Diversidade e Diferença na Escola

De Psicologia da Educação

Tabela de conteúdo

Introdução

"...a diferença está no chão da escola." (Prof. Ana)

Os temas diversidade e diferença¹, aplicados ao âmbito educacional, são considerados dos mais importantes a serem debatidos, e são objetos de muitas pesquisas e publicações por diferentes autores. A questão da diferença na educação, por meio de estudos recentes, focaliza os campos das relações étnicas, geracionais, de gênero, assim como das diferenças físicas e mentais.

Desse modo, vem se constituindo um campo complexo e polissêmico de perspectivas de debate entre teorias e propostas relativas à interação entre identidades e culturas diferentes, que se expressam ambivalentemente sob termos como "multiculturalismo", "interculturalismo", "transculturalismo", entre outros.

Uma das primeiras preocupações que surgem ao se focalizar o tema das diferenças socioculturais diz respeito ao entendimento e ao enfrentamento dos estereótipos, preconceitos, discriminações e racismo, assim como dos processos de inclusão e exclusão social e institucional dos diferentes sujeitos. Nesta direção, diversas instituições, assim como movimentos populares, vêm desenvolvendo propostas de educação para a paz, para os direitos humanos, para a sustentabilidade, para os valores, etc.

Além da pesquisa bibliográfica, foi realizado um trabalho de campo, em uma escola, com o objetivo de complementar a parte teórica com as experiências de docentes e alunos. Pretende-se aqui abordar a problemática da diferença na educação com o intuito de apresentar uma perspectiva de formação para o pensamento complexo, que respeite as diferenças, contra qualquer tipo de intolerância, contra verdades prontas e imutáveis, para construção de uma sociedade pluralista, seja ela a nível escolar ou em ­­escala mundial.

Multiculturalismo,Interculturalismo ou Transculturalismo

Os movimentos sociais e educacionais propõem a convivência democrática entre diferentes grupos e culturas, baseada no respeito à diferença, que se concretiza no reconhecimento da paridade de direitos. Multiculturalismo, interculturalismo e transculturalismo são termos ambivalentes que vêm sendo utilizados para expressar a interação entre identidades e culturas diferentes.

Trata-se do desafio de se respeitar as diferenças e de integrá-las em uma unidade que não as anule, mas que ative o potencial criativo e vital da conexão entre diferentes agentes e entre seus respectivos contextos. Isto vale, de fato, tanto para o discurso das diferenças étnicas e culturais, de gênero e de gerações, a serem acolhidas na escola e na sociedade, quanto para a distinção e interação entre os povos, a ser considerada nos equilíbrios internacionais e planetários (Fleuri, 2006).

Nilma Gomes (2002 apud FLEURI, 2006) aborda a temática do Negro e a Educação em seu trabalho intitulado "Trajetórias escolares, corpo negro e cabelo crespo: reprodução de estereótipos e/ou ressignificação cultural". Gomes enfatiza que o modo como os sujeitos lidam e interpretam os símbolos culturais esteriotipados pode favorecer uma nova significação para estes mesmos símbolos. No caso do corpo negro os aspectos visíveis, por exemplo, como o cabelo e a pele, historicamente estigmatizados como sinais de subalternidade, vão se configurando como símbolos estéticos de uma identidade afirmativa dos afrodescendentes, a partir das suas práticas de cuidado com o corpo. Neste sentido, o tratamento estético do cabelo se torna um veículo, entre outros, capaz de transmitir diferentes mensagens, possibilitando variadas interpretações, em relação às quais os negros vão construindo suas identidades pessoais e culturais (Fleuri, 2006).

