 |
Este alquimista faz um vapor imprevisto.
É o Diabo que nos move através de cordéis!
O objeto repugnante é o que mais nos agrada;
E do Inferno a descer sempre um degrau da escada,
Vamos à noite errar por sentinas cruéis.
Tal como um libertino e que beija e mastiga
O seio sofredor de velha Messalina,
Furtamos ao passar um prazer disfarçado
Que esprememos assim como laranja antiga.
Cerrado, a formigar como um milhão de helmintos,
Ceva-se em nossa fronte um povo de avejões,
E quando respiramos, a Morte nos pulmões
|
 |
Desce, invisível rio e com sons indistintos.
E se o estupro, o veneno, o incêndio e a punhalada,
Não puderam bordar com seus curiosos planos
A talagarça vã dos destinos humanos,
É que nossa alma enfim não é bastante ousada.
No entanto entre lebréus, panteras e chacais,
Macacos e escorpiões, abutres e serpentes,
Os monstros a grunhir, ladrantes ou gementes,
Que são o nosso vício em infames currais,
Um existe mais feio e mais perverso
e imundo!
Embora não se expanda em gestos ou em gritos,
De bom grado faria a terra só detritos
E num bocejo só engoliria o mundo.
|
 |