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o impacto sobre a criança e o adolescente • texto completo |
| Recomendações |
Por volta da metade dad década desde 1950, tem havido alaridos e clamores sobre os efeitos deletérios da violência na mídia para a saúde pública. Cada vez que os cientistas retornam a massa de conclusões confirmadores das pesquisas compiladas desde a última onde de preocupação do público, os políticos e legisladores propõem novas políticas para modificar a situação, as transmissoras, os produtores e os criadores de filmes lembram a Primeira Emenda da Constituição juram que estão apenas dando às pessoas o que elas querem, uma vez que ao final das contas, elas assistem, e então prometem ter preocupações mais cívicas e reduzir o conteúdo violento de suas programações de qualquer forma; e a onda de
preocupação se vai ao mesmo tempo em que os negócios continuam como sempre.
Tentativas de fazer leis ou criar sanções mais severas que as já existentes destinadas a reduzir a quantidade, tipo e disponibilidade dos materiais violentos na mídia, mostraram repetidas vezes ser desapontadoras. Nos anos mais recentes, os esforços de saúde pública se voltaram para a educação pública e ao uso crescente de tecnologia. As anteriores incluíram campanhas de leitura para crianças e projetos designados para encorajar um maior envolvimento dos pais nas escolhas de mídia da família. A Academia Americana de Pediatria desenvolveu uma abordagem (a Equipe de Recursos de Mídia) de trabalho com a indústria de entretenimento para oferecer análises de roteiros e responder a questionários sobre a adequação do material proposto para crianças.
Os esforços tecnológicos incluíram, por exemplo, software [Net Nanny (Babá da Net), Cyberpatrol (Patrulha Cibernética) e Surf Watch (Observador do Surfe)] elaborados para evitar que certos materiais sejam acessados via computador, por exemplo, tentativas para restringir que certos jogos ou imagens sejam carregados ou a participação em grupos de conversação on line sobre tópicos específicos. Esta abordagem é limitada pela necessidade dos pais de aprender como comprar e/ou utilizar tal software e a habilidade freqüentemente observada das crianças e fornecedores on line de encontrar maneiras de escapar das restrições impostas pelo software.
Está em andamento um esforço semelhante para permitir a seleção dos programas da televisão. A Lei de Telecomunicações de 1996 exige a criação de um sistema de classificação da televisão e determina sua incorporação em todos os novos circuitos eletrônicos de televisão especializados (os chamados V-chips). Tais circuitos permitirão programas com classificações específicas, durante certos períodos de tempo, ou de estações selecionadas a serem bloqueadas a partir do mostrador. Embora certamente promissor, esse esforço será necessariamente limitado pela qualidade do sistema criado e pelo tempo exigido para que esses novos aparelhos de televisão substituam o estoque dos que não contêm os chips, bem como pela necessidade da consciência, educação, envolvimento e utilização do sistema de programação por parte dos pais.
A indústria da televisão recentemente concordou em aumentar a auto-regulamentação e criou um Grupo de Implementação do Sistema de Classificação da Televisão Infantil. Espera-se que esse processo, de certa forma modelado de acordo com o sistema de classificação dos filmes, já tenha um sistema em funcionamento em 1997. É válido observar, entretanto, que a indústria da televisão agiu somente quando confrontada com a ameaça de um sistema de classificação imposto pelo governo. Muitos constataram que o próprio sistema de classificação de filmes é deficiente (inclusive o da Associação Médica Americana), e considera-se que a tarefa de planejar um sistema de classificação de televisão significativo seja ainda mais complexa e desafiadora. Portanto, os consumidores devem continuar a ser vigilantes e não confiar exclusivamente nas garantias da indústria ou nos auxílios tecnológicos.
Em resumo, não há soluções rápidas despontando no horizonte. E esse fato ressalta a necessidade dos médicos darem a sua contribuição.
Sugestões para Médicos
Muitos médicos sentem-se desconfortáveis ou inseguros para desempenhar um papel na área dos efeitos da mídia sobre os pacientes. Alguns médicos não estão familiarizados com a literatura sobre o assunto ou não estão convencidos de que esta seja conclusiva ou persuasiva. Outros médicos sentem que as atividades das horas de lazer são opções pessoais, que é tarefa dos pais tomar decisões em favor de seus filhos, ou que os pacientes ou os pais ficarão ofendidos com as recomendações médicas. Finalmente, alguns médicos podem sentir-se desatualizados em relação aos programas de televisão, vídeos musicais ou jogos de computador e ficam relutantes para não parecer ignorantes ou fora de moda diante de seus pacientes mais jovens ou seus pais.