Os trabalhos sobre as populações indígenas discutem também problemas relativos à imposição da cultura nacional hegemônica, que colocam dilemas para a vida destes povos e para o futuro de suas próximas gerações. E nesses estudos esses grupos são colocados como “os outros” ou “os diferentes”, lugar que eles costumam ocupar na sociedade, legitimando tal situação. A escola desempenha um papel ambivalente para as culturas indígenas: ao mesmo tempo em que inculca nas comunidades indígenas valores, concepções e comportamentos da sociedade ocidentalizada, possibilita também a constituição de novos sujeitos e de novas identidades, assim como de novos processos de organização grupal e de relação intercultural. Valéria Weigel, em seu texto intitulado "Os Baniwa e a escola: sentidos e repercussões" (2002 apud FLEURI 2006) destaca que a escola ao mesmo tempo em que se constitui num instrumento de sujeição à cultura dos brancos, pode paradoxalmente representar uma estratégia de luta pela sobrevivência, contribuindo para a construção de uma nova identidade e de uma organização social modificada, para melhor interagirem com as novas condições históricas. No entanto, pode propiciar todavia a limitação da cultura indígena, que acaba perdendo espaço para uma cultura “hegemônica”, o que podemos entender também como transculturalismo, onde ocorre uma mudança gradual de cultura.

Outra questão importante a ser colocada é a temática da relação dos gêneros. A cultura sexual traça um estereótipo que separa, desde quando crianças, indivíduos que devem agir masculinamente ou femininamente, conforme a cultura em que estão inseridos (Mead, 1950 apud FLEURI 2006). Mas além dessa relação natural (fisiológica) entre sexo masculino e feminino, e seus respectivos comportamentos, existem também as relações ligadas ao homossexualismo que geram princípios de diferenciação entre os indivíduos. Tais casos apresentam complexidade ainda maior, uma vez que não são apenas diferenças fisiológicas, e sim um confronto entre as fisiológicas e as comportamentais.

Com relação às diferenças físicas e mentais, ocorre um grande debate nacional que permeia essa relação, e vem se desenvolvendo em torno da questão da inclusão na escola regular de pessoas “diferentes”, tradicionalmente identificadas como "deficientes", "excepcionais", "anormais", e hoje chamadas de "portadoras de necessidades educacionais especiais" (Fleuri, 2006). A Educação Especial produz conceitos e técnicas, de reeducação e reabilitação, ao mesmo tempo em que constitui dispositivos de subjetivação e sujeição. Contudo, ao incluir um aluno “diferente” entre os normais, enfim, ao normalizar a deficiência dele, pode-se acabar causando o que chamamos de “inclusão excludente”. Dulcéria Tartuci (2002 apud FLEURI, 2006) aborda essa questão em seu trabalho "O aluno surdo na escola inclusiva: ocorrências interativas e construção de conhecimentos", no qual constata que os sujeitos surdos inseridos na escola regular permanecem excluídos das situações de ensino-aprendizagem, justamente porque as interações se estabelecem predominantemente pela modalidade oral. Dentro desta linha de raciocínio: é fundamental que se trate os “diferentes” como diferentes, para que eles possam produzir resultados iguais aos normais.

A problemática também abrange as diferenças de gerações. O debate gira em torno da necessidade de reconhecer e tratar as crianças como sujeitos em sua alteridade e da dificuldade de acolhimento e de entendimento dos jovens. Nesse aspecto cada um dos casos exige habilidades diferenciadas para que se possa trabalhar entre si, e com os outros sistemas. A subjetividade construída pelos jovens problematiza os significados, hoje predominantes, que se configuram tanto na visão romântica da juventude, quanto no seu entendimento como fase transitória, de crise, de distanciamento da família, conforme a compreensão de Juarez Dayrell (2002 apud FLEURI, 2006), no trabalho “O jovem como sujeito social”. A escola é apontada pelos jovens como um dos principais territórios de vivência de situações discriminatórias, de enfrentamentos invisíveis, mediados pelas significações atribuídas a aspectos visíveis, como a deficiência física, o vestuário, as práticas religiosas, o sexo e a cor da pele.

Já na educação infantil, os educadores precisam ver e ouvir as crianças a partir de si próprias, na sua alteridade e positividade, como sujeitos reprodutores e produtores de cultura.

