Métodos de Ensino na Área de Letras

De Psicologia da Educação

Tabela de conteúdo

Introdução

O sistema de ensino brasileiro necessita de ampla reformulação. Nós, enquanto estudantes de licenciatura, devemos atentar para a crise do ensino e buscar os motivos que fizeram com que o Brasil chegasse a esse ponto. Mais do que isso, é preciso que tenhamos a iniciativa de mudar a partir de dentro da sala de aula, sem esperar pelas autoridades governamentais. Uma mudança drástica só será possível, claro está, com o empenho e colaboração da sociedade como um todo, mas os professores podem – e devem- começar alguma mudança imediatamente. Esse início é justamente o desafio para muitos professores que estão sendo preparados para a licenciatura.

No presente trabalho procuramos refletir sobre alguns pontos importantes acerca do ensino na área de letras, sobretudo literatura e língua estrangeira, a fim de elaborar algumas propostas que poderiam auxiliar na melhora da abordagem das referidas disciplinas dentro da sala de aula. O objetivo central é aproximar o aluno dos conteúdos de forma lúdica e assim fazer com que ele se sinta agente participativo em seu processo de aprendizagem.

PESQUISA COM ALUNOS E PROFESSORES SOBRE OS MÉTODOS DE ENSINO

Visitamos o colégio de Ensino Fundamental e Médio Dumont para falarmos com os professores e alunos a respeito dos métodos de ensino aplicados pelos professores de Português, Literatura e Língua Estrangeira.

Escolhemos fazer a nossa pesquisa com o Ensino Médio devido ao fato do Ensino Fundamental não possuir a disciplina de Literatura. Optamos então por uma turma de 3º ano, pois seus alunos possuem uma vida escolar mais longa e, teoricamente, um caráter mais crítico que as demais.

Começamos falando com os alunos sobre os métodos da professora de Português, os quais eles disseram serem eficientes, porque a professora, na maioria das vezes, trabalha com textos próximos as suas realidades, como textos jornalísticos. Nós lhes perguntamos se a professora trabalhava com frases soltas, fora de um contexto (o que normalmente é feito) e eles nos afirmaram que sim, porém alegaram que esse tipo de exercício era praticado esporadicamente e apenas quando era trabalhada a sintaxe. Segundo a professora, a participação e a compreensão dos alunos em sala de aula é consideravelmente maior nas aulas em que os temas abordados foram discutidos pela mídia:

“Procuro texto em que o assunto esteja em voga, porque, assim, os alunos costumam ter, pelo menos, algum contato prévio, mesmo que mínimo, a respeito do tema. Dessa maneira, os meus alunos se reconhecem como pessoas portadoras do conhecimento, logo, participam mais ativamente das minhas aulas”.

Pudemos perceber um método diferente do tradicional de lecionar Português e o consideramos próximo ao ideal. Não aprovamos somente os exercícios de sintaxe, realizados com as frases isoladas de contexto. Se esses exercícios fossem feitos com as frases dos textos discutidos, seria mais produtivo, pois, em toda comunicação humana bem sucedida, os falantes compartilham um contexto.

Após isso, discutimos os métodos da professora de Literatura que, infelizmente, não compareceu à escola naquele dia. Desse modo, ouvimos somente os alunos:

“Nós copiamos alguma coisa que ela escreve no quadro e fazemos alguns exercícios do livro didático. (...)Nós só lemos na aula de Português”.

Pedimos para ver os cadernos deles, uma vez que a professora não estava presente para explicar com mais clareza os métodos que ela adota. Verificamos que eles estavam estudando a Semana de Arte Moderna e, em média, os alunos tinham de quatro a cinco páginas escritas sobre esse conteúdo.

Consideramos o método da professora ineficaz, posto que não coloca o estudante em contato direto com a obra literária (que é a principal função desta disciplina), o que implica o não desenvolvimento do senso crítico do estudante e tampouco cria um novo leitor.

Fechamos nossa entrevista falando sobre os métodos da professora de Língua Inglesa. Os alunos declararam que a professora explica como são conjugados os verbos em sentenças afirmativas, negativas e interrogativas. Após a explicação, eles fazem exercícios de preencher lacunas:

“Eu acho estranho que nós não falamos, nem traduzimos as frases. Ela também não pede para nós trazermos dicionários para a aula”, afirmou a única aluna que faz curso de Inglês fora da escola.

