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o impacto sobre a criança e o adolescente • texto completo |
| A Formação |
Os Estados Unidos são vistos, corretamente, como estando entre os países mais violentos. Por exemplo, as taxas de homicídio excedem de longe àquelas de qualquer outro país industrializado e são, de fato, duas a três vezes mais altas do que aquelas da segunda nação no ranking. Entre os países industrializados, os Estados Unidos também possuem as mais altas taxas de agressões sérias não fatais.
De acordo com os números do Departamento de Justiça, foram cometidos mais de 10,9 milhões de crimes violentos em 1994. Os tipos e a extensão dessa violência estão ilustrados na Tabela 1. As taxas de homicídio mais do que duplicaram de 1955 a 1992, de 4,5 para 10,0 para cada 100.000 pessoas. Nessas circunstâncias, o medo da violência é um sentimento comum e compreensível.
É especialmente preocupante a freqüência que os jovens praticam a violência. A taxa de homicídio perpetrada por menores de 24 anos é, como índice geral, a mais alta no mundo, porém é quase oito vezes maior do que o índice do país industrializado mais próximo no ranking. O fato de que as taxas de crime atingem seu máximo no final da adolescência foi bem conhecido por muitos anos, mas a taxa de homicídio entre aqueles de 18 a 24 anos aumentou agudamente desde 1985. Embora os padrões específicos de idade para roubo, também um crime violento, terem permanecido essencialmente sem modificações, um terço dos homicídios juvenis envolveram estrangeiros. As taxas de crimes violentos entre crianças e jovens adolescentes subiram a cifras alarmantes nos últimos anos (126% entre aqueles de 13 e 17 anos de 1976 a 1992), uma tendência que sugere uma escalada posterior nas taxas gerais à medida que aumenta a idade desses transgressores. Além disso, certos grupos (por exemplo, adolescentes do sexo masculino e afro-americanos) correm um risco maior do que os outros de serem vítimas.
A prevenção da violência pode ser tratada
não somente pelo sistema de justiça criminal, mas
também através de uma estrutura de saúde pública. Mercy e
seus colegas (1993) do Centro de Controle de Doenças
e Prevenção caracterizaram a abordagem de saúde
pública como possuindo três etapas: a primeira etapa é
obter melhores dados, a partir dos quais podem ser
identificados fatores de risco e, dessa forma,
desenvolvidas, implementadas e avaliadas as intervenções. Como
os esforços para diminuir os acidentes de automóveis,
a abordagem de saúde pública sobre a violência é dirigida
a níveis diferentes, incluindo elementos
educacionais, regulamentares ou legislativos, bem como
mudanças tecnológicas. Tal abordagem pode não apenas reduzir
a violência. No entanto, um relatório recente da
RAND sugeriu que os esforços de prevenção também
tivessem melhor custo-benefício.
Tabela 1
Estatísticas Criminais nos Estados Unidos - 1994
As preocupações a respeito do impacto da violência na televisão sobre a saúde pública surgiram logo após seu desenvolvimento como um meio de entretenimento. Em 1952, um editorial no Jornal da Associação Médica Americana - JAMA levantou esse tópico como um problema de saúde pública ao mesmo tempo que as primeiras audiências do Congresso a respeito do impacto da televisão sobre a delinqüência estavam acontecendo. Audiências adicionais do Congresso referentes à mídia e à violência ocorreram com menor regularidade desde então. Em seu encontro anual de 1976, a Associação Médica Americana (AMA) adotou uma política de apoio à pesquisa acerca do impacto da violência na mídia. No mesmo encontro, também foi adotada uma resolução declarando que a AMA reconhece o fato de que a violência na TV é um fator de risco que ameaça a saúde e o bem-estar dos jovens americanos, na verdade a nossa sociedade futura. Em 1982, a AMA reafirmou sua vigorosa oposição à violência na televisão e seu apoio aos esforços destinados a aumentar a conscientização dos médicos e pacientes de que a violência na televisão é um fator de risco que ameaça a saúde dos jovens. Essa política permanece em vigor.
O Gabinete de Saúde Pública, principal órgão da saúde pública da nação, abordou a questão da violência na televisão através do uso de um referencial de saúde pública no final da década de 1960, produzindo um relatório, em 1972, intitulado Televisão e Crescimento: O Impacto da Violência na Televisão. O relatório concluiu que a violência atingia efetivamente algumas crianças, tornando-as mais agressivas do que seriam de outra forma. Em 1982, um relatório de acompanhamento do Instituto Nacional de Saúde Mental confirmou essas descobertas e sugeriu questões relevantes de pesquisa.
