Drogas na Escola -

De Editor coletivo de textos - Wiki
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Introdução

Este trabalho tem por objetivo estudar alguns métodos aplicados nas escolas para tentar lidar com o crescente consumo de drogas entre os adolescentes. Levando em consideração que as drogas são, na sociedade atual, um tabu do qual poucos tem uma visão um pouco mais liberal a respeito do uso recreativo delas, tentei buscar fontes que fugissem do tradicional “diga não as drogas porque elas vão matar você”, assim como incitar o questionamento do por que elas são ilegais.

Drogas nas Escolas

As drogas são um fenômeno social complexo que intervêm em questões de valores e de sentidos dentro da nossa sociedade, influindo muito mais do que o simples consumo por parte de uma criança ou adolescente, pensando também em questões familiares e de comportamento social como um todo. Realizando uma busca em sítios da internet encontrei uma matéria da revista on-line UOL, que falava de uma matéria sobre drogas na escola, ela dizia que das 2351 escolas pesquisadas em todo o pais, a maioria apresentava alunos que já aviam consumido algum tipo de droga ilícita e o Rio Grande do Sul seria o Estado campeão do tráfico de drogas dentro das escolas (pesquisa realizada para a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação). Esse dado mostra que o método tradicional aplicado nas escolas não esta atingindo seu objetivo “O projeto Dare (sigla em inglês) começou a ser aplicado no Brasil com o nome de Programa Educacional de Resistência às Drogas (Proerd) e, assim como nos EUA, foi aplicado principalmente por policiais. A figura do policial pode carregar representações simbólicas diversas em diferentes países ou diferentes contextos sócio-econômico-culturais, e no Brasil essa nem sempre é positiva. Além disso, a falta de adaptação cultural tanto do conteúdo como da estratégia didática compromete ainda mais a aplicação desse modelo no Brasil 1. Na escola na qual realizei entrevista com a diretora, ela falou do mesmo projeto que havia sido realizado a pouco tempo na escola, ainda sem mostrar resultados, pois apesar de não haver consumo dentro da escola, os professores não identificaram mudança comportamental dos alunos, segundo a diretora.

A mídia enfoca essa questão de maneira muito tendenciosa e moralista e seus textos, que normalmente dialogam com jovens, os tratam como pessoas carentes de informação e incapazes de formular um julgamento crítico, mas nem sempre isso corresponde a realidade. Abordar o jovem que utiliza drogas como um criminoso inconseqüente que não pensa muito além do seu próprio umbigo, não é a maneira mais eficaz de dialogar com eles. Como resultado temos uma pressão sobre as escolas para realizarem alguma ação, o que acaba levando profissionais muitas vezes não qualificados a falarem sobre as drogas.

Se levarmos em consideração os processos históricos de criminalização dos psicoativos eles podem ser considerados racistas e preconceituosos como a cocaína que nos EUA era ligada aos negros e a cannabis, que era ligada aos hispânicos. Não tenho a pretensão de defender o uso dessas drogas, mas sim conscientizar o leitor da maneira maniqueísta que esse assunto é tratado, principalmente dentro das escolas.

Dos métodos estudados para tratar da questão “drogas na escola” a prevenção pela educação, na teoria, parece ser o método mais amplo e democrático, em que o assunto não é tratado como se fosse uma aula, mas existe a interação entre professores, alunos e pais. A escola desenvolve o lado psico-afeitvo do aluno, ajudando a sua abilidade criativa e a efetuar opções mais conscientes e responsáveis com a sua saúde. Enfocar a escola como promotora da saúde, trabalhando tanto conceitos sociais quanto biológicos com os alunos, procurando saber qual é o conhecimento que eles possuem do assunto e dessa forma identificar partes deficitárias. Ações de prevenção da saúde, acabando com a manipulação de informações e incentivando a autonomia do aluno, são mais eficazes, pois abordam o indivíduo como um todo em sua complexidade biológica, independente de terem ou não utilizados pscicoativos.


Conclusão

Existe na nossa sociedade um modelo muito pouco eficiente de tratar a questão das drogas, tanto dentro como fora das escolas, baseado na repressão e ataque no direito de livre decisão dos cidadões. Tive o cuidado de não usar a palavra problema no decorrer do trabalho, pois não encaro o assunto como tal, mas sim como uma questão que deve ser dialogada entre todos, para um maior grau de conscientização.

O modelo de prevenção, com a escola assumindo o papel de promotora da saúde traz diversos benefícios para os alunos, na medida em que além das drogas podem ser tratados diversos outros assuntos como obesidade infantil e abuso no tempo do computador, assim como podem ser tratadas as drogas licitas que, hipocritamente, são ditas como “aceitáveis” para consumo por toda a sociedade.

Gostaria de aproveitar a oportunidade para justificar que este trabalho, que trata de um assunto amplo e de profundo debate, ficou prejudicado porque deveria ter sido realizado em grupo, mas infelizmente, por mais um desses percalços que a vida nos coloca, acabou sendo realizado por somente uma pessoa, o que provavelmente reduziu a abrangência do trabalho.