Métodos de Ensino

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Os Métodos de Ensino (baseado na obra Didática, de Jose Carlos Libâneo)

Jose Carlos Libâneo analisa em sua obra Didática, o conceito de método de ensino, assim como, propõe indicativos para a orientação de professores. O autor apresenta métodos de exposição pelo professor, métodos de trabalho independente, métodos de elaboração conjunta e métodos de trabalho em grupo.

O processo de ensino se caracteriza pela combinação de atividades do professor e dos discentes. Segundo o autor, primeiramente dependem dos objetivos imediatos da aula; seguindo da escolha e organização dos métodos de conteúdos específicos e terceiro o conhecimento das características dos alunos. Portanto, diagnosticando o processo formativo trazido para o novo campo de estudo. Em função dos métodos de ensino estar obrigatoriamente vinculados aos objetivos gerais e específicos, as decisões de selecioná-los para utilização didática, depende de uma metodologia mais ampla do processo educativo, portanto, veremos a seguir os princípios e diretrizes, métodos e procedimentos organizativos:

  • 'Conceito de método de ensino'

São as ações do professor no sentido de organizar as atividades de ensino, a fim de que os alunos possam atingir os objetivos em relação a um conteúdo específico, tendo como resultado a assimilação dos conhecimentos e o desenvolvimento das capacidades cognitivas e operativas dos alunos.

  • 'A relação objetivo-conteúdo-método'

Essa relação tem como característica a interdependência. Da mesma forma que o método é determinado pela relação objetivo-conteúdo, pode também influir na determinação de objetivos e conteúdos, ou seja, os métodos na proporção que são utilizados para a transmissão e assimilação de determinadas matérias, atuam na seleção de objetivos e conteúdos.

  • 'Os princípios básicos do ensino'

Apesar de os estudos que vêm sendo desenvolvidos por educadores sobre esses assuntos ainda serem insuficientes, as exigências práticas requerem certos indicativos para orientação dos professores em relação aos objetivos do ensino.

  • 'Ter caráter científico e sistemático'

O professor deve buscar a explicação científica de cada conteúdo e orientar o aluno para o estudo independente que utilize os métodos científicos da matéria.

  • 'Ser compreensível e possível de ser assimilado'

A combinação desse princípio com o caráter científico e sistemático compatibiliza as condições prévias para assimilação de novos conteúdos pelos alunos. O professor deve dosar o grau de dificuldade, a fim de superar a contradição entre as condições prévias e os objetivos. Periodicamente fazer um diagnóstico do nível de conhecimento e desenvolvimento dos alunos, analisando sistematicamente a correspondência entre o volume de conhecimento e as condições do grupo de alunos, obtendo aprimoramento e, principalmente, atualização dos conteúdos da matéria que leciona, tornando-a, dessa forma, compreensíveis e assimiláveis pelos alunos.

  • 'Assegurar a relação conhecimento-prática'

A principal característica dessa relação é o estabelecimento de vínculos entre os conteúdos que são ministrados pelos professores com a real aplicabilidade prática do conhecimento adquirido pelo aluno, ou seja, deve-se mostrar aos alunos que os conhecimentos são resultados de experiências de gerações anteriores que visavam atender a uma necessidade prática.

  • 'Assentar-se na unidade ensino-aprendizagem'

Os métodos de ensino utilizados pelo professor devem ser claros e estimular os alunos à atividade mental, melhor dizendo, o método de ensino deve fazer com que o aluno utilize suas habilidades para construir o conhecimento e não simplesmente "Aprender fazendo". O professor deve esclarecer sobre os objetivos da aula e sobre a importância dos novos conhecimentos na seqüência dos estudos, ou para atender a necessidades futuras.

  • 'Garantir a solidez dos conhecimentos'

A principal exigência para o professor atender a esse princípio é a utilização com freqüência da recapitulação da matéria, da aplicação de exercícios de fixação e para alunos que apresentem dificuldades e sistematização dos conceitos básicos da matéria, a aplicação de tarefas individualizadas.

