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do nada: as estruturas lingüísticas,
sociais e ideológicas fornecem ao artista o material sobre o qual
ele constrói o seu mundo de imaginação. A teoria
clássica da arte como mímese da vida é sempre válida,
quer se conceba a arte como imitação do mundo real, quer
como imitação de um mundo ideal ou imaginário.
Verossimilhança
A obra de arte, por não ser relacionada
diretamente com um referente do mundo exterior, não é verdadeira,
mas possui a equivalência da verdade, a verossimilhança,
que é a característica, que é característica
indicadora do poder ser do poder acontecer. Distinguimos
uma verossimilhança interna à própria obra,
conferida pela conformidade com seus postulados hipotéticos e pela
coerência de seus elementos estruturais: a motivação
e a
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causalidade das seqüências narrativas,
a equivalência dos atributos e das ações das personagens,
a isotopia, a homorritmia, o paralelismo, etc.; e uma verossimilhança
externa, que confere ao imaginário a caução formal
do real pelo respeito às regras do bom senso e da opinião
comum.
Se faltar a verossimilhança interna, dizemos
que a obra é incoerente ou aloucada, aproximando-se do não-sentido;
se faltar a verossimilhança externa, entramos no domínio
do gênero fantástico, definido por Todorov (107, p.39)
como uma hesitação entre o estranho e o maravilhoso,
entre uma explicação natural e uma explicação
sobrenatural dos acontecimentos evocados.
Mais importante é a verossimilhança
interna, a coerência estrutural da obra, porque, quanto à
verossimilhança externa, a fuga para o fantástico, para
o mundo da
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