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A interpretação dos sonhos Sigmund Freud

tocado pela mão de um instrumentista (cf. págs. 98-9); eles não são destituídos de sentido, não são absurdos; não implicam que uma parcela da nossa reserva de representações esteja adormecida enquanto outra começa a despertar. Pelo contrário, são fenômenos psíquicos de inteira validade, realizações de desejos; podem ser inseridos na cadeia dos atos mentais inteligíveis de vigília; são produzidos por uma atividade mental altamente complexa. Contudo, mal começamos a nos alegrar com essa descoberta, e já somos assaltados por uma torrente de questões. Se, como nos diz a interpretação dos sonhos, um sonho representa um desejo realizado, qual a origem da notável e enigmática forma em que se expressa a realização de um desejo? Por que alteração passaram os pensamentos oníricos antes de se transformar no sonho manifesto que recordamos ao

despertar? Como se dá essa alteração? Qual a fonte do material que se modificou, transformando-se em sonho? Qual a fonte das numerosas peculiaridades que se devem observar nos pensamentos oníricos, tais como, por exemplo, o fato de poderem ser mutuamente contraditórios? (Cf. a analogia da chaleira emprestada, na pág. 139.) Pode um sonho dizer-nos algo de novo sobre nossos processos psíquicos internos? Pode seu conteúdo corrigir opiniões que sustentamos durante o dia? Proponho que, por ora, deixemos de lado todas essas questões e sigamos mais adiante, ao longo de uma trilha específica. Averiguamos que um sonho pode representar a realização de um desejo. Nossa primeira preocupação deve ser indagar se essa é uma característica universal dos sonhos ou se, por acaso, terá sido meramente o conteúdo do sonho específico (da injeção de Irma)

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