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o impacto sobre a criança e o adolescente • texto completo |
| O Impacto da Mídia |
Uma vez que a televisão é um professor tão poderoso, fica evidente que ela deve ser capaz de ensinar coisas positivas e produzir resultados benéficos. Isto certamente é verdade. Há literatura substancial demonstrando esses efeitos. De fato, o programa Vila Sésamo é o mais extensivamente pesquisado na história. Seu produtor, Children's Television Workshop (Oficina de Televisão Infantil), coletou centenas de estudos, mostrando seus benefícios educacionais.
Os potenciais efeitos positivos da televisão e dos vídeos para crianças se enquadram nas seguintes categorias:
Habilidades Cognitivas. Já nas décadas
de 1950 e 1960, a televisão era usada para ensinar a alunos
de todas as idades várias habilidades acadêmicas. As
pesquisas mostram que ela pode ser eficaz no desenvolvimento
de habilidades de leitura, vocabulário, matemática,
resolução de problemas e criatividade, como foi demonstrado
por programas como Vila Sésamo e Mr. Roger's
Neighborhood.
Conteúdo
Acadêmico. Os estudantes se beneficiaram, ao longo da segunda metade do século XX, com a apresentação eficaz pela mídia de
informações pertencentes a diversas áreas de conhecimento,
incluindo história, arte, música, ciência, antropologia,
literatura e muitas outras. Discover e The Magic School Bus são exemplos.
Comportamento Pró-social. Alguns estudos mostram que as crianças podem aprender comportamentos positivos, tais como importar-se com os
outros, persistência na realização de tarefas, cooperação,
empatia e outros através de vários programas, tanto na
televisão comercial quanto na pública.
Nutrição e
Saúde. A televisão pode ser
uma fonte principal de informações sobre uma grande
variedade de tópicos relacionados com a saúde. Além
da aprendizagem que ocorre através dos programas,
anúncios de utilidade pública e de alguns comerciais, também
podem ser eficazes na promoção de hábitos positivos de saúde.
Questões Sociais e
Políticas. As pessoas hoje estão muito melhor informadas sobre os
acontecimentos que moldam sua sociedade e cultura do que
quaisquer outras ao longo da história. Essas informações
são veiculadas não apenas através de programas
noticiários, como também através de programas de
entretenimento. Apresentações dramáticas de questões sociais
como violência familiar, discriminação racial e outras
aumentam a conscientização desses problemas e podem até
incentivar movimentos para abordá-las.
Observe-se que muitos desses efeitos positivos, ainda que abundantes na teoria, são na verdade mínimos na prática. Quase todos os observadores lamentaram a falha repetida da televisão em atingir seu potencial na veiculação desses benefícios. Embora existam ilhas de excelência, elas flutuam em um vasto mar de desapontamentos e prejuízos.
A rápida proliferação de computadores pessoais também tem o potencial de gerar benefícios. Esses incluem o seguinte:
Efeitos Gerais Adversos
Os efeitos sobre o estilo de vida relacionados à exposição excessiva à televisão (ou envolvimento com outras atividades relacionadas aos meios de comunicação de massa) desencadearam várias preocupações com a saúde. Em primeiro lugar, tais atividades são essencialmente sedentárias e tiram o tempo de outras predominantemente físicas. Em segundo lugar, essas atividades podem promover hábitos alimentares indesejáveis, por exemplo, lanchar alimentos com alto teor de gordura e sal ou simplesmente comer demais (o que é promovido pelos comerciais da TV, lancherias de cinemas e assim por diante). Em terceiro lugar, as atividades da mídia são freqüentemente solitárias, ou seja, elas reduzem contatos interpessoais significativos. Finalmente, a grande quantidade de tempo consumida por essas atividades diminui o tempo disponível para outras, incluindo sono, temas de casa, leitura, socialização, comunicação familiar e assim por diante. A Tabela 2 resume algumas das preocupações sociais e de saúde relacionadas com o excesso de exposição à mídia.
Um número crescente de evidências comprova a premissa de que uma alta exposição à televisão constitui um fator de risco para a obesidade infantil e adolescente. Esse risco persiste mesmo quando são feitos ajustes para outros fatores como situação sócio-econômica, excesso de peso da mãe e etnia. Um estudo calculou que 60% da incidência de excesso de peso em jovens de 10 a 15 anos poderia estar relacionada ao excesso da permanência frente ao televisor (superior a 5 horas diárias). A exposição à televisão tem sido evidenciada tanto pelo início de novos casos de obesidade quanto pela falta de moderação entre as crianças já obesas.