A percepção das crianças enquanto “outros” é o reconhecimento destas enquanto sujeitos singulares que são; completos em si mesmos; pertencentes a um tempo/espaço geográfico, histórico, social, cultural que consolida uma sociedade específica, onde meninos e meninas de pouca idade são simultaneamente detentores e criadores de história e cultura, com singularidades em relação ao adulto. Sujeitos de pouca idade, mas que lutam através de seus desenhos, gestos, movimentos, histórias fantásticas, danças, imaginação, falas, brincadeiras, sorrisos, caretas, choros, apegos e desapegos e outras tantas formas de ser e de expressar-se pela emancipação de sua condição de silêncio. Condição que lhes foi imposta segundo uma visão adultocêntrica. (Oliveira, 2002 apud FLEURI, 2006).

Educação para além das fronteiras, sejam elas quais forem: a da intransigência, a territorial, a cultural, a religiosa, a social

Educar para tolerância adultos que atiram uns nos outros por motivos étnicos e religiosos é tempo perdido. Tarde demais. A intolerância selvagem deve ser, portanto, combatida em suas raízes, através de uma educação constante que tem início na mais tenra infância, antes que possa ser escrita em um livro, e antes que se torne uma casca comportamental espessa e dura demais. Umberto Eco (2001, p. 117 apud ANDRADE, 2007)

Atualmente, ao se falar em educação, um dos principais temas e talvez o mais complexo, a ser debatido é que tipo de educação se quer: a do individualismo, da reprodução de conceitos e valores ou a da renovação de idéias, da flexibilidade, do pensamento crítico. Deste modo, surgem aspirações e anseios sobre que tipo de ser humano se quer formar e sobre que tipo de sociedade se quer construir.

Considerando-se o fato de que a sociedade contemporânea é inescapavelmente pluralista, defende-se a promoção do diálogo e uma estratégia pedagógica, cujas dificuldades não podem ser minimizadas, a fim de evitar que uma política da diferença destrua a construção de projetos comuns (Moreira, 2002).

Os movimentos não se processam sem lutas, seja em direção a homogeneização, seja em direção à diversificação. As relações entre as distintas identidades culturais, assim como as tentativas, por partes de diferentes grupos, de afirmação e de representação em políticas e práticas sociais são complexas, tensas, competitivas, imprevisíveis. Esse panorama conflituoso, pleno de avanços e recuos, evidencia-se tanto nos noticiários que veiculam guerras agressões, perseguições e discriminações, como no sobressaltado cotidiano em que buscamos viver e conviver com a violência, com o fundamentalismo, com a xenofobia, com o ódio, com a exclusão social.

É preciso que se faça algo mais do que identificar as diferenças e estimular o respeito, a tolerância e a convivência entre elas. É imprescindível que se conheça o outro, reconhecendo-o como sujeito, produtor de conhecimento, tal qual nós somos. Para traçar um novo caminho será necessário examinar e questionar as diferenças, com o propósito de desestabilizar as relações de poder envolvidas nas situações em que elas coexistem. Surge então o anseio, o qual deve ser amplamente debatido, de como incorporar essa perspectiva às propostas e práticas curriculares.

Sem minimizar as dificuldades, Sousa Santos (2000 apud MOREIRA, 2002) julga possível a superação dos entraves envolvidos nos processos de se abrir espaço para as ausências e de se estimular a articulação entre os diferentes. A superação das divergências impeditivas de uma aproximação é fundamental. O multiculturalismo proposto deve atentar para a necessidade de trocas, de estratégias dialógicas, que ambas as partes participem como produtoras e saiam com seus horizontes alargados.

Diversidade e Diferença entre Educadores

Muitos autores problematizam a diversidade e a multiculturalidade na relação estudante-estudante ou professor-estudante. No entanto, existe uma dimensão crítica para promover a integração no ambiente escolar: as interações entre professores, principalmente quando consideramos diferentes disciplinas. Usualmente os comportamentos desses atores sociais são baseados na interpretação do outro professor sem consideração ao seu contexto e à sua intencionalidade, muitas vezes com impressões simplificadas e reducionistas quanto à sua atuação e importância. Essa forma de pensar desconsidera o que Morin chama de “cegueiras paradigmáticas”, ou seja, nosso núcleo profissional (ex.: Matemática, Geografia, História...) é resultado de uma série de escolhas que instala relações, determina conceitos, comanda discursos e teorias. Assim, cria-se um paradigma da disciplina que pode, ao mesmo tempo, elucidar e cegar, revelar e ocultar (um jogo de verdades e de erros).