  • 'Levar à vinculação trabalho coletivo - particularidades individuais'

O professor, sem deixar de atentar para as características individuais de seus alunos, deve empenhar-se e organizar-se para atender o interesse coletivo.

Método de exposição pelo professor

Nesse método, a atividade dos alunos é receptiva, embora, não necessariamente passiva, cabendo ao professor a apresentação dos conhecimentos e habilidades, que podem ser expostos das seguintes formas:

• Exposição verbal - como não há relação direta do aluno com o material de estudo, o professor explica o assunto de modo sistematizado, estimulando nos alunos motivação para o assunto em questão.

• Demonstração – o professor utiliza instrumentos que possam representar fenômenos e processos, que podem ser, por exemplo: visitas técnicas, projeção de slides.

• Ilustração - são utilizadas pelo professor, tal como na demonstração, a apresentação de gráficos, seqüências históricas, mapas, gravuras, de forma que os alunos desenvolvam sua capacidade de concentração e de observação.

• Exemplificação - nesse processo, o professor faz uma leitura em voz alta, quando escreve ou fala uma palavra, para que o aluno observe e depois repita.

A finalidade é ensinar ao aluno o modo correto de realizar uma tarefa.

Método de trabalho independente

Esse método consiste na aplicação de tarefas para serem resolvidas de forma independente pelos alunos, porém dirigidas e orientadas pelo professor. A maior importância do trabalho independente é a atividade mental dos alunos, para que isso ocorra de forma adequada é necessário que: as tarefas sejam claras, compreensíveis e à altura dos conhecimentos e da capacidade de raciocínio dos alunos, tendo o professor que assegurar condições para que o trabalho seja realizado e acompanhar de perto a sua realização.

Método de elaboração conjunta

A forma mais típica desse método é a conversação didática, onde o professor através dos conhecimentos e experiências que possui, leva os alunos a se aproximar gradativamente da organização lógica dos conhecimentos e a dominar métodos de elaboração das idéias independentes.

A forma mais usual de aplicação da conversação didática é a pergunta, tanto do professor quanto dos alunos. Para que o método tenha validade e aplicabilidade é necessário que a preparação da pergunta seja feita com bastante cuidado, para que seja compreendida pelo aluno. Por isso, esse método é reconhecido como um excelente procedimento para promover a assimilação ativa dos conteúdos, suscitando a atividade mental, através da obtenção de respostas pensadas sobre a causa de determinados fenômenos, avaliação crítica de uma situação, busca de novos caminhos para soluções de problemas.

Método de trabalho em grupo

Esse método consiste, basicamente, em distribuir temas de estudo iguais ou diferentes a grupos fixos ou variáveis, compostos de três a cinco alunos, e que para serem bem sucedidos é fundamental que haja uma ligação orgânica entre a fase de preparação, a organização dos conteúdos (planejamento) e a comunicação dos seus resultados para a turma.

Entre as várias formas de organização de grupos, destacamos as seguintes:

• Debate - consiste em indicar alguns alunos para discutir um tema polêmico perante a turma.

• Philips 66 - para se conhecer de forma rápida o nível de conhecimento de uma classe sobre um determinado tema, o professor organiza seis grupos de seis alunos que discutirão a questão em poucos minutos (seis minutos) para apresentarem suas conclusões. Pode ser organizado também em cinco grupos de cinco alunos, ou ainda em dupla de alunos.

• Tempestade Mental - esse método é utilizado de forma a ser dado um tema, os alunos dizem o que lhes vem à cabeça, sem preocupação com censura. As idéias são anotadas no quadro-negro e finalmente só é selecionado o que for relevante para o prosseguimento da aula.

• Seminário - Um aluno ou um grupo de alunos prepara um tema para apresentá-lo à classe.

