Violência Escolar

De Psicologia da Educação

Introdução


Este é um pequeno delineamento do desdobramento de um tema maior que dá continuidade aos trabalhos já apresentados sobre a violência escolar e seus inúmeros aspectos e categorizações. Dentre as diversas formas de violência foram destacadas a violência simbólica, a violência contra a propriedade, isto é, a depredação, a violência na relação aluno x professor, etc, mas o que será descrito nesta breve abordagem é a violência subsidiada pelo tráfico e pelas drogas e a entrada de artefatos mortíferos (armas, facas e estiletes) em ambiente escolar. Cabe ressaltar que a escolha feita do tema violência escolar nos primeiros dias de aulas foi com o intuito de discutir um assunto que está a cada momento ganhando maior repercussão na mídia, além, é claro, por uma realidade que nós das licenciaturas talvez possamos vivenciar nos estágios ou mesmo quando começarmos nossa atuação profissional. Para realização desse estudo estão sendo utilizados artigos, pesquisas e reportagens de jornais de sites oficiais e livros.


Discussão


As diversas formas de violência nas escolas podem também atribuir uso de utensílios ou instrumentos para ferir, como também podem se utilizar da venda e do uso de drogas. Na última década inúmeras ocorrências, “acidentes” e delitos tornaram-se freqüentes dentro das escolas brasileiras e pelo mundo a fora, principalmente com a utilização de armas de fogo, instrumentos pontiagudos, pedras, etc, e que em grande parte ocorrem devido ao subsidio do tráfico e venda de entorpecentes nas escolas. Um marco na história da violência escolar entre alunos envolvendo armas de fogo foi sem dúvida o chacina em Columbine onde dois alunos armados invadiram uma escola e mataram cerca de dez outros alunos e deixando tantos feridos, este incidente com toda certeza não foi o primeiro a acontecer, porém, foi o de maior repercurssão mundial tendo inúmeros aspectos atribuídos ao acontecimento como o envolvimento dos jovens com video games violentos e a falta de atenção dos pais com os filhos. Esta situação com certeza deu origem tantas outras no Brasil, ou pelo menos, fez com que os acontecidos brasileiros se tornarssem mais evidentes na mídia.

Algo que é absolutamente esdrúxulo e anormal, que é a apresença de armas e drogas dentro do ambiente escolar, se tornou um fato cotidiano e corriqueiro do em nossa realidade brasileira. A entrada de armas nas escolas pode acontecer pelo acesso facilitado que muitas crianças e jovens encontram em seus lares, mas também pelo incentivo e acesso que o tráfico de entorpecentes dá para seus revendedores. As drogas sem dúvida nenhuma não invadiram o ambiente escolar a pouco tempo, mas como já foi mencionado hoje de tornaram uma espécie de epidemia de mundial com grande visibilidade, porém, sem tratamento ou cura. Obviamente que a violência através de armas e drogas, se tornou parte do cotidiano escolar, visto que pesquisas como a realizada pelo CRISP - Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública, órgão ligado à UFMG, composto por pesquisadores da Universidade e de órgãos públicos envolvidos com o combate à criminalidade da UFMG - verificou que a instituição escolar vem perdendo seu caráter transformador e seu poder de antídoto da violência para sofrer vandalismo, roubos e depredações, tornando-se um retrato do crescimento desordenado desta mesma violência, sendo que cerca de mais de 50% dos alunos mineiros já viram ou ouviram falar de algum tipo de forma de violência na escola.Tendo como resultado desta pesquisa:

“Os dados mostram que a violência é fator determinante no aprendizado do aluno. A grande maioria dos alunos, ou seja, 71% dos entrevistados afirmaram terem sido vítimas da violência em suas escolas, sendo 15,8% de roubos, 36,9% de furtos e 18,3% de agressões físicas. Isto se refletiu na atitude de 10,4% dos alunos que afirmaram já ter deixado de comparecer à escola por medo de ser agredido (CRISP - Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública da UFMG).”

Tanto os dados apresentados como os fatos que vemos acontecer cotidianamente em relação à violência escolar são influenciados pelo meio em que as pessoas vivem, mas, também, pode estar ligado a uma questão “comportamental” da fase onde principalmente os adolescentes e se encontram, e que por sua vez é defendida por Jerusalinky (2004) como um período crítico, sensível a mudança e a instabilidade, e, acima de tudo, caracterizado pela indecisão. As maiores taxas de criminalidade atribuindo a entrada de drogas e armas nas escolas se dá entre os jovens do ensino médio, isso acontece porque é o momento onde esses jovens começam a sair mais de casa, os amigos e o grupo social influenciam diretamente em suas escolhas, e sendo um estágio onde há uma certa “ruptura” com a família. Também, não se pode dizer que é somente por aspectos da fase que a inserção da de drogas e armas no ambiente escolar ocorre, pois o local onde esses jovens vivem, a renda de sua família, a má estrutura familiar e “acesso” facilitado a marginalidade e criminalidade são com toda certeza fatores que determinantes para essas pessoas escolherem um caminho fora da lei. Diversos fatores influem na presença indesejada de armas e drogas subsidiando a violência na escola, porém, não há um consenso quais são mais determinantes, mas o que se sabe é que eles estão presentes na realidade brasileira e mundial e para serem modificados deve-se busca a “raiz” do problema que normalmente está dentro do âmbito familiar.


