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Anton Tchecov Angústia

está mergulhada em meditações. Quem foi arrancado do arado, das costumeiras paisagens cinzentas, e atirado aqui, neste atoleiro, cheio de luzes monstruosas, zoeira incessante e gente apressada, esse não pode deixar de meditar...

Iona e a sua eguazinha não se movem do lugar já faz muito tempo. Saíram do pátio ainda antes do almoço, porém não fizeram nem uma corrida. Mas eis que a sombra da noite desce sobre a cidade. A luz pálida dos lampiões cede lugar à cor viva e o bulício das ruas torna-se mais ruidoso.

- Cocheiro, para a Viborgskaia! - ouve Iona. - Cocheiro!

Iona estremece e, através dos cílios grudados pela neve, vê um militar de capote e capuz.

- Para Viborgskaia! - repete o militar. - Mas tu estás dormindo, hein?

Para Viborgskaia!

Em sinal de assentimento, Iona puxa as rédeas, em conseqüência do que, placas de neve caem dos seus ombros e do ombro do cavalo. O militar toma assento no trenó. O cocheiro estala os lábios, estica o pescoço à maneira de um cisne, soergue-se e, mais por hábito que por necessidade, brande o chicote. A eguazinha também estica o pescoço, arqueia as pernas magras e, insegura, põe-se em movimento.

- Por onde te metes, lobiso- mem! - ouve Iona, assim que sai, gri- tar de dentro da massa escura que ba- lança para diante e para trás. - Aonde te carrega o diabo? Para a direita!

"Não sabes dirigir! Agüenta a direita!", ralha o militar.

Um cocheiro de carruagem particular pragueja ao cruzar, e um

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