Atividades Especiais

São aquelas que complementam os métodos de ensino e que concorrem para a assimilação ativa dos conteúdos. Podemos citar como exemplo:

• Estudo do meio - é a interação do aluno com sua família, com seu trabalho, com sua cidade, região, país, através de visitas a locais determinados (órgãos públicos, museus, fábricas, fazendas, etc.). Todavia, o estudo não se restringe apenas a visitas, passeios, excursões, mas, principalmente, à compreensão dos problemas concretos do cotidiano, pois não é uma atividade meramente física e sim mental, para que, através dos conhecimentos e habilidades já adquiridos, o aluno volte à escola modificada e enriquecida, através de novos conhecimentos e experiências.

• Planejamento - O professor deve visitar o local antes e colher todas as informações necessárias para, depois, em sala de aula, junto com os alunos, planejar as questões a serem levantadas, os aspectos a serem observados e as perguntas a serem feitas ao pessoal do local a ser visitado.

• Execução - Com base nos objetivos do estudo e o tipo de atividade planejado e com a orientação do professor, os alunos vão tomando notas, conversando com as pessoas, perguntando sobre suas atividades, de modo que os objetivos planejados sejam atingidos adequadamente.

• Exploração dos resultados e avaliação - através da preparação de um relatório sobre as visitas, os alunos registrarão o que aconteceu, o que foi visto, o que aprenderam e que conclusões tiraram. Os resultados serão utilizados para a elaboração de provas, e para avaliar se os objetivos foram alcançados.

Piaget e o Construtivismo

Jean Piaget nasceu na Suíça em Neuchâtel, 1896 e morreu em 1980 na cidade de Genebra na Suíça. Biólogo de formação que estudou Filosofia (Teoria do Conhecimento, Bergson e outros temas), Psicologia por estar instigado com a possibilidade divina de criação das coisas, pois para ele a identificação de Deus à idéia de vida dá a Biologia a chave da explicação que muitos filósofos já procuravam: a explicação de todas as coisas; Para ele, então, a principal questão que a ciência da vida poderia resolver seria a questão epistemológica mais propriamente ligada a teoria do conhecimento.

Para Piaget a construção do conhecimento está ligado a desde cedo ao desenvolvimento de estruturas cognitivas sofisticadas, construídas pelo individuo para responder à questões ligadas a experiência (o indivíduo teria um “mapa mental interno” aonde arquivaria o conhecimento que fosse obtendo). O importante é que para ele o conhecimento é construído pela interação com o objeto a partir da tentativa consciente para entender o objeto, ou seja, antes mesmo de entender por completo o objeto, o individuo teria formado uma hipótese (um entedimento sobre o objeto) com a qual intermediária com a prática (a ação) sobre o objeto (isto é chamado de “práxico”, mistura de teórico com prático). Em outras palavras, pode se dizer que sua teoria resume-se em: a construção do conhecimento ocorre quando acontecem ações físicas ou mentais sobre objetos que, provocando o desequilíbrio, resultam em assimilação ou acomodação e assimilação dessas ações e, assim, em construção de esquemas.

Ele é crítico do Behaviorismo de Skinner que nos diz que o conhecimento só pode ser entendido através da percepção sensível (Empirismo) sem nenhum “Apriorismo” (Inatismo, cujos principais representantes foram Platão e Kant) ou Racionalismo (principal representante foi Descartes) sem primeiro ter a sensação pela experiência. O Empirismo indutivo seria para Skinner a única forma de conhecer. O empirista J. Locke em sua teoria da Tabula Rasa (ardósia em branco) esclarece melhor o que é o Empirismo: A nossa mente seria uma espécie de papel ou quadro em branco, sobre o qual seria gravado o conhecimento que seria obtido a partir das sensações. Para ele todas as pessoas nasceriam sem nenhuma informação (é contra o Inatismo ou Apriorismo). Mas Skinner é o representante mais radical (tenta demonstrar e seguir esta teoria a risca), pois para ele o individuo desde a infância seria estimulado pelo meio e responderia a este estímulo (estímulo e resposta). O individuo para ele seria passível ao objeto (sem nenhuma construção exagerada que ,por exemplo, Freud estabelecia) e sem nenhuma interferência da consciência humana, apenas o ser associaria os objetos e os fatos puros através das sensações que seriam totalmente exteriores ao individuo. As ciências humanas (algumas das correntes das ciências humanas) explicam que o individuo não é passível diante do objeto, pois o ser não tem como ser totalmente neutro porque ele está situado dentro de um contexto histórico que o influenciaria.