Conclusão


A existência de um comércio de drogas paralelo dentro de muitas escolas e a entrada de armas nas instituições de ensino não são coisas que nos causam estranheza, mas deveriam fazer, entretanto dentro de uma sociedade onde se preza pela legalidade isso não condiz com o que é certo. Hoje não devemos nos conformar com essa situação, e sim, a questionarmos e tentarmos modificá-la, pois como disse aquela frase manjada “o jovem é o futuro do nosso país” e é mesmo temos que tentar, ou melhor, conseguir propiciar aos jovens oportunidades de educação e de melhores condições de vida para não façam escolhas equivocadas que os levem para o mau caminho.


Referências


ABRAMOVAY, Miriam; RUA, Maria das Graças. Violências nas Escolas: versão resumida. Brasília: UNESCO Brasil, 2003, 88 p.

ANDREOLI, Sérgio Baxter; MOREIRA, Fernanda Gonçalves; SILVEIRA, Dartiu Xavier da. Situações relacionadas ao uso indevido de drogas nas escolas públicas da cidade de São Paulo. Rev Saúde Pública 2006;40(5):810-7

CHARLOT, Bernard. Violência na escola: como os sociólogos franceses abordam essa questão. Revista Sociologias, n.8, Porto Alegre jul./dez. 2002. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-45222002000200016&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 27 nov. 2009.

JERUSALINSKY, Alfredo Nestor. Adolescência e Contemporaneidade. In Conselho regional de Psicologia 7ª Região. Conversando sobre Adolescência e Contemporaneidade. Porto Alegre: Libretos, 2004.

MEDRAD, Hélio Iveson Passos. Formas contemporâneas de negociação com a depredação escolar. Cad. CEDES v.19 n.47 Campinas dez. 1998. Disponível em:<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-32621998000400007&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em 27 nov. 2009.

ZALUAR, Alba; LEAL, Maria Cristina. Violência Extra e Intramuros. Revista Brasileira Ciências. Sociais, v.16, n.45 São Paulo fev. 2001. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-69092001000100008&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 27 nov. 2009.

Além pesquisa intitulada “O perfil da violência e suas conseqüências no cotidiano das escolas de Belo Horizonte” que foi apenas publicada no site oficial do pelo CRISP (Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública) em 2002. Disponível em: www.crisp.com.br


Anexo


Faça uma reflexão ao tempo que você realizou o ensino fundamental e médio Perguntas:

1.Você já viu ou ouviu falar de pessoas quebrando janelas, fazendo arruaças ou tendo comportamento de desordem dentro da escola? Não ( ) Sim ( ) Caso sua resposta seja sim você pode relatar essa situação, se quiser:

2.Você já viu ou ouviu falar pelo menos uma vez de pessoas armadas dentro da escola?Não ( ) Sim ( ) Caso sua resposta seja sim você pode relatar essa situação, se quiser:

3.Você já viu ou ouviu falar de desentendimentos dentro da escola? Não ( ) Sim ( )

Caso sua resposta seja sim você pode relatar essa situação, se quiser:  

4.Você já viu ou ouviu falar de pessoas consumindo drogas na escola? Não ( ) Sim ( )

Caso sua resposta seja sim você pode relatar essa situação, se quiser:  
 

5.Você já viu ou ouviu falar de pessoas vendendo drogas nas escolas? Não ( ) Sim ( ) Caso sua resposta seja sim, se você quiser, relate essa situação:

6.Você já viu ou ouviu falar criminosos ou bandidos na escola? Não ( ) Sim ( )

Caso sua resposta seja sim você pode relatar essa situação, se quiser:  

7.Você já viu ou ouviu falar de alunos sendo assaltados? Não ( ) Sim ( )

Caso sua resposta seja sim você pode relatar essa situação, se quiser:  

8.Você já viu ou ouviu falar de outros alunos sendo furtados na escola? Não ( ) Sim ( )

Caso sua resposta seja sim você pode relatar essa situação, se quiser:  
 

Questionário adaptado da pesquisa realizada pelo CRISP - Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública, órgão ligado à UFMG

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