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José Luis Jobim História da Literatura

contexto – que fosse externo ao texto, que o determinasse. Não haveria uma oposição dentro versus fora, não existiriam compartimentos incomunicáveis, separando o texto do contexto, que não seria visto como "externo" em relação ao "interno" do texto. Poder-se-ia, isto sim, dizer que o contexto está "dentro", já que determina as próprias fronteiras do que pode vir a ser considerado como texto. Em outras palavras, o contexto não se reduziria a envolver ou circundar o texto, porque, na medida em que fornece as normas a partir das quais se delimita o que é texto, torna-se também constitutiva deste.

Será que um autor poderia ter a intenção de produzir uma obra literária, se não houvesse uma concepção do que é literário, anterior à produção de sua obra como tal? A existência deste "modelo" é o resultado das normas estéticas

vigentes, que permitem ao literato conformar-se com elas ou delas discordar, até mesmo propondo sua substituição por outras. De qualquer jeito, ao respeitar as normas ou contestá-las, ele sempre confirma a existência delas.

O autor produz e o receptor lê uma obra considerada "literária" dentro de um quadro de referências em que outras obras "literárias" já foram e estão sendo produzidas. É neste horizonte que se manifesta a nova obra: a partir de uma concepção determinada pelas normas vigentes, tanto o autor pode reivindicar produzir quanto o leitor pode reivindicar ler uma obra enquadrada como literária.

Portanto, é possível conceituar, delimitar ou definir objetivamente o que é literatura, já que um determinado contexto, a partir de suas normas estéticas vigentes, pode

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