao nível
da explicação, ela pode oferecer bons resultados ao nível
da descrição do poético.
Ficcionalidade
A literatura é chamada de ficção,
isto é, imaginação de algo que não existe
particularizado na realidade, mas no espírito de seu criador. O
objeto da criação poética não pode, portanto,
ser submetido à verificação extratextual. A literatura
cria o seu próprio universo, semanticamente autônomo em relação
ao mundo em que vive o autor, com seus seres ficcionais, seu ambiente
imaginário, seu código ideológico, sua própria
verdade: pessoas
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metamorfoseadas em animais, animais que falam a linguagem
humana, tapetes voadores, cidades fantásticas, amores incríveis,
situações paradoxais, sentimentos contraditórios,
etc. Mesmo a literatura mais realista é fruto de imaginação,
pois o caráter ficcional é uma prerrogativa indeclinável
da obra literária. Se o fato narrado pudesse ser documentado, se
houvesse perfeita correspondência entre os elementos do texto e
do extratexto, teríamos então não arte, mas história,
crônica, biografia.
A obra literária, devido à
potência especial da linguagem poética, cria uma objetualidade
própria, um heterocosmo contextualmente fechado. Essa realidade
nova, criada pela ficção poética, não deixa
de ter, porém, uma relação significativa com o real
objetivo. Ninguém pode criar a partir
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