O contexto social brasileiro, nas últimas décadas, tem apresentado enormes desafios educacionais ligados – entre outros – às questões da diversidade. Esse movimento vem motivando a mobilização da sociedade civil, a realização de estudos e pesquisas e a implementação, por estados e municípios, de políticas educacionais orientadas por esse debate social e acadêmico visando a melhoria da educação básica. Entre as inúmeras dificuldades encontradas para essa implementação destaca-se o preparo inadequado dos professores cuja formação de modo geral manteve predominantemente um formato tradicional, que não contempla muitas das características consideradas, na atualidade, como inerentes à atividade docente, entre as quais se destacam:

  • orientar e mediar o ensino para a aprendizagem dos alunos;
  • comprometer-se com o sucesso da aprendizagem dos alunos;
  • assumir e saber lidar com a diversidade existente entre os alunos;
  • incentivar atividades de enriquecimento cultural;
  • desenvolver práticas investigativas;
  • elaborar e executar projetos para desenvolver conteúdos curriculares;
  • utilizar novas metodologias, estratégias e materiais de apoio;
  • desenvolver hábitos de colaboração e trabalho em equipe.

Todas essas características estão registradas nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica, legislação orientadora da formação de professores no Brasil. Assim, tenta-se tensionar o núcleo profissional (cuja principal reprodução ocorre nas instituições de ensino superior) a reconhecer que os sistemas de idéias escolhidos (teorias) não só estão sujeitos ao erro, mas também protegem os erros e ilusões neles inscritos. Está na lógica organizadora desses sistemas resistir à informação que não lhes convém ou que não pode assimilar. Isso é uma das origens da categorização e hierarquização discriminatória às demais áreas de atuação no âmbito escolar.

Um exemplo de desconhecimento muito freqüente ocorre quanto a atuação da Educação Física na escola. Muitas vezes confundida com o período de recreação do estudante, é uma disciplina que utiliza inclusive recursos mais tradicionais, como o livro didático. Na proposta desse tipo de material – cuja melhor iniciativa foi proveniente da Secretaria de Educação do estado do Paraná – há uma preocupação em utilizar-se textos que discutiam a realidade em diferentes perspectivas de análise, assumindo que os conteúdos abordados são apenas alguns recortes possíveis dos conteúdos mais amplos que estruturam e identificam as disciplinas escolares. O sumário desse livro é emblemático em seus títulos, parecendo-nos importante sua reprodução parcial:

Conteúdo Estruturante: Esporte

  • 1 – O futebol para além das quatro linhas
  • 2 – A relação entre a televisão e o voleibol no estabelecimento de suas regras
  • 3 – Eu faço esporte ou sou usado pelo esporte?

Conteúdo Estruturante: Jogos

  • 1 – Competir ou cooperar: eis a questão
  • 2 – O jogo é jogado e a cidadania é negada

Conteúdo Estruturante: Ginástica

  • 1 – O circo como componente da ginástica
  • 2 – Ginástica: um modelo antigo com roupagem nova? Ou uma nova maneira de aprisionar os corpos?
  • 3 – Saúde é o que interessa? O resto não tem pressa!
  • 4 – Os segredos do corpo

Conteúdo Estruturante: Lutas

  • 1 – Capoeira: jogo, luta ou dança?
  • 2 – Judô: a prática do caminho suave

Conteúdo Estruturante: Dança

  • 1 – Quem dança seus males...
  • 2 – Influência da Mídia sobre o Corpo do Adolescente

O encontro com essa forma diversa de abordagem disciplinar provoca o surgimento de entrelugares (conforme formulação de Reinaldo Fleuri), contextos que constituem os campos identitários, subjetivos ou coletivos, nas relações e nos processos interdisciplinares. Assim, não são suprimidos os núcleos de atuação profissional, mas atua-se no campo da Educação – não entendido como o somatório de todos saberes disciplinares ou como o que sobra das disciplinas, mas como o que não é passível capturado por nenhuma delas. O campo da Educação é o que justifica a criação e permanência dos diferentes saberes profissionais.