Também existe uma preocupação considerável quanto aos efeitos do conteúdo das mensagens dos comerciais sobre o comportamento das crianças. Estudos sugerem que altas taxas de exposição à televisão estão relacionadas com o aumento do uso de tabaco, do consumo de álcool e do início precoce da atividade sexual. Esses estudos indicam que ver televisão promove tais comportamentos ao invés de simplesmente servirem como indicadores para um maior uso da televisão. Essas observações comprovam uma tendência, bem documentada, das crianças imitarem os padrões comportamentais mostrados na televisão.
A promoção de comportamentos sexuais, por exemplo, é preocupante devido ao modo pelo qual a sexualidade é mostrada na televisão. O adolescente médio está exposto a cerca de 14.000 referências ligadas a sexo durante o ano. A atividade sexual apresentada raramente ocorre entre cônjuges, raramente demonstra a escolha da abstinência sobre o ato, com pouca freqüência alude à contracepção e, com grande freqüência, contém elementos de coerção, degradação ou exploração. Problemas similares existem com os retratos estereotipados ou amplamente negativos de mulheres, minorias, gays e lésbicas, bem como daqueles que praticam religiões minoritárias. Finalmente, a linha divisória entre o conteúdo dos programas e as mensagens comerciais pode ser obscurecida, por vezes, especialmente na programação infantil. Isso é duplamente ruim, uma vez que freqüentemente falta às crianças menores a habilidade, tanto para apreciar o objetivo da propaganda quanto para distinguir entre o programa e a publicidade.
O enfoque incansável da televisão sobre
o consumo, tanto dentro dos programas quanto através
do interminável desfile de comerciais, promove valores
de compra e de propriedade. Para aqueles incapazes
de usufruir dos estilos de vida retratados, isso pode levar
a sentimentos de inveja, baixa auto-estima, privação
de privilégios e ódio. Furto, agressão e mesmo
assassinatos têm ocorrido como conseqüência.
Tabela 2
O Excesso de Exposição à Mídia e suas Potenciais Conseqüências Adversas
O Conteúdo Violento e seus Efeitos Adversos
Embora uma pequena porcentagem de programas de televisão seja produzida com o objetivo de educação, esse não é o objetivo da grande maioria.
Para a maioria dos programas, o objetivo é gerar lucros.
A transmissão da TV é paga por anunciantes que têm produtos
e serviços a vender. Quanto mais as pessoas assistem
certos programas (em outras palavras, quanto mais altos os
índices de audiência), mais dinheiro as empresas de
televisão
podem cobrar pelo espaço comercial. No caso
de proprietários de TVs a cabo, uma audiência maior
significa uma demanda equivalente, de forma que eles
podem aumentar o preço de assinatura. Portanto, o objetivo
da televisão é captar a atenção do público e mantê-la
por tempo suficiente para que os anunciantes vendam
seus produtos.
Não é tão fácil, entretanto, captar a atenção
de alguém e mantê-la. É particularmente desafiador
quando o público-alvo torna-se dessensibilizado devido à
exposição repetida à programação da televisão. A forma mais eficaz de prender a atenção de alguém é estimular uma
resposta. Conseqüentemente, os produtores de televisão
tentam incitar emoções fortes nos telespectadores para obter
sua atenção. E certas coisas provocam isso de forma mais
eficaz do que outras. No topo da lista está a violência. A
violência é altamente eficiente para provocar uma resposta.
A violência é universalmente compreendida e
valorizada, cruzando fronteiras geográficas e culturais de
maneira eficaz, uma vantagem decisiva para ampliar ao máximo
o mercado de um programa.
Uma vez que o objetivo é captar a atenção
do telespectador, não é de surpreender que a violência
tenha sido um tema proeminente na televisão desde
sua introdução. Muitas centenas de estudos abordaram
a questão: Qual é o efeito do entretenimento violento sobre as
crianças? Todos os tipos de estudos têm sido realizados -
pesquisas, análises de conteúdo, experiências,
estudos epidemiológicos, estudos em nível nacional e
estudos longitudinais. Embora nem todos esses estudos sejam
da mesma qualidade, a própria magnitude e consistência
das conclusões é impressionante. As organizações
profissionais constantes da Tabela 3 têm revisado a literatura
científica e estão entre aquelas que foram registradas afirmando
que há evidências esmagadoras de que o
entretenimento violento é um fator causal na promoção de atitudes
e comportamento agressivos.
