Relação professor-aluno ***

De Psicologia da Educação

INTRODUÇÃO


O presente trabalho tem como objetivo analisar a relação entre professor e aluno. Para isso, acreditamos ser relevante abordar como é tratado esse assunto sob a perspectiva de alguns teóricos e também como é importante que o professor considere os diferentes tipos de alunos que ele pode ter em uma sala de aula.


VYGOTSKY


Após fazer uma pesquisa e analisar questões sobre Vygotsky, podemos dizer (com base, principalmente, no artigo do site: http://www.centrorefeducacional.com.br/vygotsky.html) que, para Vygotsky, a relação educador-educando deve ser uma relação de cooperação, de respeito e de crescimento e não uma relação de imposição. O aluno precisa ser considerado como sujeito interativo e ativo em seu processo de construção de conhecimento e o educador assume um papel fundamental nesse processo, visto que é um indivíduo mais experiente. Cabe ao professor considerar também, considerar o que o aluno já sabe, ou seja, sua bagagem cultural e intelectual, para a construção da aprendizagem.


Juntamente com o professor os colegas formam um conjunto de mediadores da cultura que vai possibilitar os progressos no desenvolvimento do aluno. Para Vygotsky, a construção do conhecimento se dará coletivamente, por isso deve-se considerar a ação intrapsíquica do sujeito. O desenvolvimento intelectual de cada pessoa é conceituado em dois níveis: um real e um potencial. O real é aquele já adquirido ou formado, que determina o que a criança já é capaz de fazer por si própria porque já tem um conhecimento consolidado. Por exemplo, se domina a adição esse é um nível de desenvolvimento real. O potencial é quando a criança ainda não aprendeu tal assunto, mas está próximo de aprender, e isso se dará principalmente com a ajuda de outras pessoas. Por exemplo, quando ele já sabe somar, está bem próximo de fazer uma multiplicação simples, precisa apenas da ajuda de alguem que se disponha a ensiná-lo.


Concluimos que o professor seria, então, o suporte, ou “andaime”, para que a aprendizegem do educando a um conhecimento novo fosse satisfatória e que a educação não pode ficar à espera do desenvolvimento intelectual da criança. Pelo contrário, ela tem a função de levar o aluno adiante, pois a medida que ele aprende se desenvolve mentalmente.


PIAGET


Também realizamos um estudo sobre Piaget, e concluímos (com base, principalmente, no artigo do site: http://www.centrorefeducacional.com.br/piaget.html) que, para Piaget, a aprendizagem do estudante só será significativa quando ele for um sujeito ativo, e para tanto, a criança precisa receber informações relativas ao objeto de estudo para que possa organizar suas atividades e agir sobre elas. Piaget faz uma crítica a atitude geralmente usada pelos professores. O educador não pode apenas “jogar” os símbolos falados e escritos para o aluno, alegando a falta de tempo para vencer o conteúdo. Esse tempo utilizado apenas para a verbalização do professor é, na verdade, um tempo perdido que se fosse gasto permitindo que os alunos usassem a abordagem de tentativa e erro seria na verdade um ganho.


A relação professor-aluno deve ser baseada no diálogo onde os “erros” dos estudantes podem passar a ser vistos como integrantes do processo de aprendizagem. À medida que o aluno “erra” o professor consegue ver o que já se está sabendo e o que ainda precisa ser ensinado. Seriam os chamados “erros construtivos” que podem diferir das respostas corretas, mas não impedem que as crianças cheguem a ela.


Uma diferença entre Vygotsky e Piaget é que Piaget diz que o aprendizado é individual enquanto que Vygotsky diz que ele é coletivo. Piaget diz que o aprendizado será construído na cabeça do sujeito a partir das estruturas mentais que ele possui. O professor tem o papel de incentivador e encorajador para a iniciativa própria do estudante. Por fim, a relação professor-aluno deve ser baseada na cooperação de ambos. Assim, será através de um debate entre iguais que o processo do desenvolvimento cognitivo se dará.


PAULO FREIRE


“O bom professor é o que consegue, enquanto fala, trazer o aluno até a intimidade do movimento do seu pensamento. Sua aula é assim um desafio e não uma cantiga de ninar. Seus alunos cansam, não dormem. Cansam porque acompanham as idas e vindas de seu pensamento, surpreendem suas pausas, suas dúvidas, suas incertezas”. (FREIRE,1996:96)


Paulo Freire afirma que a relação entre professor e aluno se caracteriza em um sistema horizontal de respeito e intercomunicação. O autor enfatiza essa relação de respeito que tem de ser criada entre professor e aluno. Apenas dessa forma o professor poderá realizar seu trabalho e realmente fazer uma mudança na aprendizagem e na vida de seus alunos. Também fala sobre a afetividade, que, em sua opinião, é o fator fundamental para que se crie uma boa relação entre professor e aluno. Claro que essa afetividade deve ser dada em certa proporção para que os papéis de professor e aluno não se confundam. É através da afetividade e da boa relação que o professor poderá criar a autoridade sobre sua turma e alunos. Essa autoridade está diretamente relacionada com a visão que os alunos têm de seu professor e com a forma com que o professor lida com seus alunos. Freire crê também que o diálogo é a melhor forma de se resolver qualquer problema e situação junto aos alunos. É com o diálogo que esse sentimento de respeito e autoridade se faz possível no ambiente escolar.