É possível que a perspectiva seja a de uma evolução na integração curricular, onde considere-se a construção de conhecimentos pelo estudante como o objeto e o objetivo do processo escolar. O modelo a seguir parece ser representativo desse movimento, podendo levar à reflexão de em que estágio encontra-se nossa atuação como professores atualmente nas realidades que vivenciamos.

Apresentando a Pesquisa

Foi realizada uma “conversa informal” com a coordenadora pedagoga da Escola Estadual de Ensino Médio Agrônomo Pedro Pereira, localizada no bairro Agronomia. O propósito da entrevista era saber se o tema diversidade e diferença é tratado na escola e como ele é desenvolvido em salas de aula. A professora informou que o currículo solicita que este assunto seja abordado em sala de aula e que os professores são orientados a contextualizar, sempre que surge oportunidade, com o conteúdo que está sendo ministrado. Por exemplo, o professor de História ao explicar e caracterizar a Grécia Antiga, pode inserir a questão da homossexualidade a qual era natural naquela época. Para facilitar essa abordagem, ela ministra palestras aos professores com o intuito de esclarecer e orientar o caminho a seguir. No entanto, ela faz um questionamento: quais professores estão realmente preparados ou se sentem seguros para tratar um assunto tão delicado em sala de aula, além de que o professor é antes de tudo um sujeito o qual não está isento de ter preconceitos. Assim, como um professor preconceituoso irá promover a pluralidade de idéias, a superação dos estereótipos, a inclusão dos diferentes? É preciso, também, que a sociedade ultrapasse essas fronteiras.

A professora relata que já houve caso de aluno homossexual e que ele interagia muito bem com os demais, que não havia nenhum tipo de exclusão devido a sua orientação sexual.

Ao conversar com os alunos, eles encaram mais como se fosse uma brincadeira e nenhum admitiu ter algum tipo de preconceito, apenas reconheceram que se sentem melhor entre os pertencentes ao seu grupo, enfim aqueles que têm aspecto visual semelhante, os mesmos papos, sua tribo.

Conclusões

Tem-se percebido cada vez mais o quanto as diferenças permeiam nossa sociedade, seja em suas práticas como em seus saberes. No entanto, paradoxalmente, existe uma reação crescente ao encontro com o diverso, com o plural, com o outro. Edgar Morin defende que a Educação é uma das áreas prioritárias para facilitar a transposição de uma sociedade intransigente para uma que respeite e promova a diversidade. Para isso, defende o ensino da compreensão: as técnicas de comunicação ampliaram as possibilidades de encontro, porém não necessariamente as de compreensão. O ensino da compreensão entre as pessoas parece condição e garantia da solidariedade intelectual e moral da humanidade. O que nós estamos aqui chamando a atenção refere-se a um campo complexo em que se entretecem múltiplos sujeitos sociais, diferentes perspectivas epistemológicas e políticas, diversas práticas e variados contextos sociais.

Diante do exposto, torna-se indispensável a promoção de ações que são consideradas fundamentais: penetrar no universo de preconceitos e discriminações presentes na sociedade, questionar o caráter monocultural e o etnocentrismo, articular igualdade e diferença, resgatar os processos de construção das nossas identidades culturais, promover experiências de interação sistemática com os “outros”, reconstruir a dinâmica educacional. Estas ações visão a constituição de múltiplos, transitórios e paradoxais significados, promovendo relações simples entre culturas complexas, com a transposição das fronteiras existentes, sejam elas quais forem.

Referências

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