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Você está aqui: Página Inicial Edição 2018/1 PRODUZINDO ESQUETES TEATRAIS EM SALA DE AULA

PRODUZINDO ESQUETES TEATRAIS EM SALA DE AULA

Antes de detalhar o planejamento das aulas sobre o gênero esquete, vale ressaltar a importância de se trabalhar com teatro no ambiente escolar. A peça teatral, ou esquete, além de proporcionar diferentes possibilidades de trabalho em sala de aula (como veremos neste planejamento), também “desperta os alunos para a observação de si mesmo e do outro, incita-os a aprofundar-se em suas próprias histórias de vida e a desenvolver a capacidade de expressar seus sentimentos de forma positiva, com respeito e colaboração” (GRANERO, 2011, p. 13). Portanto, explorar o teatro nos espaços escolares não deve ser uma opção, mas sim uma das prioridades.

A seguir, são apresentadas propostas para oito períodos de aula, de 50 minutos cada, que explorarão o gênero esquete a partir de uma determinada temática, tendo como objetivo final a produção de esquetes pelos alunos. A obra selecionada para nortear o tema das atividades e introduzir o gênero é a peça Quase ministro[1], de Machado de Assis. Por conta da linguagem um tanto rebuscada e arcaica presente nessa obra, recomenda-se a sua utilização apenas em aplicações no Ensino Médio. É importante destacar que, nessa parte inicial, fica a critério do(a) professor(a) a escolha da obra com a qual deseja trabalhar, já que as atividades deste planejamento são passíveis de adaptação para aplicação em qualquer nível de ensino e, também, tendo como base outras temáticas.

 

1ª e 2ª aulas

Estes dois primeiros períodos serão destinados à leitura da peça, à discussão sobre o tema e, principalmente, às observações dos alunos em relação às características encontradas em um texto teatral.

 

3ª e 4ª aulas

Após as primeiras impressões dos alunos sobre o texto teatral, o(a) professor(a) deverá questionar-lhes se já ouviram falar de esquetes. Em seguida, deverá distribuir papéis em branco e solicitar que cada aluno escreva, no seu papel, o que entende por esquete teatral. Esses papéis serão depositados em uma urna, que será aberta novamente na última aula.

Na sequência, o(a) professor(a) explicará o que é um esquete:

Esquete (do inglês sketch ou skit; "sátira ou paródia") é uma encenação de curta duração, normalmente com um único ato, poucos atores e um só cenário. Geralmente cômico, pode ser apresentado no teatro, na rádio ou na televisão. Os programas humorísticos de televisão, como o “Zorra Total”, da Rede Globo, geralmente são compostos por diversos esquetes.

Em seguida, a sugestão é de que os alunos assistam a um vídeo do canal Porta dos Fundos, intitulado Aprovação[2], que satiriza uma votação feita pelos deputados na calada da noite[3]. Ao final do vídeo, o(a) professor(a) explicará que esse vídeo nada mais é do que um esquete e, então, pedirá que eles digam algumas características observadas no vídeo – quantidade de personagens, falas, cenário, duração e intenção comunicativa. A partir disso, será a vez de os alunos colocarem a “mão na massa”. Segue a atividade sugerida:

 

Agora é a vez de vocês! Em grupos de até quatro integrantes, vocês deverão escrever um roteiro de esquete. Esse roteiro se parece muito com a(s) peça(s) teatral(is) lida(s) na(s) aula(s) anterior(es). A linguagem e os outros aspectos (cenário, personagens, etc.) dependerão da sua intenção comunicativa. O tema para a produção deste esquete deverá ser UMA CRÍTICA À SOCIEDADE ATUAL.


PASSO A PASSO:

1.   Pensar em uma situação inicial, seguida de um conflito e encerrada com um desfecho inesperado (satirizar);

2.   Estabelecer em que local essa situação acontecerá e como serão as personagens (características físicas e psicológicas);

3.   O texto deverá conter: indicações sobre o cenário, quem são as personagens e o que estarão fazendo antes da primeira fala.

4.   Não se esqueça de:
- escrever os nomes das personagens antes da fala de cada uma;

- escrever as rubricas para indicar os sentimentos das personagens, orientar a ação do ator e apontar eventuais mudanças no cenário.

- dar um título para o seu esquete.

Observação importante: o esquete deverá ser encenado e gravado pelo grupo, para apresentar na última aula deste planejamento.

Após as instruções e esclarecimentos, os alunos terão o restante da aula, em torno de um período e meio, para elaborarem seu roteiro de esquete e se programarem para a gravação de seus vídeos. Caso seja necessário, o(a) professor(a) pode, ainda, ceder períodos para que os alunos façam a gravação no pátio da escola antes da última aula, que será destinada à apresentação

 

5ª e 6ª aulas

Nestas aulas, serão trabalhados os aspectos cênicos de uma peça. As atividades serão realizadas nos mesmos grupos formados para fazer o esquete.