ESTILOS DE APRENDIZAGEM


Nosso grupo chegou à conclusão de que para um bom relacionamento entre professores e alunos é fundamental conhecermos os vários tipos de alunos que há em uma sala de aula. Consideramos que conhecer os estilos de aprendizagem permite ao profissional desenvolver um plano de aula no qual ele possa atingir os meios dos quais os estudantes precisam para assimilar uma informação. Com um bom plano de aula, em que as atividades beneficiem todos os estilos de aprendizagem dos alunos, as barreiras encontradas pelos profissionais poderão ser minimizadas.


Como estilos de aprendizagem encontramos (em: ALVAREZ, Ana Maria. Processamento auditivo: Fundamentos e Terapias):


Visual: Faz uso da visão como meio de obter e reter informações. O aluno mais visual necessita do uso do quadro, vídeos, enfim, meios que estimulem sua capacidade. Entretanto, estímulos visuais em demasia ou conflitantes podem prejudicá-lo.


Auditivo: Precisa de estímulos auditivos para absorver informações. O aluno mais auditivo tem facilidade com sons, por isso ruídos em demasia podem prejudicá-lo. Não precisa ouvir um som muito alto, por exemplo, já que tem facilidade.


Cinestésico: Usa sentidos relacionados ao movimento. O aluno precisa praticar, alguns precisam mexer-se. Uma aula em que ele não possa se mover ou que tenha estímulos visuais e auditivos conflitantes acaba por prejudicá-lo. Ele precisa sentir. Como exemplo, podemos citar as pessoas que gostam de ouvir músicas com o som muito alto, pois ela precisa mais do que ouvir.


Como profissionais, temos uma responsabilidade muito grande sobre aqueles que dependem de nós para aprenderem. Ter uma boa relação em sala de aula deve ser uma preocupação constante, visto que nós também temos limitações e que o tipo de relação que tivermos com nossos alunos influenciará para o sucesso de nossa profissão.


ENTREVISTA REALIZADA COM PROFESSOR DE LÍNGUA INGLESA DE ESCOLA PRIVADA


1. Como você vê a questão da afetividade quando se fala em relação professor - aluno?

Acho necessário que sejamos afetivos com nossos alunos, porém acredito que o exagero na afetividade possa prejudicar o aprendizado do aluno, já que, muitas vezes, nossos alunos confundem afetividade com moleza. A afetividade em excesso também pode gerar um certo sentimento de diferença de tratamento entre os alunos, já que seremos mais afetivos com alguns aluno que com outros.


2. Como você vê a questão do respeito e da autoridade na relação professor - aluno?


Creio que o respeito seja fundamental para que se crie uma relação saudável entre professor e aluno. Cabe ao professor determinar regras que funcionem com o intuito de estabelecer esse respeito e limitar certas atitudes dos alunos. Claro que essas regras devem ser discutidas com a turma e definidas depois do diálogo com todos os seus componentes, estando todos a favor das mesmas só assim poderão entrar em vigor. Essa questão nos leva a relembrar que a autoridade não pode ser confundida com o autoritarismo. O professor deve ser capaz de ganhar a autoridade junto a seus alunos. Ela pode ser alcançada de diversas forma, mas principalmente pelo diálogo e pela construção e uso daquelas regras antes determinadas.


3. Em sua opinião, o diálogo é a principal ferramenta de um professor para criar os laços de autoridade e afetividade com seus alunos?


Sem sombra de dúvida o diálogo é a “arma” mais importante para criarmos uma boa relação com nossos alunos. É através do diálogo que mostramos aquele respeito que nossos alunos tanto precisam dar e, em minha opinião, principalmente, receber. Acredito que esse espaço não seja dado na maioria dos lares de hoje em dia e por isso muitos alunos não sabem negociar regras e Ter limites. Eles não são respeitados e por isso muitas vezes não demonstram respeito para com seus professores.


CONCLUSÃO


Com este trabalho podemos observar que todos tiveram a oportunidade de participar e expor suas críticas. Consideramos de grande importância que o grupo pode trocar idéias para que fosse possível montar um trabalho final sobre o tema proposto. Acreditamos que o trabalho cumpriu seu objetivo, pois além de pesquisar sobre a relação entre professor e aluno foi possível realizar um debate em sala de aula e ouvir a opinião dos demais colegas. O trabalho foi desenvolvido através do esforço em equipe, tendo todos os componentes participado em um primeiro momento e, em seguida, sendo realizada uma divisão para que cada um trabalhasse em cima de uma parte. A partir de então, elaboramos o que seria apresentado para a turma e posteriormente analisamos os trabalhos feitos individualmente com o intuito de torná-lo uno.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: Saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996. http://www.editoraferreira.com.br/publique/media/AU_01_jsilveira.pdf

ZACHARIAS, Vera Lúcia Câmara. Atualizado em setembro de 2007. Vygotsky e a educação. Disponível em: <http://www.centrorefeducacional.com.br/vygotsky.html>. Acesso em: 13/06/2008.

ZACHARIAS, Vera Lúcia Câmara. Atualizado em setembro de 2007. Piaget. Disponível em: <http://www.centrorefeducacional.com.br/piaget.html>. Acesso em: 13/06/2008.

<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_subject&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 10/06/2008.

ALVAREZ, Ana Maria. Processamento auditivo: Fundamentos e Terapias. Disponível em: <http://www.editoraferreira.com.br/publique/media/AU_01_jsilveira.pdf>. Acesso em: 10/06/2008.

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