Princípios do Construtivismo presentes na escola

1) A Aprendizagem é uma constante procura do significado das coisas. A Aprendizagem deve pois começar pelos acontecimentos em que os alunos estão envolvidos e cujo significado procuram construir.

2) A construção do significado requer não só a compreensão da "globalidade" como das "partes" que a constituem. As "partes" devem ser compreendidas como integradas no "contexto" das "globalidades". O processo de aprendizagem deve portanto centrar-se nos "conceitos primários" e não nos "fatos isolados".

3) Para se poder ensinar bem é necessário conhecer os modelos mentais que os alunos utilizam na compreensão do mundo que os rodeia e os pressupostos que suportam esses modelos.

4) Aprender é construir o seu próprio significado e não o encontrar as "respostas certas" dadas por alguém.

Conceitos-chave

ESQUEMAS: São estruturas mentais pelas quais os indivíduos intelectualmente organizam o meio, elas se modificam com o desenvolvimento mental e tornam-se cada vez mais refinadas. Piaget utiliza-se de uma metáfora para explicá-las: é, pois, um arquivo de dados na nossa cabeça.

ASSIMILAÇÃO: É o processo de colocar novos eventos em esquemas existentes, ou seja, trata-se da incorporação de elementos exteriores (objetos, acontecimentos...). O mecanismo cognitivo em que o individuo capta o ambiente e o organiza, utilizando estruturas já existentes.

ACOMODAÇÃO: Consiste na modificação de um esquema em função das particularidades de um objeto a ser assimilado, podendo ocorrer de duas formas: 1.Criar um novo esquema no qual se encaixe o novo estímulo
2.Modificar um já existente de modo que o estímulo possa ser incluído

Após haver a acomodação, tenta-se novamente encaixar o estimulo em um esquema, resultando, então, na assimilação. O balanço entra a assimilação e a acomodação é chamado de adaptação.

O individuo constrói e reconstrói continuamente as estruturas, contudo, essas construções seguem um padrão que Piaget chama de estágios.

ESTÁGIOS: 1.Sensório-motor ( 0 a 2 anos) – começa a construir esquemas de ação para assimilar mentalmente o meio; o contato com o meio é direto, ou seja, sem representação e pensamento, a inteligência é prática.

2.Pré-operatório (2 a 7 anos) – ocorre a interiorização dos esquemas de ação construídos no estágio anterior; surge uma inteligência simbólica; a criança não aceita o acaso (fase dos “porquês”).

3.Operatório-concreto ( 7 a 11 anos) – não se limita a uma representação imediata, mas inda depende do mundo concreto para chegar à abstração.

4.Operatório-formal (12 anos em diante) – a representação agora permite a abstração total.

Portanto, o Construtivismo de Piaget consiste na continua construção e transformação do conhecimento, levando , conforme o amadurecimento do indivíduo, a tornar-se cada vez mais apto e preparado para a assimilação de novos estímulos, criando esquemas mais completos e genéricos. Para ele, o conhecimento consiste na organização e compreensão do meio ( dos objetos e dos acontecimentos), que muda e forma-se por toda a vida.

