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Roberto Acízelo de Souza Teoria da Literatura

do conjunto da produção escrita e, eventualmente, certas modalidades de composições verbais de natureza oral (não-escrita), dotadas de propriedades específicas, que basicamente se resumem numa elaboração especial da linguagem e na constituição de universos ficcionais imaginários.

Assim, a palavra literatura não revela automaticamente o objeto da teoria da literatura. Havendo exigência metodológica um pouco mais apurada, foi necessário passar em revista os diversos empregos a que se prestam as palavras poesia e literatura, a fim de se verificar que emprego poderia corresponder àquele objeto. A conclusão é, portanto, a seguinte: o objeto da teoria da literatura é a literatura stricto sensu, ou a poesia no segundo sentido por nós apontado, isto é, no sentido de literatura, englobando manifestações tanto em linguagem metrificada quanto em não-

metrificada, desde que em tais manifestações se reconheçam propriedades ditas artísticas e/ou ficcionais, por oposição às demais obras escritas – científicas ou técnicas – destituídas de tais propriedades.

Com relação à apontada concorrência entre as palavras poesia e literatura, cabe um esclarecimento histórico. Como até o século XVIII o vocábulo literatura permaneceu significando instrução, conhecimento das técnicas de escrever e ler, as obras que modernamente consideramos literatura stricto sensu eram designadas pelo termo poesia (quando fossem versos) e eloqüência ou oratória (quando fossem em prosa). Da segunda metade daquele século em diante, a palavra literatura passa a ser empregada como termo geral, abrangendo tanto modalidades em verso quanto em prosa. A partir de então, se estabelecem duas relações

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