Relação professor-aluno **

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O desejo de aprender - Freud e a educação


O estudo de Freud acerca da educação parte de uma especulação sobre o desejo de aprender, o desejo de absorver conhecimento, expresso pela criança através das inúmeras perguntas que esta dirige aos pais. Entre as várias interrogações feitas pelas crianças estão questões sobre a origem do ser humano, sua concepção (de onde viemos?), e sobre o que ocorre conosco no momento da morte (para onde vamos?). De acordo com Freud, a criança vem a expressar as duas dúvidas que assolam o ser humano durante toda sua existência.


A dúvida que nasce na criança em seu contato direto com o mundo vem a criar uma certa irritabilidade, uma ânsia por respostas tranqüilizadoras, tensões direcionadas naquilo que Freud chama “pulsão de morte”. A criança torna-se impaciente, irritada pela falta de respostas e assim inicia seu percurso em busca de respostas. Freud associa o desejo de absorver conhecimento aos impulsos do inconsciente chamados de “pulsão de morte”. Conhecimento, compreensão implica sempre no domínio, se possível completo, de um determinado fato no mundo; e para se conseguir tal domínio é necessário empregar força sobre esse objeto de especulação. No livro Freud e a educação essa relação está ilustrada pelo poema de Machado de Assis intitulado A mosca azul, o qual narra a atividade de um cientista ao tentar compreender os mecanismos de vôo de uma mosca e que para compreendê-lo acaba por matar a mosca. Tem-se aí um exemplo bem claro da aplicação da pulsão de morte por parte do cientista sobre seu objeto de estudo.


A mesma analogia que KUPFER faz com o poema de Machado, poderíamos fazer com o que é corrente em sala de aula. O aluno, que então toma o papel do cientista, instigado a obter conhecimentos acaba colocando sua energia de destruição (pulsão de morte) sobre o professor, que não deixa de ser seu principal objeto de estudos, sua fonte de conhecimento.


Na linha de pensamento de Freud, podemos considerar ainda a “pulsão de saber”, que deriva da sublimação da pulsão de ver associada à pulsão de domínio. A pulsão de ver, ou visual, tem sua origem na imagem que o sujeito cria sobre a relação sexual entre seus pais, a sua origem. Na associação com a pulsão de domínio, a pulsão de ver, sublimada, transforma-se em curiosidade, que é dirigida a objetos de modo geral, como os livros, daí o prazer da leitura, e os outros prazeres da intelectualidade, como o da pesquisa, da observação da natureza e o prazer de viajar e conhecer lugares e pessoas novas, por exemplo. Dessa forma, Freud associa a curiosidade intelectual diretamente à curiosidade sexual (à imagem fantasiada da cena primária).


Mas para que o aprendizado se realize é necessária uma relação com outro sujeito ou objeto. No caso do sujeito, um professor; do objeto, um livro ou até mesmo uma figura imaginária. E para o autor o que realmente vai pesar na aprendizagem será a relação professor-aluno. Os conteúdos ensinados não são o quê vão prender o aluno, mas a qualidade desta relação e sua intensidade, os afetos envolvidos. Os professores ocuparão o lugar dos pais para a criança no âmbito da educação, e dessa forma todos aqueles sentimentos envolvidos no complexo de Édipo serão direcionados aos educadores. E esse fenômeno ou campo entre o professor e o aluno vai se chamar transferência.


Poder e desejo: a transferência na relação professor-aluno


O conceito clássico de transferência para Freud significa “repetição de protótipos infantis vivida com uma sensação de atualidade acentuada.” Isto é, transferem-se as experiências vividas na infância com os pais para os sujeitos com os quais nos relacionamos depois. Assim, um professor pode tornar-se a figura a quem serão endereçados (transferidos) os interesses de seu aluno por que é objeto de uma transferência. E o que se transfere são as experiências vividas primitivamente com os pais, tanto boas quanto ruins. Uma vez que a transferência inicie, o professor torna-se depositário dos desejos e projeções do aluno.


Como a transferência é um fenômeno inconsciente, os conteúdos trazidos pelo professor para o aluno deixam de objetivos e passam pela lente de certa forma distorcida do aluno, já que o professor para ele ocupa uma posição inconsciente que lhe remete à relação com seus pais na infância. Dessa forma a palavra do professor adquire poder e passa a ser escutada pelo aluno. O desejo do aluno transfere sentido e poder à figura do professor, que funciona como um mero suporte esvaziado de seu sentido próprio enquanto pessoa. Assim, dificilmente o professor saberá o que o aluno está transferindo ou projetando nele. Até por que o aluno também não quer que ele o saiba, e na maior parte das vezes nem ele o sabe, por que este desejo, estes conteúdos da transferência são inconscientes. O que o aluno quer é que o professor funcione com um “suporte” para ele.


