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embora tenhamos esquecido aquelas palavras e até
seu sabor e significado tenham desaparecido, ainda guardamos viva a sensação
de alguns minutos de tal maneira plenos que se transformaram em tempo
transbordado, maré alta que rompeu os diques da sucessão temporal. Pois
o poema é via de acesso ao tempo puro, imersão nas águas originais da
existência. A poesia não é nada senão tempo, ritmo perpetuamente criador.
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Verso e Prosa
O ritmo não é apenas o elemento
mais antigo e permanente da linguagem, como também não é difícil que seja
anterior à própria fala. Em certo sentido, pode-se dizer que a linguagem
nasce do ritmo ou, pelo menos, que todo ritmo implica ou prefigura uma
linguagem. Assim, todas as expressões verbais são ritmo, sem exclusão
das formas mais abstratas ou didáticas da prosa. Como então distinguir
prosa e poema? Deste modo: o ritmo se dá espontaneamente em toda forma
verbal, mas só no poema se manifesta plenamente. Sem ritmo não há poema;
só com ritmo não há prosa. O ritmo é condição do poema, ao passo que é
inessencial para a prosa. Pela violência da razão as palavras se desprendem
do ritmo; essa violência racional sustenta a
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