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Tempo Brasileiro Lígia Vassalo

lírica, algo plenamente individual, não se contrapõe à sociedade. É por exigência social que sua palavra é virginal. Daí seu caráter de imediatez e a falta de materialidade. A generalidade ou totalidade da lírica transcende a relação Eu/sociedade, tendo a linguagem por mediador desta motivação social. A formação lírica é sempre expressão da subjetividade a, que a linguagem empresta objetividade. O sujeito lírico encarna o todo através da subjetividade poética, como sujeito autônomo, dono de sua própria livre expressão. A interpretação social da lírica deve ser imanente, independente da posição social ou da situação de interesses das obras de seus autores. A expressão do individual reflete a crise do indivíduo, participando de uma corrente coletiva graças a sua experiência histórica.

Por outro lado, pode-se atribuir à lírica um traço abertamente social,

quando ela manifesta seu repúdio a situações provocadas pelo referente na sociedade, sem que o eu poético se desprenda da subjetividade ou perca sua alogicidade. Incluem-se aí todas as modalidades de poesia engajada, como por exemplo o condoreirismo de Castro Alves, posturas críticas do surrealismo francês durante a segunda guerra mundial, autores como Brecht e Garcia Lorca. Nestes casos, o EU vale por um NÓS.

A terceira vertente da lírica é a racional, que se contrapõe às facilidades da inspiração e busca desfazer o mito romântico do poeta-gênio iluminado. Valoriza o lavor poético, apontando para as dificuldades que tal arte exige, pois a emoção (sentimental) se transforma em reflexão, questionamento. Neste sentido tende, de certa maneira, a se tornar a versão contemporânea do classicismo. Este ponto de vista inclui

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