O professor no lugar da transferência


Neste lugar que o aluno o coloca, o professor adquire poder. E este poder pode facilmente ser usado para subjugar o aluno, impondo-lhe seus próprios valores e idéias, funcionando como um regulador, um “normatizador”, coibindo a capacidade de pensar do aluno.


A morte do professor enquanto suporte do ideal


O professor, pelo menos nas sérias iniciais, atua como uma espécie de figura substituta dos pais - herda sua autoridade e os sentimentos que a criança dirige a eles. Sendo a relação familiar um paradigma da relação professor-aluno, esta também poderá passar por um fenômeno semelhante ao descrito por Corso em seu texto Game Over: a morte dos pais enquanto suporte do ideal.


De acordo com Corso, nesta fase de desenvolvimento em que se passa o fenômeno, a criança subitamente percebe os pais, outrora onipotentes, oniscientes, etc., em sua dimensão real: falíveis, vulneráveis, humanos. Ora, tendo o professor o papel de figura substituta desses pais, poderá passar pelo mesmo processo de "desencantamento". Suas fragilidades, suas vulnerabilidades, serão descobertas, farejadas, expostas. E cairão como uma bomba para o aluno: o professor não sabe tudo; o professor não é perfeito - da mesma forma que os pais também não o são. E daí ocorre que, frente a esse superioridade (outrora tão grande) diminuída, pode diminuir também o antigo princípio de autoridade. O aluno, percebendo a "humanidade" de seu professor, sua condição de ser falível e limitado (e não um deus), passa a questionar suas ordens, ou mesmo contestá-las. O princípio da autoridade do professor deixa de ser visto como algo natural e justo (visto sua antiga superioridade) para se transformar, em despotismo, tirania, abuso de poder.


Relação Professor-Aluno


A relação mantida ou esperada entre o professor e o aluno é foco de muitas reflexões na área da educação. Ao longo do processo histórico, muitas foram as abordagens sobre o tema e tais abordagens variam de acordo com o tipo de escola. Esta entendida aqui não somente como a instituição de ensino, mas também como autores que compartilham de uma mesma teoria sobre o assunto. Por exemplo, a Escola Tradicional (instituição de ensino) - como é denominada o método de aducar adotado antigamente - pregava o professor como autoridade máxima e o aluno não devia questinar suas ordens e nem seus ensinamentos. A hierarquia era rígida e essa inflexão era mantida também na forma pela qual o professor e o aluno deveriam se relacionar. Castigos como a palmatória, o milho eram métodos empregados na correção de qualquer transgressão, se assim considerasse o mestre.


Mas essa é uma das possibilidades de relacionamento professor-aluno. A Escola Nova representada no Brasil por Anísio Teixeira, que se inspirou em Jonh Dewy e sua teoria progressista, defendia uma relação totalmente diferenciada. O ideal desses autores era a valorização da autonomia do aluno e o professor atuaria mais como um orientador e não como alguém que impõe o que deve ser estudado. A autonomia do aluno em relação aos professores era privilegiada. Entretanto, essa abordagens é muito discutida na área da eduação, pois, se o professor atuasse como um "facilitador" qual seria afinal, o seu papel na aprendizagem?


Vygotsky (1896-1934), professor e pesquisador contemporâneo de Piaget, teorizou sobre a relação aluno e professor defendendo que este último deve levar em conta o meio cultural no qual estão inseridos os alunos.


Para esse autor, a relação entre professor e aluno deve se dar em um ambiente de cooperação e respeito, para que aconteça um crescimento do saber, para ambos. O professor não deve impor o seu conhecimento ao aluno, e sim guiá-lo para que possa construir seu conhecimento pessoal, sendo o aprendiz, visto como um sujeito ativo e capaz, o educador, por ser mais experiente vai auxiliá-lo no desenvolvimento de suas habilidades. Assim sendo, o professor deverá considerar a experiencia particular do aluno, ou seja, seu conhecimento prévio. Essa é uma questão muito importante a se considerar durante o processo de preparação de uma aula, por exemplo.


