Pesquisadores da UFRGS lideram primeira travessia científica brasileira pelo interior da Antártida

Expedição pretende gerar dados para avaliar os impactos antrópicos na atmosfera. Imagem: Divulgação Centro Polar e Climático/UFRGS
Expedição pretende gerar dados para avaliar os impactos antrópicos na atmosfera. Imagem: Divulgação Centro Polar e Climático/UFRGS

Uma equipe de quatro pesquisadores da UFRGS se prepara para viajar à Antártida no final de dezembro deste ano, na primeira travessia científica brasileira ao interior do continente. O grupo é formado pelo professor e diretor do Centro Polar e Climático da UFRGS, Jefferson Simões, líder da travessia, além do químico Ronaldo Tomar Bernardo; do doutorando em Geologia, Luciano Marquetto; e do engenheiro químico Felipe Lindau.

O grupo vai percorrer cerca de 1.400 quilômetros no manto de gelo, com início da viagem pelo interior do continente gelado previsto para 5 de janeiro e final, para o dia 31 do mesmo mês. Durante o trajeto, serão feitas amostragens superficiais e através de perfuração do manto de gelo (coleta de testemunhos). Além da amostragem, que pretende gerar dados para avaliar os impactos antrópicos na atmosfera, dos últimos 50 anos, como poluição e gases estufa, a expedição tem como objetivo conhecer e preparar o local de instalação do segundo módulo científico brasileiro, o Criosfera 2, que será levado à Antártida no verão de 2015/2016.

A travessia

O grupo sai de Punta Arenas (Chile) e vai até o ponto inicial da travessia, a geleira Union (79°45’S, 82°50’W, ± 700 m de altitude), pousando na pista de gelo azul com a aeronave Ilyushin 76. De lá, seguem 520 km até chegarem ao local onde está instalado o módulo científico brasileiro Criosfera 1. Do Criosfera 1, seguem mais 650 km até o Monte Johns (79°55’S, 94°23’W, com 2.125 m de altitude), onde é o futuro local de instalação do módulo Criosfera 2. Avançam 100 km, então, em direção à geleira Pine e retornam ao Monte Johns para  a pista de pouso na geleira Union.

Antes da instalação do Criosfera 2, Simões ressalta que o módulo científico Criosfera 1, instalado em 2011, já começa a registrar os primeiros resultados. “Já tivemos o registro do aumento de concentração de CO2 na atmosfera, atingindo o valor de 400 ppm (partes por milhão), o que confirma as medições realizadas pelos laboratórios dos Estados Unidos presentes no continente antártico”, afirma o pesquisador.

Fonte: UFRGS Notícias

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