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Nicolai Vassílievitch Gógol

(1809-1852, Sorótchintski, aldeia ucraniana)

- Predileções temáticas iniciais:

Os costumes populares, as histórias, as fábulas, as canções e lendas do povo ucraniano foram a fonte para as novelas do chamado "Ciclo rural ucraniano", entre elas Táras Bulba, Arabescos, Mírgorod e Os serões de Dikanka, recebidas com entusiasmo pela intelectualidade russa. Nelas há quadros românticos e folclóricos envoltos em humor, sabedoria popular e situações insólitas, onde diabos e bruxas convivem e negociam com tipos característicos saídos do povo eslavo, circunscrito ao isolamento do campo e às intempéries, pródigo na tradição oral, narrativa e mitológica.

- Contingências pessoais e

conseqüências:

Com a transferência para São Petersburgo, entra em contato com uma sociedade hierarquizada ao extremo e com suas mazelas: o servilismo e o autoritarismo, que o impressionam e repercutem na produção literária. Conhece escritores como Plietnióv, Liérmontov e Púchkin, que o apóiam, orientam e reconhecem a dimensão que sua prosa alcançará. Segue-se o "Ciclo de Petersburgo", composto de peças teatrais de grande repercussão, como O inspetor geral (1836), encenado nos teatros de Moscou e que provoca a ira dos conservadores; um romance: Almas mortas (1842), 1º vol., de forte apelo à consciência democrática do país e que incita a crítica reacionária; e, por fim, as novelas, em especial O capote, que se constitui num dos textos literários mais vigorosos contra a burocracia, seus excessos e injustiças.

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