Desenvolvimento Humano

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A Relação do Desenvolvimento Humano na teoria de Piaget com a Educação Infantil


O desenvolvimento do ser humano em conjunto com seu processo de aprendizagem estão muito relacionados desde que a criança passa a ter contato com o mundo. É na interação com o meio social e físico que a criança inicia o seu desenvolvimento de maneira maior e eficiente. Isso quer dizer que quando começa o envolvimento com seu meio social, vários processos internos de desenvolvimento são desencadeados de modo que permitirão um novo grau de desenvolvimento.


Através da observação, imitação e experimentação das instruções de pessoas mais experientes, a criança vivencia diversas experiências físicas e culturais, construindo, dessa forma, um conhecimento a respeito do mundo a qual vive.


Sendo assim, de acordo com Piaget, o desenvolvimento da pessoa se dá pela relação que se estabelece entre o sujeito (com toda sua carga genética e dispositivos biológicos, bem como sua história pessoal acumulada) e o meio onde ele está inserido (que compreende uma série de fatores que vão desde os objetos materiais até os valores morais, passando necessariamente pela existência do outro.


Trabalhar com a criança em idade pré-escolar não é simplesmente acompanhar seu desenvolvimento, nem treina-la para que adquira hábitos sociais, mas possibilitar que ela estabeleça uma relação sadia e rica com o meio que a cerca de modo a possibilitar o seu desenvolvimento e a apropriação de conteúdos novos.


O meio ambiente tem que ser desafiador no objetivo de poder estimular a ação motora da pessoa, bem como seu intelectual. Porém, somente oferecer estímulos para que a criança se desenvolva normalmente não é suficiente, pois a eficiência da estimulação depende também do contexto afetivo em que esse estímulo se insere, a ação está diretamente ligada ao relacionamento entre o estimulador e a criança.


Sendo assim, o papel da escola na educação deve ser de sistematizar esses estímulos, promovendo uma relação afetiva com o objetivo de transmitir valores e conhecimentos que visam o desenvolvimento integral da pessoa.


A importância da Educação Física no Desenvolvimento Humano


O principal instrumento da educação física é o movimento, por ser o denominador comum de diversos campos sensoriais. O desenvolvimento do ser humano se dá a partir da integração entre a motricidade, a emoção e o pensamento.


O educador físico possui ferramentas importantes de modo a provocar estímulos que promovam um desenvolvimento de forma muito prazerosa, através da brincadeira, do jogo e do esporte. A partir desses itens, a criança aprende a usar da imaginação.


Utilizando-se dessa imaginação, a criança não leva em conta as características reais do objeto, se detendo no significado determinado pela brincadeira.


A educação física, ao propiciar jogos e brincadeiras que, intencionalmente, devem estimular a imaginação e a criatividade. É importante ressaltar que processo de desenvolvimento dos indivíduos tem relação direta com o seu ambiente sócio-cultural e eles não se desenvolveriam na sua totalidade sem o suporte de outros indivíduos da mesma espécie. Sendo assim, a educação física ao estabelecer essas situações desafiadoras, obtém papel fundamental na escola.


A interferência de outras pessoas (professor e outros alunos) é fundamental para o desenvolvimento do indivíduo. O papel do professor deve ser o de interventor intencional, estimulando o aluno a progredir em seus conhecimentos e habilidades através de propostas desafiadoras que o leve a buscar soluções, por intermédio da sua própria vivência e das relações interpessoais. Isto não deve significar uma educação autoritária, mas sim, uma educação que possibilite ao aluno, por meio de estratégias estabelecidas pelo professor, construir o seu próprio conhecimento, com a reestruturação e reelaboração dos significados que são transmitidos ao indivíduo pelo seu meio sócio-cultural.


Todo processo de ensino para ser eficiente deve levar em conta o nível de desenvolvimento real da criança e o seu nível de desenvolvimento potencial adequado a sua faixa etária, conhecimentos e habilidades que já possui. Segundo Piaget os estágios de desenvolvimento aparecem em uma ordem necessária, ou seja, que não se pode queimar etapas, pois um prepara o outro e cada um é construído sobre as estruturas do anterior. Entretanto, as idades em que eles aparecem são relativas, pois, como dito anteriormente, o desenvolvimento depende da interação do sujeito com seu meio.


