Pesquisa em Pauta – Energia do cérebro

O pesquisador canadense Luc Pellerin, da Universidade de Lausanne (Suíça), esteve na UFRGS em junho, a convite do Programa de Pós-graduação em Ciências Biológicas: Bioquímica. Autoridade mundial em neuroenergética, subárea da neurociência que tenta entender como o cérebro produz e utiliza energia em condições fisiológicas e em situações de doença, Pellerin apresentou a palestra “Plasticidade metabólica cerebral: regulação de transportadores de monocarboxilados em células cerebrais”. Em sua fala, ele explicou como as substâncias utilizadas para produção de energia são transportadas pelos neurônios e de que forma isso influencia a sobrevivência das células e o funcionamento do cérebro.

Em entrevista ao Jornal da Universidade, o professor falou da importância das pesquisas em sua área: “Sabemos que certo número de doenças afeta o cérebro, que pode, em função disso, apresentar algum déficit de energia. O grupo do qual faço parte estuda as interações entre diferentes células cerebrais, os neurônios e os astrócitos [assim nomeados por seu formato de estrela]. Nosso propósito é compreender o papel dos astrócitos em prover energia aos neurônios”, explica.

Cauteloso, Pellerin alertou que os estudos ainda são incipientes. “Identificamos algumas populações de células que, potencialmente, podem fazer ‘nascer’ novos neurônios. Mas essa capacidade é muito limitada. Então, penso que, por enquanto, é melhor direcionar os esforços de pesquisa na tentativa de proteger os neurônios já existentes do que buscar uma maneira de produzir novos neurônios.” Questionado sobre o potencial das células-tronco, ele foi ainda mais cuidadoso: “Há alguns anos, as células-tronco foram consideradas uma perspectiva viável para a obtenção de novas células neuronais, no entanto, depois de uma série de experimentos, os resultados ainda são muito limitados. A dificuldade é que não basta produzi-las, é preciso fazer as conexões certas. E ainda não existe uma fórmula para ‘dizer’ a essas células como fazer essas conexões”.

Em relação ao estágio das pesquisas realizadas nessa área no Brasil, o professor disse ter encontrado na UFRGS, junto ao grupo dos pesquisadores Diogo Onofre de Souza e Luis Valmor Cruz Portela, um grande interesse na compreensão do papel da neuroenergética e em como ela pode ter um efeito neuroprotetivo sobre o cérebro. Por conta disso, ele está desenvolvendo um projeto em parceria com a equipe da Universidade para investigar, por exemplo, como exercícios físicos e uma boa alimentação podem ser usados para aumentar esse efeito neuroprotetor.

Pellerin avalia ainda que a interface entre a neurociência e a informática é uma área bastante promissora, especialmente no desenvolvimento de próteses. Ele ressaltou que alguns pesquisadores estão tentando desenvolver eletrodos estimuladores, capazes de ativar áreas específicas do cérebro ou de coletar informações da atividade de certas regiões do cérebro a fim de relacioná-las a músculos específicos. Essa interface também poderá resolver déficits de comunicação entre o cérebro e os membros.

 

FONTE: Jornal da Universidade, N. 139 Julho de 2011

REDAÇÃO: Ânia Chala

IMAGEM: http://turmabid0112.blogspot.com/2011/05/palestra-aborda-o-transporte-de-energia.html

Tagged