Primeiramente, trabalharemos com a expressão corporal através de um jogo de mímica. O(a) professor(a) pedirá para que cada grupo retire um bilhete de dentro de uma caixa, nele haverá um dito popular que deverá ser representado pelo grupo através de gestos e expressões faciais. Os demais deverão tentar adivinhar qual é o ditado popular encenado.

 

 Quando um não quer, dois não brigam.

Antes de casar, cura.

Mais vale um pássaro na mão do que dois voando.

Saco vazio não para em pé.

Tire o seu cavalinho da chuva.

Em boca fechada não entra mosca.

Não adianta chorar pelo leite derramado.

Cavalo dado não se olha os dentes.

Cão que ladra não morde.

Caiu na rede é peixe.

Cada macaco no seu galho.

Onde há fumaça, há fogo.

Não cutuque a onça com vara curta.

Nem tudo o que reluz é ouro.

 

Após essa atividade, deverá ser explicado aos alunos sobre a importância de se expressar bem através da gesticulação. No teatro, o corpo todo deve estar emocionalmente envolvido, gestos e expressões faciais devem ser muito bem articulados para que o espetáculo consiga atingir sua função comunicativa.

Na sequência, será feita outra espécie de jogo teatral, com a finalidade de que os alunos se familiarizem com o gênero na prática e percebam como ocorre a encenação. Toda peça narra alguma história, que se dá a partir de uma determinada situação, sobre ou envolvendo algumas personagens, em algum lugar. Antes dessa atividade, o(a) professor(a) mostrará um vídeo[4] que explica como funciona o jogo. O vídeo é de um programa de televisão que tem como foco a improvisação.

A proposta para este jogo é utilizar personagens da peça lida anteriormente, pois, assim, os alunos terão claramente definidos os “tipos” de personagens que vão representar e poderão direcionar mais sua encenação.

No caso da peça Quase Ministro, por exemplo, três alunos participariam da cena. Um faria o Deputado Martins e o outro o visitante interesseiro, que iria à casa de Martins pedir um trabalho para seu filho preguiçoso, interpretado por outro aluno. O visitante deveria tentar convencer Martins sobre o potencial do filho, que por sua vez, deveria demonstrar que não é nada do que o pai diz. Durante a encenação, o(a) professor(a) pausaria a cena (com um controle remoto fictício) e pediria para que um aluno espectador dissesse uma palavra qualquer para entrar no discurso dos colegas. A atividade deve se repetir até que todos os alunos intervenham na cena. O desfecho da história ficará muito divertido! Lembrando que o(a) professor(a) pode criar a sua situação hipotética a partir do texto escolhido.

Outro aspecto de suma importância nesse contexto é a voz, que deve ser clara e em bom tom. Para trabalharmos com a voz e a entonação, os alunos deverão retomar os seus roteiros e ensaiarem como vão representar as falas, atentando para o que merece destaque na oralidade e como podem utilizar a entonação em seu favor na apresentação. Esse ensaio poderá ser feito no pátio, para que nenhum grupo atrapalhe o outro.

 

7ª e 8ª aulas

Nestas últimas aulas, para a apresentação dos esquetes produzidos, sugere-se a organização diferenciada do espaço da sala de aula. No caso da peça Quase Ministro, poderia ser organizado um sarau da turma, tendo em vista que a peça foi produzida originalmente para um sarau. Dependendo da temática, o(a) professor(a) pode escolher como fazer essa organização de acordo com a sua intenção.

Para a apresentação dos vídeos e socialização, o(a) professor(a) pode distribuir plaquinhas de “curtir”, “uau”, “amei” e “compartilhar”, no intuito de tornar a discussão pós vídeo mais divertida. Após as apresentações, os grupos deverão falar sobre o que eles acharam de fazer um esquete (se gostaram ou se tiveram dificuldades), do gênero peça de teatro, das aulas e da temática proposta.

Por fim, os alunos receberão de volta os papéis em que haviam escrito o que entendiam por esquete teatral e, cada um, deverá ler o que havia colocado e dizer se ainda concorda com a opinião anterior e o que ele poderia acrescentar após ter sido autor de seu próprio esquete.

 

REFERÊNCIAS

GRANERO, Vic Vieira. Como usar o teatro na sala de aula. São Paulo: Contexto, 2011.



[1] Disponível em: <http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/fs000133.pdf>. Acesso em: 21 mar. 2018.

[2] Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=L3svcthSDe8&t=17s>. Acesso em: 21 mar. 2018.

[3] Notícia disponível em: <https://istoe.com.br/deputados-criticam-votacao-de-pacote-anticorrupcao-na-calada-da-noite/>. Acesso em: 21 mar. 2018.

[4] Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=0ni-IbSnTeQ>. Acesso em: 21 mar. 2018.

 

 

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Bruna Rafaela dos Santos é Estudante de Licenciatura em Letras - Língua Portuguesa e respectivas Literaturas, pelo Centro Universitário UNIVATES.

 

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