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do conjunto da produção escrita e,
eventualmente, certas modalidades de composições verbais
de natureza oral (não-escrita), dotadas de propriedades específicas,
que basicamente se resumem numa elaboração especial da linguagem
e na constituição de universos ficcionais imaginários.
Assim, a palavra literatura não revela
automaticamente o objeto da teoria da literatura. Havendo exigência
metodológica um pouco mais apurada, foi necessário passar
em revista os diversos empregos a que se prestam as palavras poesia e
literatura, a fim de se verificar que emprego poderia corresponder àquele
objeto. A conclusão é, portanto, a seguinte: o objeto da
teoria da literatura é a literatura stricto sensu, ou a
poesia no segundo sentido por nós apontado, isto é, no sentido
de literatura, englobando manifestações tanto em linguagem
metrificada quanto em não-
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metrificada, desde que em tais manifestações
se reconheçam propriedades ditas artísticas e/ou ficcionais,
por oposição às demais obras escritas – científicas
ou técnicas – destituídas de tais propriedades.
Com relação à apontada
concorrência entre as palavras poesia e literatura, cabe um esclarecimento
histórico. Como até o século XVIII o vocábulo
literatura permaneceu significando instrução, conhecimento
das técnicas de escrever e ler, as obras que modernamente consideramos
literatura stricto sensu eram designadas pelo termo poesia (quando
fossem versos) e eloqüência ou oratória (quando fossem
em prosa). Da segunda metade daquele século em diante, a palavra
literatura passa a ser empregada como termo geral, abrangendo tanto modalidades
em verso quanto em prosa. A partir de então, se estabelecem duas
relações
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