Paulo Freire e o método dialógico de ensino

O próprio ofício do educador, de acordo com as concepções contidas no livro “Pedagogia do oprimido”, deve ser exercido na interação com o educando sem que o conhecimento venha “de cima para baixo” ou “de fora para dentro”. Ao contrário, o conhecimento e o ensino se constroem num sistema de trocas onde educadores e educandos aprendem ao mesmo tempo enquanto dialogam e fazem reflexões críticas, comparações e relações com base nos conteúdos. Por isso esse método se chama “dialógico” – depende da interação. É dito: “Ninguém educa ninguém, ninguém se educa sozinho, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo”, e é uma frase que resume bem o papel da união entre os agentes da educação, e portanto da liberdade – é através da comunhão, do diálogo critico e libertador que um mundo melhor se torna possível. Para Paulo Freire, a revolução tem um grande caráter pedagógico em seu interior, do qual não pode ser separada. Isso faz com que educação dialógica e luta por um mundo sem opressão e menos violento andem juntas.

Essa concepção da educação, cujo papel na humanização (processo onde a humanidade é restituída àqueles indivíduos que tiveram sua própria condição humana negada, através da opressão que sofreram) é muito grande, vai contra o que Freire chama de “educação bancária”, onde o professor é aquele que detém o conhecimento, e o aluno é o ignorante que deverá ser preenchido com os “depósitos” de saber que o outro faz. Nessa forma de educação o professor estuda fora da aula, investigando objetos e os conhecendo para depois, na escola, fazer um mero relatório do que estudou. Assim, a relação entre educador e educando, no modo como é praticada hoje, se mostra dicotômica e contraditória na medida em que opõe em lados opostos os agentes que deveriam estar em conjunto e interação. A educação “bancária” precisa ser superada, pois não há educação baseada unicamente na autoridade que possa ser crítica. Nesse tipo de educação, se dá maior importância para a sonoridade e forma das palavras do que pelo conteúdo das palavras em si, procurando sempre fazer com que o saber seja facilmente lembrado. Ou seja: A memorização dos conteúdos substitui o entendimento e a criatividade necessários para se ter uma visão crítica de mundo. Isso faz com que o “aprendizado” do aluno seja puro arquivamento, e Freire fala que dessa maneira o próprio indivíduo é arquivado, pois sua ingenuidade é estimulada e ele acaba alienado - colocado junto às massas manipuladas e sem senso crítico. A educação “bancária” é a que interessa aos opressores, pois ensina a seus educandos a adaptação ao invés da crença na mudança. Quanto mais conformados os indivíduos forem, melhor para a manutenção do sistema.

A pedagogia do oprimido, ao contrário, prepara os indivíduos para pensarem e raciocinarem por si mesmos e em conjunto acerca do mundo que os cerca. Além dos conteúdos a sociedade também será problematizada nesse tipo de educação, e será assunto abordado e colocado freqüentemente em pauta. Quanto mais a discussão incitar o educando a pensar sobre seu papel social e a natureza da sua existência, mais ele se sentirá desafiado e responderá ao desafio. Fazendo relações entre essas reflexões ele estará estimulando sua capacidade crítica de perceber as coisas e portanto será cada vez menos alienado. Isso é uma ameaça à realidade injusta, pois indivíduos capazes de questionar não são de maneira nenhuma convenientes para os opressores. Por isso se dá que a pedagogia idealizada no livro é essencialmente ligada com a revolução, e tem um caráter desmistificador. É através dessa educação do diálogo que a condição do oprimido e as contradições das atitudes dos opressores serão colocados em xeque, fazendo com que os indivíduos se conscientizem e passem a ser agentes da história – não apenas expectadores.

Novos rumos para a educação – Ensino sem professores?

Ao contrário do que queria Paulo Freire, a educação “bancária” ainda predomina, e educar tem tido que ver especialmente com a memória.

A televisão foi recebida com euforia por alguns educadores, sobretudo aqueles que se responsabilizavam pela gestão da educação pública nos Estados Unidos na época. Aquela fantástica caixa eletrônica, capaz de trazer o mundo para a sala de visitas, poderia vir a se tornar a solução para muitos dos problemas fundamentais da Educação. O enorme alcance da TV resolveria a questão da universalização do ensino os professores - essa categoria considerada tão incômoda poderia, com tempo, ser dispensada. A imprecisão da linguagem oral até então dominante seria substituída por imagens objetivas, "verdadeiras", retrato “indiscutível” do real.