Tabela 3
Organizações Americanas que Concluíram que o Entretenimento Violento Gera Comportamento Violento
A literatura é suficientemente ampla para permitir uma meta-análise, um conjunto de procedimentos estatísticos que permite a inclusão de dados de um grande número de estudos. Os pesquisadores de mídia Comstock e Paik empreenderam essa meta-análise e relataram que há um clara relação de causa e efeito entre a exposição à violência da mídia e as atitudes e o comportamento agressivos. A Professora Aletha Huston, da Universidade do Kansas, testemunhou perante o Congresso, afirmando que virtualmente todos os estudiosos independentes concordam que há provas de que a TV pode causar comportamento agressivo.
É impossível analisar uma literatura tão vasta neste espaço limitado. Esta amostra de conclusões é ilustrativa, embora não exaustiva.
Embora tenham ocorrido menos pesquisas sobre os efeitos da violência nos video games por ser uma tecnologia nova e em rápida mudança, há poucas razões para se duvidar de que as conclusões sobre outros estudos de mídia também se aplicarão aqui. A indústria do video game é recente, mas está crescendo rapidamente. Em 1992, ela teve um faturamento bruto de mais de US$ 5,3 bilhões. Seu mercado é esmagadoramente voltado aos jovens. Os video games estão se tornando cada vez mais realistas graças aos avanços na tecnologia gráfica. Entre 1994 e 1996, a tecnologia avançou de 16 bits para 32 bits e de 32 bits para 64 bits. O resultado são imagens de vídeo mais claras, melhor definidas e muito mais realistas.
Muitos jogos são produzidos como acompanhantes de filmes populares violentos. A propaganda desses jogos os promove tanto como mais violentos quanto como mais realistas. O objetivo final é um jogo de realidade virtual, onde a violência é indistinguível daquela da vida real. Nos últimos anos, os video games recordistas de vendas têm sido o Mortal Kombat, o Mortal Kombat II e o Doom. Cada versão se torna mais violenta que as anteriores. O objetivo de cada um não é apenas matar seu oponente, mas dominar as habilidades para fazê-lo de forma mais cruel. Esses jogos são particularmente envolventes, uma vez que os usuários são ativos ao invés de passivos, e são recompensados com escores mais altos por cometerem mais mutilações.
Muitos filmes com um conteúdo notoriamente violento recebem classificações que visam afastar os espectadores mais jovens, porém vários fatores contribuem para que isso não ocorra. Em primeiro lugar, comerciais arrebatadores desses filmes são mostrados na televisão em cartazes e como trailers apresentados antes de filmes classificados como para todas as idades, fazendo com que mesmo as crianças mais jovens fiquem pelo menos cientes do filme e com grande vontade de vê-lo. Em segundo lugar, alguns pais não selecionam as opções de filmes e podem mesmo levar crianças pequenas para o cinema apesar das classificações ou análises. Em terceiro lugar, em muitas partes do país os cinemas não são tão rigorosos quanto à vigilância de crianças tentando entrar para assistir filmes indicados para maiores de 17 anos. E, finalmente, tais filmes são rapidamente lançados nas videolocadoras, onde eles também podem ser locados a crianças mais jovens ou mais velhas e a adultos, que permitem que as crianças assistam tais fitas.
Além disso, a maior parte dos observadores acredita que o desmoronamento das classificações afetou a atribuição das classificações de forma que, a cada ano, se permite que mais violência escorregue para dentro dos filmes sem ter sua classificação alterada de PG (sugerida supervisão dos pais) para PG-13 (pais advertidos com veemência) ou de PG-13 para R (restrito à idade de 17 anos ou mais sem acompanhamento dos pais ou adulto responsável). Pesquisas recentes sugerem que algumas crianças ficam mais interessadas por um filme se sua classificação indica que ele é para pessoas mais velhas. E, infelizmente, as crianças mais agressivas têm maior tendência de serem atraídas pelo chamariz dessa atração fora dos limites.
Como a violência na mídia afeta o comportamento e as atitudes dos espectadores, especialmente crianças? Os seguintes efeitos são da maior preocupação:
Imitação de
Comportamento. Uma vez que a principal forma de aprendizado das crianças mais jovens é a observação e a imitação, não é surpreendente que as pesquisas demonstrem que as crianças imitam o comportamento que vêem na televisão, iniciando já aos 14 meses de idade. Embora as crianças imitem os comportamentos sociais positivos que observam na mídia,
também imitam os comportamentos violentos, agressivos.
