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junho 11, 2008

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O comportamentismo – John Watson

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Fragmento de: “O comportamentismo” de John Watson
Fonte: WATSON, John Broadus. O comportamentismo. in HERRNSTEIN, R. J. e BORING, E. G. Textos básicos de história da psicologia. São Paulo: Herder e EDUSP, 1971. p. 626-636.

Acesso ao texto original em ingl√™s publicado em Psychological Review, n√ļmero 20, p√°g. 158-177, 1913, sob o t√≠tulo “Psychology as the behaviorist views it”.

A psicologia, tal como a interpreta o comportamentista, é um ramo puramente objetivo e experimental da ciência natural. Seu objetivo teórico é a predição e o controle do comportamento. A introspecção não é parte essencial de seus métodos, nem o valor científico de seus dados depende da facilidade com que podem ser interpretados através da consciência. O comportamentismo, em seu esforço para conseguir um esquema unitário da resposta animal, não reconhece linha divisória entre o homem e os animais irracionais. O comportamento do homem, com todo o seu refinamento e toda a sua complexidade, constitui apenas uma parte do esquema total de pesquisa do comportamentista.

Geralmente, os seus seguidores t√™m sustentado que a psicologia √© o estudo da ci√™ncia dos fen√īmenos da consci√™ncia.

(…)

N√£o desejo criticar injustamente a psicologia. Nitidamente, n√£o conseguiu, segundo penso, durante seus cinq√ľenta e tantos anos como disciplina experimental, encontrar seu lugar como uma ci√™ncia indiscut√≠vel. A psicologia, tal como √© geralmente pensada, tem algo de esot√©rico em seus m√©todos. Se voc√™ n√£o consegue reproduzir quaisquer resultados, isso n√£o se deve a falha em seu aparelho ou no controle de seus est√≠mulos, mas ao fato de sua introspec√ß√£o n√£o ser bem treinada. Ataca-se o observador, e n√£o a situa√ß√£o experimental. Na f√≠sica e na qu√≠mica, criticam-se as situa√ß√Ķes experimentais. O aparelho n√£o era suficientemente sens√≠vel, foram usados reagentes impuros, etc. Nesta ci√™ncia uma t√©cnica melhor apresentar√° resultados que podem ser repetidos. Na psicologia a situa√ß√£o √© diferente. Se voc√™ n√£o √© capaz de observar entre 3 e 9 estados de nitidez na aten√ß√£o, a sua introspec√ß√£o √© m√°. Se, por outro lado, uma sentimento parece a voc√™, razoavelmente claro, a sua introspec√ß√£o tamb√©m deve ser criticada. Voc√™ est√° vendo demais. Os sentimentos nunca s√£o claros.

(…)

Isso me conduz ao ponto em que desejo apresentar um discuss√£o construtiva. Acredito que podemos escrever uma psicologia (…) e (…) nunca empregar os termos consci√™ncia, estados mentais, mente, conte√ļdo introspectivamente verific√°vel, imagens, e assim por diante. Acredito que dentro de poucos anos poderemos faz√™-lo, sem cair na absurda terminologia de Beer, Bethe, Von Uexk√ľll, Nuel, e de modo geral, a chamada escola objetiva. Isso pode ser feito atrav√©s de est√≠mulo e resposta, atrav√©s de forma√ß√£o de h√°bito, integra√ß√£o de h√°bito, e assim por diante. Al√©m disso, acredito tamb√©m que vale a pena fazer essa tentativa agora.

A psicologia que eu tentaria construir consideraria como ponto de partida, em primeiro lugar, o fato observ√°vel de que os organismos, tanto humanos quanto animais, se ajustam a seus ambientes atrav√©s de bagagem heredit√°ria e de h√°bitos. Tais ajustamentos podem ser muito adequados ou podem ser t√£o inadequados que o organismo mal mant√©m sua exist√™ncia; em segundo lugar alguns est√≠mulos levam os organismos a apresentar as respostas. Num sistema de psicologia inteiramente desenvolvido, dada a resposta √© poss√≠vel predizer o est√≠mulo; dado o est√≠mulo √© poss√≠vel predizer a resposta. Esse conjunto de afirma√ß√Ķes √© extremamente grosseiro e rude, tal como deve ocorrer com todas as generaliza√ß√Ķes desse tipo. No entanto, √© dif√≠cil dizer que s√£o mais grosseiras e menos realiz√°veis do que as afirma√ß√Ķes que aparecem atualmente nos manuais de psicologia.

(…)

Fundamentalmente, meu desejo em todo esse trabalho é obter conhecimento preciso dos ajustamentos e dos estímulos que os provocam. Minha razão geral para isso é conhecer os métodos gerais e particulares pelos quais se possa controlar o comportamento.


* Esse texto de John Watson é considerado o manifesto de fundação do Behaviorismo.


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