Dinâmicos e motivadores, todos os estudos seriam prazerosos a partir de então. Os mais otimistas chegavam a acreditar na possibilidade de homogeneização absoluta da educação, concretizando a pretensa igualdade de oportunidades, fundamento básico da ideologia liberal-burguesa. Pode parecer que hoje em dia, com o declínio dos programas educativos na televisão, este discurso esteja obsoleto – mas ele ainda hoje está presente quando se insiste no caráter "democrático" da Internet.

Essa crença desmesurada no poder das novas tecnologias apoiava-se na predominância de uma concepção de ensino como mera transmissão de informações, resultante de séculos de hegemonia da Educação Tradicional.

Ainda, essa crença pode ser agregada a noções Behavioristas – que apesar de toda crítica que sofreram, ainda sobrevivem, por exemplo, em muitos dos atuais softwares educativos, que possuem os mesmos mecanismos do ensino programado de Skinner. São infinitamente mais atraentes em termos plásticos do que os maçantes manuais do ensino programado, uma vez que vêm com todo um aparato visual e usam provavelmente de técnicas cognitivas baseadas na psicologia da Gestalt - mas sustentam-se na mesma concepção psicológica condutista, fundada no adestramento obtido através do condicionamento operante.

Não é possível, entretanto, cair no preconceito puro à tecnologia e simplesmente ser contra a tecnologia, uma vez que o aperfeiçoamento tecnológico do ensino é uma realidade e cada vez mais toma espaço nas salas de aula. O uso crescente de projetores, computadores e afins possibilita a inserção do ensino em um universo midiático e tecnológico, e a própria internet, com seu dito caráter “democrático”, fez possível a existência do ensino à distância numa escala de alcance nunca antes imaginada. A questão não é negar a tecnologia, o que parece ser impossível, mas se perguntar: “Quanto disso é benéfico, se não regulado por uma teoria adequada que possibilite um ensino crítico?” Se o ensino bancário contra o qual lutava P. Freire ainda domina, e a educação não tem um caráter crítico e dialógico, então o que irá impedir as máquinas de serem as responsáveis pela educação, com seus softwares condutivos? Se o objetivo da educação é simplesmente depositar conhecimento nos indivíduos, e é desejável que o ensino seja homogêneo e universal para todos, sem respeitar a diversidade cultural e as diferentes realidades de cada lugar, então na verdade o ofício de educador não é realmente necessário – uma máquina pode fazer esse depósito, e na própria casa do “aluno” pela internet.

Assim, talvez a educação para o pensar e criticar, não para o decorar, seja também a única escapatória dos educadores e da sua profissão. Devemos lembrar que o ofício do educador é construído historicamente, não é um elemento fixo na sociedade ou impossível de ser eliminado – tudo depende do momento. É possível que objetos ou pessoas virtuais, feitas de bits, tomem as rédeas da educação e coloquem a ação humana progressivamente para a periferia, até ser eliminada. Se isso irá ocorrer ou não, depende de que rumos e objetivos serão atribuídos à prática de ensinar e aprender.

Surgimento do Método Tradicional de Ensino

A primeira instituição a começar a prática de ensino foi a igreja católica. Seu método de ensino é o teológico, ou seja, um ensino aos moldes da religião católica, fazendo os seus alunos seguir os seus costumes , moldando-os da maneira que ela necessitava para garantir a supremacia da igreja católica.

Quem nunca ouviu falar dos jesuítas que espalharam a sua educação pelo mundo.O próprio Brasil é um bom exemplo disso, pois na época da educação os jesuítas vieram para o país para catequizar os brasileiros, os quais os primeiros foram os índios.Os jesuítas tinham tanta influência e importância na educação brasileira que quando eles foram expulsos do pais, durante as revoluções pombalinas(Marquês de Pombal), a educação teve um “hiato, ou seja uma separação, um período de pausa na tamanha que era a influencia da educação jesuíta no país.