Quando se trata de um grupo de alunos, uma turma, deve-se considerar também a relação existente entre os alunos, pois essa troca de experiencias, a convivencia entre todos, será fundamental pra se analisar o processo de aprendizagem, pois, para Vygotsky, a construção do conhecimento dar-se-á de forma coletiva, é através dessa interação entre o grupo que cada um vai poder construir seu conhecimento individual e contribuir no processo de aprendizagem dos demais.


Vygotsky conceitua o processo de desenvolvimento intelectual de duas maneiras, o conhecimento real e o potencial. O real refere-se àquilo que já foi adquirido, as habilidades que a pessoa já possui, o conhecimento concreto. O potencila seria aquilo que ainda não foi aprendido, mas está próximo de ser. Esse conhecimento se concretizará, principamente através da interação e da ajuda de outras pessoas. Dessa relação entre o potencial e o real, ele criou o conceito de zonas de desenvolvimento proximal que define a distancia entre o conhecimento potencial e o real. "(...) A distância entre o nível de desenvolvimento que se costuma determinar através da solução independente de problemas, e o nível de desenvolvimento potencial, determinando através da solução de problemas sob a orientação de um adulto ou de companheiros mais capazes". (Vygostky, 1989).


O conhecimento, portanto não estaria somente na resposta encontrada, e sim em todo o processo que levou a isso, o processo de construção desse conhecimento, a colaboração de outros, a interação, a investigação, entre outros. O professor é fundamental nessa busca do aluno, ele tem o papel de guia, de orientador, é com a sua ajuda que o aluno vai ser capaz de chegar ao conhecimento. Nesse sentido parece muito importante que a relação cooperativa seja estimulada, pois é a boa relação entre os dois que fará com que o aluno sinta-se estimulado a aprender.


A violência na relação entre aluno e professor – algumas reflexões


São preocupantes os episódios, cada vez mais freqüentes, de agressões contra professores nas escolas públicas. Muitos dos casos são uma conseqüência das próprias condições sociais das comunidades atendidas pela escola, mas estes são objeto próprio para uma análise sociológica, o que não é o caso neste trabalho. Porém, há um grande número de casos em que o ponto de tensão é o relacionamento, própriamente dito, entre o estudante e o docente e é esse fenômeno que pretendo abordar, a partir do conceito de adolescência como moratória, apresentado por Contardo Calligaris (2000, pág 25): “[...] o adolescente vive a falta do olhar apaixonado que ele merecia quando criança e a falta de palavras que o admitam como par na sociedade dos adultos. A insegurança se torna assim o traço próprio da adolescência”.


Basta conversarmos com qualquer adolescente sobre sua vida escolar, desde que deixemos que expresse naturalmente suas opiniões, para que nos revele que já foi submetido a constrangimentos, por parte de professores que não estão preparados para entender essa insegurança. Quando tem dificuldades na escola e precisa de apoio, muitas vezes, sente que não tem mais direito à mesma atenção e condescendência com as quais estava acostumado quando ainda era criança, ao mesmo tempo não é maduro o suficiente para que o professor considere seriamente suas opiniões e, principalmente, suas críticas. A sociedade moderna criou o mito da adolescência e é através de sua mitologia que o adulto reconhece o adolescente. Faz parte da mitologia da adolescência a crença em que a vida do adolescente é uma festa permanente. Ora, o professor é também um adulto do mundo contemporâneo. Não estará a postura do professor, com relação aos estudantes dessa faixa etária, impregnada dessa e de outras crenças constituintes desta mitologia?


Como foi apresentado no início deste trabalho, segundo Freud, o jovem estudante transfere para o professor o respeito e as expectativas relacionadas ao pai onisciente de sua infância. Quando começa a crescer, como acontece com relação aos pais, a distância física entre o aluno e o professor desaparece e, assim nivelado, o olhar do adolescente vê o professor na sua dimensão humana. Inserido no contexto de uma sociedade que transmite às crianças, desde muito cedo, a ambição de ser mais do que seus antecessores, de desrespeitar suas origens, de não se conformar, o professor muitas vezes também não está conformado com sua posição dentro desta sociedade e aspira uma mudança de condição. Porém, como qualquer outro adulto, e talvez muito mais, ele deve transmitir as regras de conformidade social para que esse jovem se adapte ao ambiente escolar. Essa contradição manifesta-se nas atitudes do professor e são percebidas pelo aluno. É então, que o aluno fará com que seu mestre pague pesadamente pelo desapontamento que lhe causou.


