Panorama CulturalLeituras OrientadasEstudos Literários

Sobre o SiteProcurarFale ConoscoDownloadCD-ROM do Site

 
James Joyce A Pensão

custódia das crianças. Não daria dinheiro, nem casa, nem comida ao marido. Isto obrigou-o a alistar-se entre os ajudantes do delegado. Era um bêbado baixote, esfarrapado e submisso, de rosto pálido, bigodes e sobrancelhas brancas, riscadas sobre dois olhinhos congestionados e grotescos. Passava o dia sentado na ante-sala do delegado, esperando que lhe dessem algum serviço.

A senhora Mooney era mulher grande e imponente. Tendo ficado com o dinheiro salvo do negócio, instalou uma pensão na rua Hardwicke. A casa abrigava uma população flutuante, constituída de turistas vindos de Liverpool e de Isle of Man e, ocasionalmente, de artistas do teatro musicado. Os residentes fixos eram empregados do comércio, que trabalhavam na cidade. Dirigia a pensão com habilidade e firmeza. Sabia quando dar crédito, quando ser

intransigente e quando deixar as coisas passarem. Os rapazes chamavam-na de A Madame.

Os hóspedes da senhora Mooney pagavam quinze xelins semanais por quarto e comida (vinho e cerveja à parte). Tinham os mesmos gostos e ocupações e, por essa razão, viviam em grande camaradagem. Discutiam entre si a sorte dos hóspedes favoritos ou temporários. Jack Mooney, filho da Madame, era empregado de um corretor da rua Fleet e tinha a reputação de ser um caso perdido. Gostava de empregar a gíria obscena dos soldados e, geralmente, entrava em casa de madrugada. Quando encontrava os amigos, tinha sempre uma novidade para contar e pretendia estar informado de tudo que havia de bom pela cidade, isto é, qual era o cavalo favorito ou o artista de maior sucesso. Não hesitava em usar os punhos e

Página anterior - 6 - - 7 - Próxima página