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A Mulher no Espelho
As pessoas não deviam deixar espelhos
pendurados nas sa-las, nem talonários de cheques abertos ou cartas confessando
algum crime odioso. Impossível as pessoas deixarem de se olhar, naquela
tarde de verão, no longo espelho que pendia no salão. O acaso o pusera
ali. Das profundezas do sofá na sala de visitas a pessoa via refletida
no espelho italiano não somente a mesa de tampo de mármore em frente,
como também um pedaço do jar-dim. Via-se um longo caminho relvado avançando
entre barreiras de flores altas, até que, formando um ângulo, a borda
dourada do espelho o suprimia.
A casa estava vazia, e a pessoa
se sentiria, se fosse a única na sala de visitas, como um daqueles naturalistas
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