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imaginação, é comum à
literatura. Transformar um homem em animal (O asno de ouro, de
Apuleio) uo em inseto (A metamorfose, de Kafka) e conferir a esses
seres não-humanos inteligência e sentimentos fazem parte
do heterocosmo poético, cujas leis podem ser homólogas,
no máximo, mas nunca idênticas às do mundo real. A
literatura de ficção supera a antítese do ser e do
não ser, do real e do imaginário: a personagem artística
é, porque foi criada por seu autor, e, ao mesmo tempo, não
é, porque nunca existiu no plano histórico.
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Funções da Literatura
Uma vez examinada a natureza e analisados os
caracteres da obra literária, passamos agora a indagar-lhe as funções.
Em outras palavras, visto o que é o texto artístico, resta
verificar para que serve. Como releva Mukarovski (42, p. 178-180),
a noção de função diz respeito à
relação da obra de arte com o fluidor e com a sociedade.
A noção de função adquire plena objetividade
apenas quando por função se entende a variedade dos escopos
aos quais a arte serve na sociedade.
O homem tem perante a realidade que o circunda
várias atitudes: atitude prática, científica, teorética,
mágico-religiosa e estética. Por ser a criação
artística autônoma em relação às demais
atividades
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