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lírica, algo plenamente individual, não se contrapõe
à sociedade. É por exigência social que sua palavra é virginal. Daí seu
caráter de imediatez e a falta de materialidade. A generalidade ou totalidade
da lírica transcende a relação Eu/sociedade, tendo a linguagem por mediador
desta motivação social. A formação lírica é sempre expressão da subjetividade
a, que a linguagem empresta objetividade. O sujeito lírico encarna o todo
através da subjetividade poética, como sujeito autônomo, dono de sua própria
livre expressão. A interpretação social da lírica deve ser imanente, independente
da posição social ou da situação de interesses das obras de seus autores.
A expressão do individual reflete a crise do indivíduo, participando de
uma corrente coletiva graças a sua experiência histórica.
Por outro lado, pode-se atribuir à lírica um
traço abertamente social,
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quando ela manifesta seu repúdio
a situações provocadas pelo referente na sociedade, sem que o eu poético
se desprenda da subjetividade ou perca sua alogicidade. Incluem-se aí
todas as modalidades de poesia engajada, como por exemplo o condoreirismo
de Castro Alves, posturas críticas do surrealismo francês durante a segunda
guerra mundial, autores como Brecht e Garcia Lorca. Nestes casos, o EU
vale por um NÓS.
A terceira vertente da lírica
é a racional, que se contrapõe às facilidades da inspiração
e busca desfazer o mito romântico do poeta-gênio iluminado. Valoriza o
lavor poético, apontando para as dificuldades que tal arte exige, pois
a emoção (sentimental) se transforma em reflexão, questionamento. Neste
sentido tende, de certa maneira, a se tornar a versão contemporânea do
classicismo. Este ponto de vista inclui
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