Ao falarmos com a professora de Inglês, ela disse que trabalhava com leitura e interpretação de textos que retratam a cultura dos povos falantes de língua inglesa e, se às vezes trabalha de outro modo é porque os alunos “não têm capacidade” de ler as atividades propostas por ela.

Notamos que a justificativa dada pela professora não é suficiente para trabalhar apenas exercícios de preencher lacunas, pois, se os alunos não têm o conhecimento que ela esperava, poderiam ser feitas atividades em que os estudantes fossem, aos poucos, entrando em contato com língua por meio da leitura e comunicação oral, para que, gradativamente, eles começassem a entender o idioma ao invés de supor que eles nunca entenderão.

LITERATURA COMO LIBERTAÇÃO

“Nas condições de verdadeira aprendizagem os educandos vão se transformando em reais sujeitos da construção e da reconstrução do saber ensinado, ao lado do educador, igualmente sujeito do processo." FREIRE (1996, p. 26)

Para refletirmos sobre as metodologias empregadas em sala de aula para o ensino de literatura e a não adesão da grande maioria dos alunos, recorremos aos ensinamentos de Paulo Freire. Em seu “Pedagogia da Autonomia” ele tematiza diversas “posturas” que o professor deve tomar frente à educação como um todo, frente aos conteúdos que devem ser apresentados e, principalmente, frente a seus educandos. Enfatizando o caráter político que possui a educação, Freire coloca – lado a lado – alunos e professores como protagonistas da situação social atual. Conclama a nós educadores a consciente de que não devemos ser meros reprodutores de conteúdos pré-estabelecidos, mas sim multiplicadores de um conhecimento que faça real sentido na vida do aluno.

Ao escolhermos a literatura de cordel como alternativa para uma aula de literatura, tínhamos em mente um dos principais bloqueios observados nos alunos em relação à leitura no ensino médio: a falta de compreensão e identificação linguística com os autores apresentados pelo professor. Com uma linguagem geralmente erudita, de tempos distantes e falando de realidades que não são a mesma dos alunos, dificilmente determinados livros vão interessar aos alunos. Não estamos aqui defendendo o não aprendizado a certa de determinados autores. Porém, achamos que os professores de literatura devem esforçar-se ao máximo para fazer com que estas obras aproximem-se da cultura de cada aluno, afim de ampliar-lhes a compreensão e fazer com que eles sintam-se capazes de adentrar em outros “mundos” e interagir com os saberes apreendidos. Devemos recorrer a formas mais simples ou introdutórias antes de lançar, por exemplo, os alunos recém vindos do ensino fundamental e, muitas vezes, sem uma prática real de leitura, ao estudo da obra de “Os Lusíadas”. Porque não começar a apresentar definições técnicas de literatura através de textos de caráter popular, como a poesia dos trovadores sul-riograndenses ou a já referida literatura de cordel?

Outro ponto também observado pelo nosso grupo e que também encontrou resposta nos escritos de Paulo Freire é quanto a importância/relevância daquilo que esta sendo ensinado para o aluno.

“A leitura me compromete de imediato com o texto que a mim se dá e a que me dou e de cuja compreensão fundamental me vou tornando também sujeito.” FREIRE (1996, p. 27)

Devemos enfatizar sempre a importância, por exemplo, de se conhecer outras variações linguísticas, afim de podermos nos comunicarmos e sermos compreendidos em diferentes locais e meios; ou de compreendermos mesmo a linguagem em que são redigidas às leis que regem a sociedade em que vivemos. A importância de entendermos o contexto sócio-cultural em que estão inseridas determinadas obras, afim de que o ensino de literatura proporcione uma leitura crítica e clara da realidade em que este aluno esta inserido. Não basta apenas mostrar o forma técnica com que Castro Alves escreveu “Navio Negreiro”, deve-se fazer com que o aluno compreenda o contexto de opressão em que viviam aqueles escravos cantados pelo poeta e que os acontecimentos daquela época influenciaram e influenciam profundamente os acontecimentos atuais: as lutas deste povo por um espaço igualitário em nossa sociedade, o preconceito ainda vigente em nosso meio...

