A neurose obsessiva

Construção Hipertextual dos Alunos da Disciplina de Psicopatologia II - UFRGS 2007/02

 

O que é Neurose Obsessiva?

Para responder à essa questão, vamos reconstituir brevemente a concepção de neuropsicoses de defesa o início de uma teoria como primeira formulação do que veio ser chamado de neurose por Freud (1894-1895)

Ao interpretar psiquicamente sintomas caracterizados por idéias obsessivas, Freud formula uma teoria sobre a neurose obsessiva. Ao lado da histeria, surgia outra forma de neurose, a neurose obsessiva.

O caso “O Homem dos Ratos”

No caso clínico conhecido como “O Homem dos Ratos", Freud (1909) tece algumas considerações teóricas sobre a neurose obsessiva.

Na segunda parte da obra, Freud retoma algumas idéias que já vinha construindo desde 1896, quando publica os primeiros estudos sobre o tema, e aborda algumas peculiaridades que ainda não havia analisado.

Ao analisar a formação da neurose obsessiva, Freud considera que o recalque efetua-se mediante a ruptura de conexões causais, resultando em estranhas autocensuras, já que o afeto liga-se a causas errôneas. Dessa forma, a “idéia obsessiva” mostra, pela sua deformação, vestígios da luta defensiva primária e que, através da defesa secundária, o eu recalca, mais uma vez, os sintomas do retorno do recalcado, criando-se ações obsessivas (por exemplo, medidas protetoras cerimoniais).

Além disso, Freud (1909) também discorre sobre algumas peculiaridades do neurótico obsessivo como a onipotência de seus pensamentos e a necessidade de incerteza e da dúvida em suas vidas. Quanto ao primeiro, ele explica que, devido à onipotência dos seus pensamentos, os neuróticos obsessivos são compelidos a superestimar os efeitos de seus sentimentos hostis sobre o mundo externo. Em relação aos outros dois (incerteza e da dúvida), Freud (1909) diz que os neuróticos obsessivos esforçam-se por protelar qualquer decisão e são incapazes de chegar a uma decisão, especialmente em matéria de amor, atribuindo como origem destas dificuldades o conflito entre amor e ódio durante a infância. Assim ele escreve: “O amor não conseguiu extinguir o ódio, mas apenas reprimi-lo no inconsciente; e no inconsciente o ódio, protegido do perigo de ser destruído pelas operações do consciente, é capaz de persistir e, até mesmo, de crescer [...] Se a um amor intenso se opõe um ódio de força quase equivalente, as conseqüências imediatas serão certamente uma paralisia parcial da vontade e uma incapacidade de se chegar a uma decisão”. Segundo ele, seria justamente a dúvida em relação a suas medidas protetoras, que leva a sua compulsiva repetição, cuja finalidade seria expulsar a incerteza. Caso as medidas não sejam obedecidas, o sujeito é acometido por angústia.

A neurose obsessiva também fio abordada por Freud (1926) no texto “Inibição, Sintoma e Angústia”.


Camille Claudel e a neurose obsessiva: uma hipótese.

Com a colaboração de Jan Ruschel Wierzchowski