Podemos dizer que o modelo da escola tradicional segue os mesmos moldes da religião católica, pois não deixa o aluno pensar por conta própria , introduzem o conhecimento no aluno e fazem eles pensarem do modo que eles querem e necessitam.Como dizia Paulo Freire o modelo tradicional é um modelo de educação bancária onde o professor chega e deposita o conhecimento nos alunos, como se o cérebro deles fossem grandes arquivos.

Modelo da Escola Tradicional

Este modelo possui um pouquinho da primeira educação que surgiu a católica que inspirou organizações militares e fabris, e essa educação desenvolveu-se ao longo do século XIX, e ainda hoje subsiste em muitas organizações escolares, sobretudo ao nível das práticas quotidianas. 

'Tipo de Gestão'. A importância atribuída é ordem externa e a disciplina normativa são dois aspectos que caracteriza o modelo organizativo desta escola. Possui poucas e claras estruturas organizativas, sendo estas de tipo linear, verticais e normativas. A autoridade não se questiona, nem se discutem as decisões. O protótipo de gestor destas escolas identifica-se com o burocrata autoritário, cuja principal preocupação é o controle da aplicação dos programas e ordens emanadas do Estado.

'Relação Professor-Aluno.' Trata-se de um modelo que centra as suas preocupações na vontade dos alunos, na memória destes para reter ordens, normas recomendações, mas também na disciplina, obediência e no espírito de trabalho. A instrução tende a ser magistral e a cultura transmite-se  compulsivamente. A relação é de superior-adulto que ensina a inferior-aluno que aprende mediante a instrução, e em clima de forte disciplina, ordem, silêncio, atenção e obediência em relação aos valores vigentes. Os programas são centralizados.

'Curriculum.' O saber aparece sob a forma de unidades isoladas de estudo. É um saber enciclopédico que se atomiza segundo as capacidades cognitivas dos alunos, sempre no quadro duma inteligência definida de modo muito limitado.  O curriculum está totalmente centralizado, cuja concepção e administração competem á administração central. Os professores têm pouca capacidade de variação dos conteúdos programáticos. O controlo é feito através de exames nacionais, e por um conjunto de provas de seleção entre os diferentes níveis de ensino.

'Processo Didático.' Preconizam-se os métodos dedutivos de ensino-aprendizagem, o aluno recorre o caminho de aprendizagem do abstrato para o concreto, do geral para o particular, do remoto para o próximo. Ora como nunca há tempo par concluir os programas, o aluno fica sempre numa fase abstrata, sem qualquer ligação com a sua vida, conforme escreve Manuel Alvarez Fernandez. A preocupação central do professor concentra-se na memorização e a repetição dos conceitos.

'Materiais Didáticos.' O modelo está centrado nos livros de texto repletos de conteúdos informativos e conceptuais, fragmentados de forma a serem mais facilmente memorizados. Avaliação dos alunos. O controlo da aprendizagem realiza-se unicamente mediante exames, que refletem a capacidade retentiva e acumuladora dos alunos.   

Portanto o modelo da escola tradicional segue o modelo das educações que a criou. Um modelo que não deixa o aluno pensar e da maneira que acha Que é a correta que muitas vezes não é.Essa educação é manipuladora e controladora que não admite a pluralidade de opiniões.A Educação que queremos é uma educação participativa e que principalmente deixe o aluno pensar , para que ele próprio possa achar o sua forma de aprender, o que não impede que o professor auxilie ele nessa descoberta, mas na verdade esse é o verdadeiro papel do professor ajudar o aluno a achar a sua forma de aprender e isso se trata de nada mais nada menos da melhor forma de ensinar.

RFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AZENHA, Maria da Graça. 'Construtivismo: De Piaget a Emilia Ferreiro' (São Paulo: Ática, 1995). LIBÂNEO, Jose Carlos. 'Didática.' (São Paulo: Cortez, 1994) FREIRE, Paulo. 'Pedagogia do Oprimido.' 28 ed. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1987. (Col. O Mundo, Hoje). V. 21. 184 p.