O senso comum, nessas situações de agressão costuma expressar-se através de idéias como as de que os pais não dão educação aos filhos, os jovens hoje em dia não respeitam mais os professores, os adolescentes estão muito violentos, etc... Parece-me que transferir toda a responsabilidade para o estudante é negar o papel ativo do professor na relação com o aluno. Estamos num momento de nossa história em que a sociedade vive uma crise de paradigmas e, ao mesmo tempo e quem sabe por isso mesmo, o fenômeno mal compreendido da adolescência nos afeta a todos. É necessário que o educador que trabalha com estudantes que se encontram nessa fase da vida, procure se atualizar, que busque escutar o adolescente e compreender a adolescência em nosso tempo, constituindo-se em um exemplo de adulto capaz de rever suas posições, readaptar seu discurso e refinar suas atitudes.


A contribuição de Calligaris para uma boa reflexão sobre o adolescente como educando é trazer à consciência de quem lê a existência dessa moratória e de como ela pode ser catalisadora de comportamentos que acabam, irrefletidamente, compreendidos e justificados pelo prisma mitológico. O professor que deseja fazer a diferença compreende que tanto professor quanto estudante são sujeitos na construção do conhecimento. O professor cuja ação nessa construção se guia pelo ponto de vista de uma mitologia e não da realidade dos adolescentes envolvidos no processo comete, mesmo que inconscientemente, equívocos que podem comprometer a necessária confiança nessa relação. Portanto, esse professor também é responsável pelo tipo de relação conflituosa que se estabelece entre ele e o aluno. O adulto que se propõe a escutar e não apenas ouvir o adolescente, tentando entender sua visão de mundo, pode se surpreender positivamente descobrindo que há mais do que apenas futilidades dentro dessas “cabecinhas” tão conectadas com seu tempo.


Reconhecer a existência de tal moratória e decretar a sua suspensão dentro do ambiente escolar, construindo relações que permitam ao adolescente encontrar no olhar do professor um igual na busca pelo conhecimento é plantar uma base para uma relacionamento de respeito e colaboração entre professores e alunos adolescentes.


Aprendizagem e afetividade


As divulgação das idéias de Vygotsky incorpora um viés histórico-cultural nos estudos concernentes à relação professor-aluno, no qual a interação com os outros humanos faz a criança desenvolver “instrumentos culturais”. O autor defende os conceitos de mediação e internalização, na medida em que acredita ser através de um intenso processo de interação entre as pessoas que se desenvolve a construção do conhecimento. Smolka e Góes (1995) entendem a idéia de mediação estruturada numa fórmula sujeito-sujeito-objeto, em que a elaboração cognitiva se funda por intermédio da relação com o outro. De forma semelhante, Klein (1996) argumenta que o objeto de conhecimento só existe no interior das relações humanas, sendo as relações humanas que moldam a essência do objeto de conhecimento (que só existe a partir do seu uso social). Além dos aspectos cognitivos, entram em jogo também os elementos afetivos. Nos anos iniciais da criança é através dos vínculos afetivos que ela vai tendo acesso ao universo simbólico que envolve as relações pessoais. Existem muitas formas de conceituar afetividade, emoção, paixão e etc. O debate sobre o rigor de tais conceitos é muitos vasto. Pino destaca que tais fenômenos afetivos referem-se às experiências subjetivas, que revelam a forma como cada sujeito é afetado pelos acontecimentos da vida ou, melhor, pelo sentido que tais acontecimentos têm para ele. Wallon, estudioso francês com formação em medicina, afirma que a afetividade desempenha um papel preponderante na constituição e funcionamento da inteligência, determinando os interesses e necessidades individuais. Wallon estabelece diferenças entre emoção e afetividade, sendo que as emoções manifestam estados de subjetividade, dotados de componentes orgânicos (contrações musculares ou viscerais, sentidas e comunicadas através do choro, etc.); a afetividade, por sua vez, possui uma concepção mais ampla, envolve uma gama maior de manifestações subjetivas, englobando sentimentos (origem psicológica) e emoções (origem biológica). A afetividade corresponderia a um período mais tardio na evolução da criança, momento em que surgem os elementos simbólicos.