Existem, é claro, preocupações médicas
semelhantes sobre várias questões de saúde pública e de
prevenção, tais como atividade sexual, dieta, gravidez,
violência familiar e abuso de drogas (entre outras). Nessas
áreas, os médicos tentam educar seus pacientes sobre o
estado atual de conhecimento, lacunas e tudo mais. Eles, com
freqüência, têm que fazer perguntas difíceis, intrometidas
e potencialmente embaraçosas e oferecem conselhos
que poderiam não ser bem-vindos, levados em
consideração ou mesmo gerar ressentimentos. Mas fazem essas
coisas para melhorar a saúde de pacientes e famílias com base
no conhecimento científico. Poucos pacientes ficam de
fato desconcertados com perguntas feitas com tato em
um contexto de cuidado e atenção e muitos pacientes
expressam satisfação ou alívio por um médico ter tocado em
um assunto sobre o qual eles mesmos tinham
preocupações não externadas. Exemplos de algumas perguntas que
o médico pode fazer são mostrados na Tabela 4,
abrangendo o que alguns chamam de história de
mídia.
Fazendo um Histórico de Mídia
Há três grandes papéis que os médicos podem desempenhar na resolução de questões de saúde relativas à mídia junto a seus pacientes, como educadores, como clínicos e como cidadãos.
Como educadores, os médicos têm a oportunidade de informar a todos os pais e crianças com idade suficiente para compreender muitas das informações contidas neste guia. Isso permite aos pacientes fazerem escolhas mais esclarecidas sobre a quantidade e o tipo de programas de televisão que assistem, a necessidade de envolvimento dos pais nas decisões sobre o conteúdo de filmes, vídeos musicais, jogos de computadores e video games, bem como o impacto das várias formas de mídia sobre os hábitos alimentares, atividade física e vida familiar em geral. Os médicos deveriam encorajar as crianças e os pais a aumentar seu conhecimento geral sobre a mídia e promover um crescente envolvimento dos pais quanto às atividades que envolvam a mídia. Finalmente, os médicos deveriam servir como modelos, utilizando aparelhos de televisão nas salas de espera de seus consultórios e clínicas somente para propósitos educacionais, bem como deixar à disposição literatura informativa sobre a mídia.
Como clínicos, os médicos têm a oportunidade de considerar o papel da mídia como parte de uma avaliação biopsicológica mais ampla quando estiverem avaliando problemas específicos. A análise de fatores de risco que contribuem para um caso de obesidade infantil poderia, por exemplo, incluir questões sobre a quantidade de televisão assistida, hábitos alimentares ao assistir a televisão e assim por diante. De forma semelhante, quanto às crianças que estão sendo avaliadas devido a comportamentos agressivos, de oposição ou hiperativos, ou devido a pesadelos ou outros distúrbios do sono, um questionamento sobre as atividades das crianças relacionadas à mídia violenta pode identificar um fator de reforço, que poderia ser modificado como parte de um plano de tratamento.
Finalmente, como cidadãos engajados, os médicos devem considerar o envolvimento em organizações médicas e atividades comunitárias, que buscam reduzir a superutilização da mídia pelo público e/ou a
quantidade de violência e outros conteúdos problemáticos nas
matérias da mídia. Isso pode incluir coisas como enfatizar
esse assunto falando em encontros médicos, para pais ou
grupos escolares, ou diretamente às crianças, juntando-se
o observador da mídia local ao conhecimento sobre
mídia ou a outros grupos (veja Fontes de Informação), ou apoiando
ou participando de organizações nacionais que
promovam esses objetivos. Muitos médicos têm trabalhado com
educadores ou grupos de pais para defender a inclusão
de conhecimento sobre a mídia ou capacidade de assistir
criticamente os programas em currículos escolares.
Finalmente, esforços dirigidos aos produtores de televisão,
emissoras, publicitários, produtores de filmes, produtores
de vídeos musicais, Congresso ou legisladores federais
podem ser usados para promover conteúdos mais
apropriados e menos violentos nos meios de comunicação.
| SUMÁRIO |
APRESENTAÇÃO
Guia Médico sobre Violência na Mídia
Uso da Mídia: Sugestões aos Pais
Conteúdo
Resumo
A Formação
O Impacto da Mídia
Recomendações
Fontes de Informação
Valores Sociais e Meios de Comunicação de Massa (Pesquisa RETRATO/IBOPE)
Uma Força a ser Utilizada
A Violência na Mídia: Aspecto Jurídico
O Poder Atribuído
A Violência e as suas Formas
O Poder da Imagem