Por fim, gostaríamos de elucidar a importância de nunca perdermos o amor pela profissão que escolhemos; de nunca esquecermos da responsabilidade que temos em relação aos nossos alunos e, que devemos sempre preparar nossas aulas com alegria e entusiasmo, afim de transmitirmos também a nossos educandos a beleza e importância do que estamos ensinando e para o que estamos ensinando:

“O meu envolvimento com a prática educativa, sabidamente política, moral, jamais deixou de ser feito com alegria, o que não significa dizer que tenha invariavelmente podido criá-la nos educandos. Mas, preocupado com ela, enquanto clima ou atmosfera do espaço pedagógico, nunca deixei de estar.” FREIRE (1996, p. 72)

LITERATURA ORAL

“Essa é a Literatura Oral que, quando se escreve, é como registro folclórico. Registro que não impede a continuação da sua vida sob aquela forma que lhe é própria, e na qual sofre as transformações que os homens e os tempos lhe vão imprimindo, sem a corromperem” (MEIRELES, Cecília, Problemas da Literatura Infantil)

A escolha do grupo pelo tema foi baseada em um afastamento que parece não ter fim no que diz respeito ao ensino da disciplina de Literatura no ensino médio. Nossa própria experiência escolar nos fortaleceu na escolha por pesquisar essa temática. Por que uma disciplina tão rica e representante de “vozes” se distancia de quem a fomenta? Pretendemos ao longo dessa parte de nosso trabalho refletir sobre essa pergunta e buscar uma possível sugestão para modificação desse quadro.

Neste semestre tivemos em nosso curso a disciplina de Teoria da Literatura na qual foi abordada a temática do cânone literário. Este é o termo dado à denominação de um livro consagrado pelos críticos literatos. Através desse status uma obra se torna amplamente difundida e muitas vezes imposta aos alunos, sem lhes dar autonomia para escolher tipos de livros que lhes dêm prazer. Fokkema(2006) traz em seu livro, Conhecimento e Compromisso:

“Não se pode considerar o debate do cânone totalmente à parte de questões mais amplas, tais como a situação problemática da literatura no currículo escolar, a suspeita de que a perda de competência de leitura está iminente, agora que entramos na era da televisão, do vídeo e do computador, ou o fato de que as mudanças demográficas levarão para escola jovens de família sem tradição de leitura e/ou sem muita afinidade com a cultura do Atlântico Norte”.

Temos com essa citação uma evidência de que a Literatura não está sendo uma “concorrente” forte para a televisão. Aqui, não pretendemos focar a problemática do excesso de assistir a mídia televisiva, algo comum aos jovens, mas, mostrar a magia que a Literatura pode despertar no aluno e que, no entanto, está sendo deixada de lado perante a globalização. A Literatura é ensinada de maneira compacta ao aluno, pronta, sem ser discutida, não é perguntado ao aluno o conhecimento de leitor que ele possui. São impostas a ele obras de temáticas às vezes profundas e com uma linguagem demasiadamente erudita. Encontram-se casos em que nem a opinião do aluno sobre um livro é respeitada, cabendo a ele “raciocinar” igual à resposta encontrada em seu livro didático. Certamente esse ensino não será bem sucedido. A leitura acaba assumindo um patamar que a distancia de leitores jovens, que acabam lendo por obrigação. Ao professor cabe se lamentar pela falta de leitura de seus alunos. Não acreditamos que a situação deva continuar desta maneira, exigindo, pois, modificação imediata, uma vez que também compete à Literatura formar idealizadores de uma sociedade mais igualitária.

Sugerimos uma abordagem inicial que valoriza o conhecimento da fala do aluno. A Literatura Oral comporta esses relatos de vivência orais que foram os formadores dos grandes clássicos gregos e de grandes obras consagradas mundialmente. Um trabalho com a criatividade do aluno permitirá que ele reconheça nas histórias criadas e na oralidade a necessidade de buscar a magia e a fantasia. Salientamos que estes elementos também estão presentes na “Literatura Erudita”, logo, a oralidade e a escrita não são pólos tão opostos como muitos pensam. Essas semelhanças que também iremos trabalhar neste trabalho servirão de confirmação para validação de que negar o conhecimento que a oralidade traz é um erro e que se esta for bem trabalhada pode servir de grande aliada à aproximação do aluno aos clássicos. Câmara Cascudo (2006) confirma nossa reflexão sobre as duas literaturas andarem juntas:

“Mas a Literatura Oral interessou vivamente as pesquisas para as origens da novelísta. As grandes Universidades nos Estados Unidos incluíram a Literatura Oral nas suas cátedras, no estudo de idiomas, antropologia, literatura comparada ou música, em Berkeley, Colúmbia, Harvard, Indiana, (...)”.