Outras organizações médicas, incluindo a Academia Americana de Pediatria, a Associação Americana de Psiquiatria e a Academia Americana de Psiquiatria da Infância e Adolescência, emitiram declarações referentes à questão da violência na televisão. A opinião pública deu atenção a esses alertas científicos e médicos: 91 % dos americanos adultos acreditam que a violência na mídia gera violência na vida real e 54 % acreditam que ela é um de seus principais contribuidores. Os números comparáveis para os líderes da indústria de entretenimento são 87 % e 30% respectivamente.
Ninguém acredita que a violência na televisão ou em outros meios de comunicação de massa seja, de forma isolada, a única responsável pelos altos níveis de violência na sociedade norte-americana. As explicações incluem tanto causas psicológicas quanto biológicas, as quais indubitavelmente interagem umas com as outras de modo desconhecido. (Ver Reiss e Roth [1993] para uma visão geral). Dentre os fatores que contribuem para o problema nacional da violência estão a pobreza, o racismo, a falta de coesão familiar, o uso de drogas ilegais, o desemprego e outros. O tráfico de drogas ilegais e o uso de todas drogas psicoativas colaboram para os altos índices de violência da nação, bem como as expectativas de acesso a bens materiais e ao consumo daqueles bens - opções inatingíveis para muitos.
Apesar das múltiplas causas da violência, a exibição de violência na mídia tem efeitos inequívocos. Há correlações significativas entre a freqüente xposição à violência na televisão e o comportamento agressivo, e as evidências indicam claramente que o último é uma conseqüência da primeira.
Atualmente, as questões das pesquisas
estão enfocando os mecanismos e a magnitude dos efeitos
da exibição de violência na mídia. Quais as crianças (e
adultos) que estão mais suscetíveis de tomar atitudes que
favoreçam uma resolução violenta para os problemas da vida?
Quais as crianças e adultos que se tornam dessensibilizados
frente às demonstrações de comportamento violento? Quais
as crianças e adultos que se tornam amedrontados ou
passam a ver o mundo como excessivamente perigoso por
causa das descrições da mídia, e quais são as implicações de
tais efeitos para a sociedade? Quais são os efeitos
específicos das diferentes formas de mídia? Falta responder a essas
e outras questões de pesquisa, mas certamente não
é necessário ter respostas completas para se dar alguns
passos no tratamento dessa questão.
Crianças e Aprendizagem
A influência da televisão é compreensível quando nos lembramos de como é que as crianças aprendem. Desde o surgimento da raça humana, as crianças aprenderam habilidades e valores observando os demais. Os bebês, por exemplo, desenvolvem a linguagem imitando seus pais. As crianças são como esponjas em sua capacidade para absorver o conhecimento, exatamente desde o momento do nascimento. Com experiência limitada, elas se baseiam nos modelos para aprender a agir no mundo.
As crianças adquirem os valores da mesma forma. Através da observação, da imitação, bem como das interações por tentativa e erro, elas gradualmente aprendem o que é importante na vida e o que não é, o que tem valor o que não tem. Os jogos dramáticos das crianças são um exemplo claro desse fenômeno em funcionamento. As crianças literalmente experimentam o comportamento adulto, vestindo as roupas dos adultos e imitando o comportamento que observaram.
A Mídia na Vida Diária
Da mesma forma que a invenção da imprensa em meados do século XV modificou profundamente a sociedade e a história, assim também as mudanças fenomenológicas na tecnologia de comunicações do século XX estão alterando a sociedade à medida que nos aproximamos do novo milênio. A Era Industrial está rapidamente dando lugar à Era da Informação. O rápido desenvolvimento dos meios de comunicação de massa, ao longo do século XX, modificou a forma como vivemos e a forma como nossos filhos aprendem a passar seu tempo. Talvez a mudança mais revolucionária para as famílias e as crianças tenha sido a invenção de um poderosíssimo professor eletrônico: a televisão.
