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James Joyce A Pensão

óculos ficaram tão embaçados que teve de tirá-los para limpar. Gostaria de atravessar o teto e voar para um outro país, onde nunca mais ouvisse falar daquela enrascada, mas uma força empurrava-o passo a passo para baixo. Os rostos implacáveis de seu patrão e da Madame pairavam sobre sua desgraça. No último lance da escada, cruzou com Jack Mooney que vinha da despensa sobraçando duas garrafas de cerveja. Cumprimentaram-se e os olhos do amante fixaram-se, por alguns segundos, no rosto gordo de buldogue e em dois braços curtos e potentes. Ao pé da sacada, voltou-se para cima e viu Jack olhando-o da porta do sótão.

Subitamente, recordou-se da noite em que um dos artistas um loirinho de Londres, fizera certa alusão indiscreta a respeito de Polly. A reunião quase terminara devido a violenta reação de Jack. Todos

procuravam acalmá-lo. O artista, um pouco mais pálido que de costume, continuara a sorrir, afirmando que não tivera intenção de ofender. Contudo Jack não parava de gritar que se alguém mais ousasse falar naquele tom de sua irmã, ele o faria engolir os dentes; não duvidassem disso.

Polly ficou sentada na cama, chorando. Passado algum tempo, enxugou os olhos e foi mirar-se no espelho. Molhou a ponta da toalha na jarra e refrescou os olhos. Contemplou-se de perfil e arrumou um grampo sobre a orelha. Voltou para a cama e sentou-se novamente. Ficou olhando os travesseiros que despertavam amáveis recordações. Recostou a nuca na grade fria da cama e caiu em devaneios. Já não havia em seu rosto a menor inquietação.

Esperou pacientemente, quase feliz, passando, pouco a pouco, de recordações a esperanças e visões do

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