Acreditamos que uma sugestão de aula exemplificaria nossa pesquisa. Abaixo se encontra um modelo de aula a ser trabalhado.

Proposta de aula: Literatura de Cordel

Um contexto histórico seria primordial para compreensão dos alunos. Este gênero oral tem sua origem na Espanha e Portugal, livretos eram colocados sobre barbantes (cordéis) estendidos em feiras e lugares públicos como roupa em varal. Ela é impressa e pode ser cantada por violeiros, trovadores ou cantores. Importante salientar o papel do CTG (Centro de Tradição Gaúcha) de nosso estado, guardador de nossa cultura. Questionar se o aluno tem conhecimento de algum trovador gaúcho, e mostrar algumas trovas produzidas por nossos conterrâneos, depois da exposição de cordéis nordestinos. Mostrar que as trovas geralmente são formadas por quatro versos. E demonstrar através de dados as pesquisas que comprovam sobre o Brasil ser o maior produtor de poesia popular mundial.

O professor poderia estar caracterizado (como fizemos em nossa apresentação). Acreditamos que o esforço para uma aula diferente corrobora para despertar o interesse do aluno, oportunizando uma série de questionamentos que podem se tornar grandes questões para serem debatidas. Doralice Alcoforado (2007), respalda o dinamismo importante do texto oral:

“O texto poético oral não se restringe a um contexto enunciativo exclusivamente verbal. Aspectos translingüísticos, específicos do discurso oral, associam-se à voz para lhe dar mais concretude, como os gestos, a dicção entonacional, as pausas, a mímica facial, os movimentos do corpo, até mesmo o estímulo da platéia, que não reduzem a oralidade à ação exclusiva da voz”.

O Cordel, Americanalhando declamado em aula seria um bom exemplo para ser trabalhado. Nele, temos a crítica social em que não expõe somente relatos fantasiosos, mas o quotidiano que estão presentes nessa Literatura. Por fim, para um trabalho de resgate de geração se apresentaria uma proposta. Com um relato retirado de antigos moradores de Florianópolis do livro, Vozes da Lagoa, os alunos teriam de buscar descrições de seus avós elaborar uma trova e declamar para os colegas. Seria apresentada a história:

Lança Perfume ( Damião- Sertão Grande)

“Carnaval era bom.

A orquestra vinha da cidade.

Tinha até lança perfume, mas naquele tempo não fazia mal, não.

O cheirinho era tão gostoso, o olho ardia...

Tinha confete, serpentina...

Era baile de carnaval completo.

Os bailes eram na casa do João Sobrinho, naquele

Sobrado bem no alto do morro”.

A finalidade seria valorizar o conhecimento das pessoas mais velhas e trabalhar com um viés da cultura oral através do resgate histórico.

Acreditamos que o esforço por parte do professor em aproximar o aluno da disciplina de Literatura pode render bons resultados, principalmente no que concerne a formação de uma classe de bons leitores e indagadores.

LÍNGUA ESTRANGEIRA

Não é mais novidade que saber uma segunda língua é de extrema importância para a qualificação profissional dentro do mundo globalizado no qual vivemos. No entanto, a educação brasileira, no que diz respeito também ao ensino de línguas estrangeiras, parece estar negando mais essa oportunidade ao estudante.

Em escolas públicas e privadas o tempo destinado à língua estrangeira é escasso e mal aproveitado. Para muitos dos alunos da rede pública resta a conformação com a língua estrangeira como mais um período de aula sem muita coerência e produtividade. Para muitos alunos da escola particular, os cursos oferecidos fora da escola e até mesmo viagens para o exterior, são os métodos encontrados para suprir deficiências de uma tarefa que, uma vez proposta e oferecida, deveria ser bem desenvolvida dentro da escola.

