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tocado pela mão de um instrumentista (cf. págs. 98-9);
eles não são destituídos de sentido, não são absurdos; não implicam que
uma parcela da nossa reserva de representações esteja adormecida enquanto
outra começa a despertar. Pelo contrário, são fenômenos psíquicos de inteira
validade, realizações de desejos; podem ser inseridos na cadeia dos atos
mentais inteligíveis de vigília; são produzidos por uma atividade mental
altamente complexa. Contudo, mal começamos a nos alegrar com essa descoberta,
e já somos assaltados por uma torrente de questões. Se, como nos diz a
interpretação dos sonhos, um sonho representa um desejo realizado, qual
a origem da notável e enigmática forma em que se expressa a realização
de um desejo? Por que alteração passaram os pensamentos oníricos antes
de se transformar no sonho manifesto que recordamos ao
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despertar? Como se dá essa alteração?
Qual a fonte do material que se modificou, transformando-se em sonho?
Qual a fonte das numerosas peculiaridades que se devem observar nos pensamentos
oníricos, tais como, por exemplo, o fato de poderem ser mutuamente contraditórios?
(Cf. a analogia da chaleira emprestada, na pág. 139.) Pode um sonho dizer-nos
algo de novo sobre nossos processos psíquicos internos? Pode seu conteúdo
corrigir opiniões que sustentamos durante o dia? Proponho que, por ora,
deixemos de lado todas essas questões e sigamos mais adiante, ao longo
de uma trilha específica. Averiguamos que um sonho pode representar a
realização de um desejo. Nossa primeira preocupação deve ser indagar se
essa é uma característica universal dos sonhos ou se, por acaso, terá
sido meramente o conteúdo do sonho específico (da injeção de Irma)
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