Para as crianças mais pequenas essa imitação
inclui quadrinhos e desenhos, que elas não distinguem
da violência real. Programas como Power Rangers e Tartarugas Ninja são exemplos que demonstram esse fenômeno.
Heróis Violentos. As crianças competirão e imitarão os modelos que são apresentados. Os modelos dos
quais elas gostam e que são considerados atraentes são
ainda mais influentes. Esse é o motivo pelo qual os
heróis violentos são mais prejudiciais às crianças do que
os vilões violentos: o Programa de televisão
Cops e os filmes do Exterminador são exemplos.
Violência
Recompensada. A violência, que é
glamurizada ou mostrada como eficaz, ensina às crianças que esta
é premiada em nossa sociedade. Isso aumenta a
imitação desse comportamento na vida real.
Violência
Justificada. A violência tende a ser mais
imitada se ela contiver implícita a mensagem:
Está correto recorrer à violência, contanto que você acredite estar no seu direito. Qual criança não acredita estar com a razão em uma
situação de conflito?
Dessensibilização. A exposição repetida a qualquer estímulo provocador de emoções sem as subseqüentes conseqüências leva à dessensibilização. A exposição constante à violência da mídia atenua a eação a ela com o passar do tempo. Não apenas ocorre um decréscimo na reação à violência, mas também há uma falta de solidariedade para com as vítimas dos ataques.
Vários estudos demonstraram esse efeito também
em adultos (por exemplo, os homens tornam-se menos sensíveis para com as vítimas de violência doméstica após assistir filmes violentos).
Aumento do Medo. Com pesada ênfase da mídia sobre
a violência, o mundo parece um lugar atemorizante
para o espectador jovem impressionável. Este é
um problema especialmente para as crianças menores,
que podem ter capacidade limitada para compreender
que aquilo que elas estão observando não é
real. Gerbner chamou esse efeito de longo prazo, que induz ao
medo, de síndrome do mundo cruel. Além disso, mesmo
a exposição a um único filme, programa de televisão
ou reportagem pode resultar em depressão
emocional, pesadelos ou outros problemas relativos ao sono
em muitas crianças, particularmente as mais pequenas.
As crianças amedrontadas podem estar mais sujeitas a
se tornarem vítimas ou agressores.
Maior Apetite pela Violência. O processo de dessensibilização descrito anteriormente aumenta a tolerância do espectador para mais violência. Quanto mais alguns espectadores assistem, mais eles querem. As pesquisas mostraram que as seqüências dos filmes de ação quase sempre contêm mais violência do que o original.
Violência Realista. As crianças são
emocionalmente mais reativas aos programas que retratam a
violência realista do que àqueles de ficção. O crescimento
recente da popularidade deste tipo de programa de televisão
é uma fonte de preocupação. Os retratos nítidos
ou sensacionalistas da violência nos noticiários
podem produzir essa reação tanto quanto os programas
de crimes fictícios. As crianças mais jovens, é claro,
podem ser incapazes de fazer essa distinção entre a fantasia e
a realidade.
Cultura do Desrespeito. De acordo com o Psicólogo David Walsh, talvez o efeito mais prejudicial da dieta constante de entretenimento violento voltado às crianças seja a criação e a sustentação de uma cultura do desrespeito. O comportamento violento em si mesmo é o ato máximo do desrespeito. Para cada jovem que pega uma arma e atira em alguém, há muitos milhares de outros que não o fazem. Mas eles estão desrespeitando uns aos outros, empurrando, puxando, batendo e chutando com freqüência crescente. Isso torna as linhas que separam aqueles comportamentos mais fáceis de serem cruzadas. O resultado é que nós redefinimos a forma como devemos tratar uns aos outros.
| SUMÁRIO |
APRESENTAÇÃO
Guia Médico sobre Violência na Mídia
Uso da Mídia: Sugestões aos Pais
Conteúdo
Resumo
A Formação
O Impacto da Mídia
Recomendações
Fontes de Informação
Valores Sociais e Meios de Comunicação de Massa (Pesquisa RETRATO/IBOPE)
Uma Força a ser Utilizada
A Violência na Mídia: Aspecto Jurídico
O Poder Atribuído
A Violência e as suas Formas
O Poder da Imagem