O que falta é uma preparação adequada nas universidades que formam os professores de línguas. Não há uma ligação entre o que se aprende sobre a gramática da língua estrangeira e seus processos de funcionamento com uma metodologia para ensinar isso aos alunos. Assim, não há uma preparação efetiva para a docência. O futuro professor só se depara com o “problema” de como ensinar em suas práticas docentes, feitas ao final do curso, o que nos parece uma experiência muito tardia. Assim, os professores iniciantes necessitam elaborar uma metodologia própria, algo que para funcionar de fato demora algum tempo.

Além da lacuna na educação do educador, mas intimamente ligado a ele, está a abordagem do conteúdo em sala de aula. O aprendizado de língua estrangeira deveria ser uma porta que se abre para a diversidade e para o seu entendimento por parte dos estudantes. A cultura do Brasil, ou melhor, as culturas do Brasil, são em muitos casos diferentes das de outros países. Nós reagimos de maneira diferente a certas situações. Mostrar uma cultura diversa, ambientando o aluno no pensamento de um povo diferente, é a chance de instigar o aluno a questionar-se a respeito de uma série de questões de ordem social, política, histórica e psicológica.

Não existem métodos mirabolantes, mas o diferente nos atrai tanto que apenas trabalhar a língua como mais uma manifestação cultural através de músicas e filmes e de atividades que transportem o aluno para o país onde se fala a língua a qual está aprendendo, já é uma excelente abordagem de conteúdo. Fazer com que o aluno se sinta participante em sala de aula e conhecedor de “coisas diferentes” é o trunfo que o professor precisa para ensinar aqueles conteúdos que desfrutam de pouco prestígio entre os estudantes. As atividades lúdicas, portanto são a melhor metodologia que se pode empregar, não só em língua estrangeira, mas também em outras disciplinas. É uma forma de aproximar o aluno do conteúdo abordado.

“Todo professor tem grandes responsabilidades na renovação das práticas escolares e, conseqüentemente, na mudança que a sociedade espera da escola, na medida em que é ele que faz surgir novas modalidades educativas visando novas finalidades de formação, só atingíveis através dele próprio. Assim, o professor é o responsável pela melhoria da qualidade do processo de ensino-aprendizagem, cabendo a ele desenvolver novas práticas didáticas que permitam aos discentes um maior aprendizado”.

“As atividades lúdicas têm o poder sobre a criança de facilitar tanto o progresso de sua personalidade integral, como o progresso de cada uma de suas funções psicológicas intelectuais e morais. Ademais, a ludicidade não influencia apenas as crianças, ela também traz vários benefícios aos adultos, os quais adoram aprender algo ao mesmo tempo em que se distraem”. Ana Raphaella Shemany Carolino de Abreu Nunes

O lúdico na aquisição da segunda língua

Uniandrade (Curitiba-PR).

"O professor precisa, necessariamente, possuir conhecimentos de índole didática, embora filtrados pela prática, isto é, ele deve ser capaz de refletir sobre esses conhecimentos didáticos, elucidado pela avaliação das suas próprias práticas". ANDRADE e SÁ (1992, p. 28)

"É importante mencionar a língua escrita como a aquisição de um sistema simbólico de representação da realidade. Também contribui para esse processo o desenvolvimento dos gestos, dos desenhos e do brinquedo simbólico, pois essas são também atividades de caráter representativo, isto é, utilizam-se de signos para representar significados". VYGOTSKY (1994, p. 101)

"A aprendizagem e o desenvolvimento estão estritamente relacionados, sendo que as crianças se inter-relacionam com o meio objetal e social, internalizando o conhecimento advindo de um processo de construção”. VYGOTSKY (1994, p. 103)

Propostas de aula: espanhol como Língua estrangeira

Tendo em vista o crescente espaço que vem ganhando a língua espanhola dentro da sociedade brasileira, faz-se necessário que as escolas acompanhem esse progresso e aproveitem-no. A cultura hispânica e hispano-americana é extremamente rica e essa riqueza pode contribuir para a variedade de atividades propostas em sala de aula.

