Conferência sobre diversidade na ciência integrou a programação dos 85 Anos da Universidade

Fotos: Kätlin Armbrust/PROPESQ

No último dia 25 de setembro, o Salão de Atos da UFRGS recebeu a física e ativista britânica Jessica Wade para uma conferência intitulada ‘Por que precisamos conversar sobre diversidade na ciência?’. O evento teve promoção da Pró-Reitoria de Pesquisa e integrou a programação dos 85 Anos da Universidade.

Jessica Wade é pesquisadora vinculada ao Blackett Laboratory do Imperial College London, em Londres, e vem ganhando notoriedade não apenas pelo trabalho que desenvolve na área de Física, mas também por sua atuação em favor de uma maior representatividade de gênero na ciência. Uma de suas ações mais reconhecidas tem sido a formulação de perfis na Wikipédia dedicados a mulheres cientistas notáveis dos mais variados países. Ao todo, já foram criados mais de 750 perfis.

Durante a conferência, Jéssica destacou o descompasso entre algumas conquistas que mulheres, negros e outras minorias, como LGBTQ+, vêm garantindo nos últimos anos em sociedades como a britânica e a brasileira, e a permanente sub-representatividade desses grupos no mundo acadêmico e da produção científica. Tal cenário, segundo ela, é resultado não apenas da desigualdade de renda e acesso à educação formal, mas também de fatores culturais que incentivam, desde muito cedo, estereótipos na relação de crianças e jovens com a ciência e com o interesse por determinadas áreas do conhecimento.

A sub-representação das minorias na ciência, ao mesmo tempo que é resultado das injustiças, também acaba contribuindo para aprofundá-las. Para Jessica, esse processo “não é justo no momento em que temos que organizar a academia. Não é justo para o conjunto da sociedade, para o conjunto das comunidades. O grande problema é que isso, de fato, determina a ciência que fazemos. A diversidade das pessoas que venham a entrar na academia determina o que vamos pesquisar”.

“Tenho esperança de que coletivamente nossa geração, essa jovem geração, vai se erguer e lutar contra isso, porque no momento não estamos fazendo a melhor ciência que poderíamos fazer”, conclui.

Conforme o pró-reitor de Pesquisa, Rafael Roesler, “a escolha de uma conferencista mulher, jovem, que é uma cientista multipremiada e de altíssima visibilidade e projeção internacional, nos ajudou a dar destaque à pauta da diversidade na ciência na UFRGS. Além disso, esperávamos que a Dra. Jess Wade teria uma influência inspiradora, principalmente para nossas jovens estudantes, e acho que isso realmente aconteceu.”

A conferência teve patrocínio da Fundação Empresa-Escola de Engenharia da UFRGS (FEEnG), da Fundação Médica do Rio Grande do Sul (Fundmed), da Fundação Bienal do Mercosul, da Fábrica do Futuro e da uMov.me.

O vídeo legendado da conferência de Jessica Wade será disponibilizado em breve no site da PROPESQ.

 

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Fotos:  Kätlin Armbrust/PROPESQ