A evolução infantil obedece a uma seqüência motora, cognitiva, e afetivo-social que ocorrerá de forma mais lenta ou mais acelerada, de acordo com os estímulos recebidos. O pensamento, aos poucos, passa a ser projetado no exterior pelos movimentos e pela linguagem. Isto permitirá uma maior participação na sua relação com o meio que a cerca. A ação da criança sobre o meio estimulará sua atividade mental, seu pensamento. A partir daí, a criança começa a ter maior consciência sobre sua própria pessoa, iniciando a formação da sua auto-imagem. A seguir, a criança vai iniciando a sua vida social formando pequenos grupos, porém ocorre uma troca constante de amizades e de grupos. Esse “intercâmbio social” é fundamental, pois leva a criança a se adaptar a diferentes situações, reconhecendo-se como pessoa.


Nesta perspectiva, todas as fases do desenvolvimento infantil tem suas próprias características, e então exige estudos aprofundados sobre os métodos pedagógicos, as qualidades dos estímulos fornecidos e a atuação intencional do profissional na aula. O professor deve levar em conta a peculiaridade de cada fase pela qual o aluno passa, observando sempre a relatividade contida entre idade e desenvolvimento da criança. As particularidades de cada jogo, brincadeira ou esporte devem auxiliar o educando no seu desenvolvimento integral, formando o indivíduo crítico, que é o principal objetivo da educação.


Pela importância que a infância representa na formação da personalidade do indivíduo, é muito importante que o professor esteja atento aos estudos científicos que teorizem as práticas, evitando-se um choque entre teoria e prática o que poderá refletir negativamente na formação dos jovens.


Considerações Finais


Todo esse desenvolvimento da criança depende, portanto, da interação que o sujeito estabelece com seu meio físico-social. Chega-se ao máximo do desenvolvimento quando a qualidade das interações estabelecidas for satisfatória para provoca-lo.


Acreditamos que não podemos esquecer dos aspectos afetivos, pois o ser humano é uma totalidade e não é o objetivo do professor tornar as escolas infantis em fábricas de superdotados, por exemplo, desrespeitando as problemáticas afetivas que as crianças nesta faixa etária estão enfrentando.


O professor tem um papel importantíssimo na passagem de valores e principalmente do conhecimento para a formação cognitiva e motora do indivíduo, pois que tanto em Freire como Piaget, o conhecimento é uma construção causada por um tipo de ação que se diferencia da ação prática, da ação que está envolvida com a busca do êxito. A ação que constrói conhecimento é uma ação que debruça, inicialmente, sobre os resultados dessa ação prática que busca o êxito, que vai progressivamente à direção de seus mecanismos íntimos; isso é, na busca da compreensão. Por isso, para construir conhecimento, precisa-se de tempo: tempo biológico, tempo psicológico, tempo cognitivo, tempo cultural, tempo histórico... tempo livre.


Então, é necessário o professor conhecer bem o desenvolvimento da criança na sua totalidade para trabalhar com ela, se desprezar este conhecimento corre o risco de estar fazendo de conta que contribui para a educação da criança, ou seja, o aluno finge que aprende e o professor finge que ensina!


Referências Bibliográficas:


PIAGET, Jean. A epistemiologia genética. Problemas de epistemiologia genética. São Pulo, Abril Cultural, 1978.


PIAGET, Jean. Aprendizagem e Conhecimento. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 1974


FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia; saberes necessários à prática educativa. 2ed. São Paulo: Paz e Terra, 1997


SHIGUNOV, V. e PEREIRA, V. Pedagogia da educação física: o desporto coletivo na escola os componentes afetivos. São Paulo: IBRASA, 1993.


http://www.unicamp.br/iel/site/alunos/publicacoes/textos/d00005.htm