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que foi o primeiro a ser por nós analisado. Pois,
mesmo que estejamos dispostos a constatar que todo sonho tem um sentido
e um valor psíquico, deve permanecer em aberto a possibilidade de que
esse sentido não seja o mesmo em todos os sonhos. Nosso primeiro sonho
foi a realização de um desejo; um segundo poderia revelar-se como um temor
realizado; o conteúdo de um terceiro talvez fosse uma reflexão, ao passo
que um quarto poderia apenas reproduzir uma lembrança. Encontraremos além
desse outros sonhos impregnados de desejo? Ou talvez não haja outros sonhos
senão os relativos ao desejo?
É fácil provar que os sonhos muitas vezes se
revelam, sem qualquer disfarce, como realizações de desejos, de modo que
talvez pareça surpreendente que a linguagem dos sonhos não tenha sido
compreendida há muito tempo. Por exemplo, há um
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sonho que posso produzir em mim mesmo
quantas vezes quiser - experimentalmente, por assim dizer. Se à noite
eu comer anchovas ou azeitonas, ou qualquer outro alimento muito salgado,
ficarei com sede de madrugada, e a sede me acordará. Mas meu despertar
será precedido por um sonho, sempre com o mesmo conteúdo, ou seja, o de
que estou bebendo. Sonho estar engolindo água em grandes goles, e ela
tem um delicioso sabor a que nada senão uma bebida fresca pode igualar-se
quando se está queimando de sede. Então acordo e tenho de tomar uma bebida
de verdade. Esse sonho simples é ocasionado pela sede da qual me conscientizo
ao acordar. A sede dá origem a um desejo de beber, e o sonho me mostra
esse desejo realizado. Ao fazê-lo, ele executa uma função, que seria fácil
adivinhar. Durmo bem e não costumo ser acordado por nenhuma necessidade
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