A televisão foi inventada em 1929, mas não foi produzida ou distribuída em massa até o final da II Guerra Mundial. Entretanto, já em 1938, seu impacto potencial sobre a cultura foi compreendido por um perspicaz observador. E. B.White, autor de Charlotte's Web, escreveu naquele ano: Acredito que a televisão será o teste do mundo moderno e que nesta nova oportunidade de ver além do nosso campo de visão descobriremos ou uma nova e insuportável perturbação da paz geral ou um brilho salvador no céu. Permaneceremos ou cairemos por causa da televisão. Com essas palavras, White anteviu o enorme impacto que a televisão teria sobre a cultura e a sociedade.
Tendo iniciado por volta de 1950 essa tecnologia maravilhosa, ofereceu às crianças uma gama inteiramente nova de modelos a serem copiados. O rápido crescimento desse meio foi fenomenal. Em 1950, apenas 10% das famílias norte-americanas possuíam um aparelho de televisão. Ao final da década, essa percentagem havia subido vertiginosamente para 90%. Atualmente, 99% dos lares norte-americanos possuem um aparelho de TV. As famílias têm mais televisores do que telefones. A média da família norte-americana possui 2,4 aparelhos. Muitas crianças nos Estados Unidos possuem um aparelho de TV no seu próprio quarto, o qual, como um professor particular, pode servir para os melhores ou para os piores propósitos.
A televisão não é apenas onipresente, mas também ocupa um papel proeminente na vida das crianças. A criança média norte-americana passa aproximadamente 28 horas por semana assistindo televisão. No período de um ano, as crianças norte-americanas em idade escolar passam duas vezes mais tempo assistindo TV do que na sala de aula. O tempo gasto em frente ao televisor ou tela de vídeo corresponde à maior parcela de tempo investida desde o despertar da vida de uma criança norte-americana. Para muitas famílias, a televisão é parte da sua formação. A família norte-americana média tem o televisor ligado durante sete horas por dia. Sessenta por cento das famílias têm o televisor ligado durante as refeições. Os pais muito ocupados podem utilizar a televisão como uma babá.
Há uma correlação inversa entre o status sócio-econômico e o tempo de permanência frente ao televisor: quanto mais baixa a renda familiar maior o tempo gasto pelas crianças daquela família assistindo TV. Isso não é de surpreender, uma vez que as famílias com menos dinheiro não podem pagar por atividades alternativas. Além disso, as crianças pobres algumas vezes vivem em locais com vizinhanças inseguras, onde não é aconselhável brincar na rua. Muitas dessas crianças voltam para casa após a escola e trancam a porta. A atividade preferida por muitos nessa situação é passar o tempo assistindo TV. Essa talvez seja a nossa população infantil mais vulnerável e sugestionável.
As décadas recentes trouxeram mudanças adicionais. A TV a cabo, videocassetes, video games interativos e computadores pessoais apareceram, cada vez mais, nos lares. Essas invenções não apenas afetaram a quantidade de tempo gasto pelas crianças em frente a uma tela, como também fizeram mudanças significativas no que elas estão assistindo. Os videocassetes, por exemplo, permitem que as crianças assistam filmes e a programação veiculada tarde da noite, a qual não está direcionada para elas. A TV a cabo e a Internet expandiram amplamente o número de opções e forneceram acesso ao entretenimento adulto.
As crianças passam hoje mais tempo aprendendo sobre a vida na mídia do que em qualquer outra forma. A mídia eletrônica é um professor notável para a juventude de hoje, bem como a atrai fortemente. A combinação de informações visuais com auditivas faz a televisão, os vídeos e os video games muito mais atraentes do que outros meios de comunicação de massa, tais como os livros.
Tradicionalmente, a família, a religião e a
escola exerciam a principal influência sobre o
desenvolvimento intelectual, emocional e moral de uma criança. Isto não
é mais assim. Em termos de tempo gasto, a maior
influência agora é a do televisor, acompanhada por um
crescente impacto de outros meios. O pesquisador de mídia
George Gerbner chamou a televisão de nosso
contador de histórias cultural.
| SUMÁRIO |
APRESENTAÇÃO
Guia Médico sobre Violência na Mídia
Uso da Mídia: Sugestões aos Pais
Conteúdo
Resumo
A Formação
O Impacto da Mídia
Recomendações
Fontes de Informação
Valores Sociais e Meios de Comunicação de Massa (Pesquisa RETRATO/IBOPE)
Uma Força a ser Utilizada
A Violência na Mídia: Aspecto Jurídico
O Poder Atribuído
A Violência e as suas Formas
O Poder da Imagem