1)Mostrar vídeos das touradas espanholas e propor uma discussão em grupo (em espanhol) acerca do tema DIVERSIDADE CULTURAL.

2)Propor que cada aluno pesquise um assunto que lhe interesse sobre cultura espanhola e hispano-americana e exponha aos colegas, propondo também a discussão em grupo.

3)Utilizar jogos que trabalhem com imagens e interação entre os integrantes.

Ex: ao trabalhar com os nomes de alimentos, é possível improvisar uma feira livre onde o feirante tem as figuras dos alimentos e os compradores os seus nomes. O aluno que for o comprador vai até a banca do aluno feirante e os dois estabelecem um diálogo de compra e venda. Os alunos precisam, além de articular a sintaxe conversacional, identificar a imagem aos respectivos nomes.

4)Mostrar filmes e músicas com certo tom polêmico é uma maneira de atrair os mais rebeldes para a língua estrangeira como algo atual. Sugerimos aqui o filme “Pantaleón y las visitadoras”( cuidando, é claro, com a idade dos alunos) e a música “Ya no sé qué hacer conmigo” do grupo “El cuarteto de nos”.

5)Apresentar a literatura de língua espanhola como uma proposta de interdisciplinaridade e alternativa para os alunos que não gostam de literatura brasileira (muito pelos problemas aqui já referidos).

6)Trazer para a aula recursos que ilustrem a temática do dia é bastante importante.

Ex: o professor pode apresentar os diferentes gêneros musicais da cultura de língua espanhola: flamenco, mambo, salsa, rumba, mariachi...exemplificando-os com elementos que os identifiquem tais como as castanholas. A abordagem musical é um tema que interessa bastante às pessoas, mostrando-se como uma excelente oportunidade de apresentação de uma língua estrangeira.


7)Falar também sobre as principais capitais e seus atrativos turísticos é também uma fora de ambientar o aluno na língua estrangeira e também instigá-lo a saber mais sobre a cultura do lugar onde se fala essa língua.

8)O mais importante é que o professor faça com que o aluno enxergue alguma utilidade naquilo que está aprendendo. A conversação é o “feed back” desse aprendizado, sendo, portanto, elemento indispensável numa aula de língua estrangeira. Quando o aluno perceber a evolução de sua capacidade comunicativa ficará ainda mais curioso e motivado.

Conclusões

Durante a elaboração da apresentação oral e desse trabalho, o grupo muito discutiu sobre a condição do professor na sociedade brasileira atual. Mesmo sabendo de todas as dificuldades pelas quais passam muitos desses profissionais, acreditamos que são eles que podem começar a mudança em nosso sistema de ensino, pois é ele o que mais tem contato, dentro da escola, com os principais (des)beneficiados pela educação: os alunos. Sendo assim, pensamos que investir numa mudança por meio das próprias aulas, é a ferramenta que está ao alcance e à disposição do educador para reverter o problema da educação no Brasil, isto é, promover uma educação de qualidade aos alunos e também recuperar o respeito que a profissão exige e que hoje está carente. Se os professores já em atividade estão desiludidos, cabe à geração que está ainda em processo de formação (a nossa) a tomada de fôlego para uma tarefa que não é fácil, e, se continuarmos assim tão descrentes, impossível.

Bibliografia

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ANDRADE, Ana Isabel O. e SÁ, Maria Helena A. B. A. Didáctica da língua estrangeira. Porto: Asa, 1992.

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MEIRELES, Cecília, Problemas da Literatura Infantil, Câmara Brasileira do Livro, SP: 1979

SALES, Allan, Americanalhando, Editora Coqueiro, Recife: 2008

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BORGES, Elaine e SCHAEFER, Bebel Orofino, Vozes da Lagoa, Fundação Banco do Brasil, Florianópolis: 1995.

LEITE, Eudes Fernando e FERNANDES, Frederico, Oralidade e Literatura 3: outras veredas da voz, Eduel, 2007.

FOKKEMA, Douwe, Conhecimento e Compromisso,: uma abordagem voltada aos problemas dos estados literários, Editora da UFRGS, 2006.

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MELLO, Ana Maria Lisboa de., A literatura oral na sala de aula: lendas do Brasil, Lisboa: Embaixada do Brasil, 1999.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

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