A pesquisa de Tassoni analisou a interação em sala de aula entre professor e aluno, buscando identificar os aspectos afetivos presentes. A autora defende que a afetividade manifesta na relação professor-aluno constitui um elemento inseparável do processo de construção do conhecimento. Aponta duas categorias importantes que brotaram da sua pesquisa como pontos de expressão da afetividade na relação professor-aluno: postura e conteúdo verbal. Algumas respostas de alunos a questionários aplicados referiram que a proximidade da professora a eles, quando ela chegava perto e ajudava em exercícios, constituía um fator importante na aprendizagem, na medida em que eles sentiam mais seguros em perguntar, dizer que não entenderam, pedir sugestões, investir na realização das atividades, ou seja, passava mais confiança. Além da proximidade física para com os alunos, o incentivo através da linguagem verbal também é apontado nos resultados da pesquisa como fator importante, tanto nos relatos de alunos, quanto dos professores. Nesse sentido, o fato do professor tentar explicar, dialogar, dar voz aos alunos, além de interagir de maneira instigante e não repressiva, foi apontado também como muito valorizado. Um exemplo: o professor que tem paciência, não chega dizendo “tá errado!”, mas diz “aqui tu erraste, vou te ajudar”.


As professoras, por sua vez, demonstraram querer encorajar os alunos a construir o conhecimento, e não apenas receptá-lo. Também tentam fazer com que os alunos confiem em si mesmos, acreditem que podem conseguir realizar as tarefas, melhorem sua auto-estima. As professoras que demonstraram terem consciência do entrelaçamento dos aspectos afetivos e cognitivos tiveram maior possibilidade de controlar e reverter sentimentos negativos, como também explorar de maneira positiva o desejo de aprender e o interesse em fazer dos alunos. Tassoni destaca: “Quando se assume que o processo de aprendizagem é social, o foco desloca-se para as interações e os procedimentos de ensino tornam-se fundamentais. O que se diz, como se diz, em que momento e por quê; da mesma forma que, o que se faz, como se faz, em que momento e por quê, afetam profundamente as relações professor-aluno, influenciando diretamente o processo de ensino-aprendizagem. O comportamento do professor, em sala de aula, expressa suas intenções, crenças, seus valores, sentimentos, desejos que afetam cada aluno individualmente [...] Adequar a tarefa às possibilidades do aluno, fornecer meios para que realize a atividade confiando em sua capacidade, demonstrar atenção às suas dificuldades e problemas, são maneiras bastante refinadas de comunicação afetiva. Dantas (1992, 1993) refere-se a essas formas de interação como ‘cognitivização’ da afetividade”.


Outro ponto observado nos dados foi a importância das diversas formas de interação entre as professoras e os alunos, para a construção da auto-estima e da autoconfiança, influindo diretamente no processo de aprendizagem. Freqüentemente detectaram-se, nas interações, sentimentos de acolhimento, simpatia, respeito e apreciação. Da mesma forma, evidenciaram-se sentimentos de compreensão, aceitação e valorização do outro. Nesse sentido, pôde-se concluir que as experiências vividas em sala de aula permitiram trocas afetivas positivas que, não só marcaram positivamente o objeto de conhecimento, como também favoreceram a autonomia e fortaleceram a confiança dos alunos em suas capacidades e decisões.


Na medida em que caracterizamos o processo de aprendizagem entreposto ao encaminhamento afetivo, podemos trabalhar uma tentativa de fuga daquilo que Pierre Bourdieu classificou como “violência simbólica”. Através desse conceito, que o autor afirma estar presente em todas as etapas do sistema de ensino, desde a constituição do currículo ao próprio ambiente prático do professor, podemos encontrar uma referência acerca de uma violência que não está marcada nos moldes físicos. Pelo contrário, é por intermédio de uma violência por símbolos, atitudes, palavras e posturas, que o conceito de Bourdieu pode ser visualizado no cotidiano escolar .


Considerações finais


Este trabalho teve como objetivo realizar uma breve análise sobre a relação professor-aluno à luz das teorias desde Freud a autores contemporâneos, formando uma panorama de possibilidades de compreensão dessa complexa relação.


Bibliografia


CALLIGARIS, Contardo. A Adolescência. São Paulo: Publifolha, 2000.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

FREUD, Sigmund. Obras Completas. Rio: Imago,1976. Volume 13.

KUPFER, Maria Cristina Machado. Freud e a educação: o mestre do impossível. São Paulo: Scipione, 1992.

TASSONI, Elvira Cristina Martins. Afetividade e aprendizagem: a relação professor-aluno. Pesquisa de Mestrado pela Universidade Estadual de Campinas.

VYGOTSKY, Lev Semynovich. Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. São Paulo: Icone, 2001. _________________________. A formação Social da mente: O desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. São Paulo: Martins Fontes. 1989.