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contexto – que fosse externo ao texto, que o determinasse.
Não haveria uma oposição dentro versus fora,
não existiriam compartimentos incomunicáveis, separando
o texto do contexto, que não seria visto como "externo"
em relação ao "interno" do texto. Poder-se-ia,
isto sim, dizer que o contexto está "dentro", já
que determina as próprias fronteiras do que pode vir a ser considerado
como texto. Em outras palavras, o contexto não se reduziria a envolver
ou circundar o texto, porque, na medida em que fornece as normas a partir
das quais se delimita o que é texto, torna-se também constitutiva
deste.
Será que um autor poderia ter a intenção
de produzir uma obra literária, se não houvesse uma concepção
do que é literário, anterior à produção
de sua obra como tal? A existência deste "modelo" é
o resultado das normas estéticas
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vigentes, que permitem ao literato conformar-se com
elas ou delas discordar, até mesmo propondo sua substituição
por outras. De qualquer jeito, ao respeitar as normas ou contestá-las,
ele sempre confirma a existência delas.
O autor produz e o receptor lê uma
obra considerada "literária" dentro de um quadro de referências
em que outras obras "literárias" já foram e estão
sendo produzidas. É neste horizonte que se manifesta a nova obra:
a partir de uma concepção determinada pelas normas vigentes,
tanto o autor pode reivindicar produzir quanto o leitor pode reivindicar
ler uma obra enquadrada como literária.
Portanto, é possível conceituar,
delimitar ou definir objetivamente o que é literatura, já
que um determinado contexto, a partir de suas normas estéticas
vigentes, pode
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