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Você está aqui: Página Inicial Edições Anteriores Vol. 5, Nº 2 - 2015 Construção de glossário das provas de inglês do vestibular da UFRGS em um curso pré-vestibular popular

Construção de glossário das provas de inglês do vestibular da UFRGS em um curso pré-vestibular popular

1. Contextualização

O presente relato é fruto da nossa prática de estágio de língua inglesa realizado no curso pré-vestibular popular Projeto Educacional Alternativa Cidadã (PEAC). O PEAC tem por objetivo dar oportunidade a alunos de baixa renda para que se preparem para o vestibular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e, assim, tenham oportunidade de ingressar na universidade. Além disso, por ser um pré-vestibular popular, o PEAC tem uma proposta diferente da apresentada por outros cursinhos desse tipo, visto que incentiva os alunos a questionarem os conteúdos ensinados, discutirem o sistema de seleção da universidade, entre outros assuntos. Todos os professores são voluntários e, no geral, são graduandos ou pós-graduandos buscando experiência em sala de aula. O curso ainda conta com monitores que auxiliam na organização do curso. O curso existe desde 2000 e as aulas acontecem das 19h às 22h no prédio de aulas do IFCH/Letras no Campus do Vale da UFRGS.

Em 2014, período de realização do estágio docente, o PEAC contava com cinco turmas, atendendo 350 alunos. Desde o início daquele ano, o curso contava com três turmas de língua espanhola e duas de língua inglesa. Todas as aulas de língua estrangeira aconteciam às sextas-feiras nos dois primeiros períodos. No início do ano letivo, os alunos optaram por participar das aulas em uma das línguas estrangeiras. As turmas de inglês e espanhol mesclavam alunos das turmas regulares. Por essa razão, nossos alunos provinham de turmas diferentes, sendo essas A, B e E. Por causa disso, muitos deles não se conheciam. Durante a nossa prática, em média, tínhamos 30 alunos presentes em aula.

Optamos por realizar o estágio no PEAC por sermos alunas egressas desse curso, e também, por já termos sido professoras ali em anos anteriores. Acreditamos que realizar o estágio nesse contexto seria uma forma de retribuir ao cursinho e, também, uma forma de divulgar o PEAC para outros alunos da Letras. A prática apresentada aqui teve início em 05 de setembro e fim em 07 de novembro de 2014, totalizando 10 aulas de 02 períodos.


2. O projeto

Durante as observações, notamos que as aulas de língua estrangeira eram, em sua maior parte, expositivas, havendo pouca participação dos alunos durante a aula. Mesmo quando os professores questionavam os alunos quanto à resposta certa de uma questão, eles ainda permaneciam calados. As aulas eram ministradas por dois professores, contudo as duplas variavam de uma aula para outra, já que duas turmas de inglês aconteciam ao mesmo tempo. Os professores costumavam entregar folhas com o resumo da aula e exercícios relacionando o tópico gramatical estudado. Por fim, um texto da prova do vestibular era trabalhado. Muitas vezes, os professores traduziam o texto do vestibular para os alunos antes de os alunos os lerem sozinhos.

A partir das nossas observações e conversas com os alunos, optamos por trabalhar com a criação de um glossário para as provas mais recentes da UFRGS[1]. Nosso objetivo era tornar o trabalho com vocabulário relevante durante as aulas, evitando assim a tradução direta do texto e mostrar que, mesmo sem entender todas as palavras do texto, é possível resolver a prova do vestibular da UFRGS. Além disso, durante o planejamento do projeto, refletimos que seria necessário manter o foco das aulas na preparação para o vestibular, pois, afinal, esse era o foco do curso. Também queríamos propor um projeto em que os alunos colaborassem uns com os outros e participassem ativamente da aula sem se sentirem apenas receptores de conteúdo. Assim, o produto final desse trabalho serve para as próximas turmas de inglês do PEAC, que poderão consultar o glossário quando estiverem estudando para o vestibular. A tabela abaixo mostra nossos encontros com os alunos e as atividades desenvolvidas em cada encontro.

 
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3. A prática

Os professores regentes da turma nos informaram que seria necessário dar aula de dois tópicos gramaticais nas primeiras duas aulas do nosso estágio a fim de que cumpríssemos o calendário proposto por eles. Sendo assim, nossas duas primeiras aulas focaram, respectivamente, nos seguintes tópicos: Reported Speech e Passive Voice. Aproveitamos essas aulas para discutir com os alunos sobre o projeto e utilizamos os textos do vestibular para iniciarmos o glossário e exemplificar para os alunos como seria o produto final.

Nesse primeiro contato, os alunos pareciam estar inseguros em resolver as questões do vestibular sem saber a tradução do texto. Por causa disso, em nossa terceira aula, decidimos propor algumas atividades que fizessem os alunos perceberem que sabem inglês para resolver as questões. A primeira atividade foi apresentar aos alunos o seguinte texto em húngaro, seguido de algumas perguntas.

 

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Os alunos não conseguiram descobrir nenhuma das informações. Então, em seguida, apresentamos o mesmo texto em inglês e perguntamos as mesmas questões.

 

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A partir das palavras que sabiam, os alunos identificaram que o texto apresentado era escrito em inglês e falava sobre glossários. O objetivo dessa atividade era fazê-los perceber que eles sabiam inglês. A atividade seguinte foi trabalhar com o texto Problema na Clamba[1]. Esse texto apresenta palavras que não existem na língua portuguesa, mas que podem ser inferidas a partir do contexto pela sua morfologia e posição na frase. Assim, os alunos puderam perceber que, em muitos casos, o sentido de uma palavra pode ser depreendido a partir do contexto. O objetivo dessa aula era mostrar para os alunos que é possível resolver as questões do vestibular sem traduzir ou conhecer todas as palavras do texto.

Na aula seguinte, trabalhamos com formação de palavras por ser algo relevante para os nossos alunos. Notamos que, em muitos casos, os alunos não entendiam uma palavra por não conhecerem sufixos e prefixos. Assim, trabalhamos com esse tópico e também com um texto da UFRGS para continuarmos produzindo o glossário. 

O segundo tópico com relação à construção do glossário foi a formação de sentenças. Frequentemente, uma palavra pode pertencer a mais de uma classe gramatical e, para a escrita do glossário, era preciso que os alunos soubessem em que classe gramatical determinada palavra estava sendo usada no texto.

Durante essas primeiras aulas, estávamos produzindo o glossário com os alunos em um grande grupo. Contudo, muitas vezes os alunos não entendiam o propósito do glossário e queriam procurar o significado de todas as palavras desconhecidas. Por isso, levamos um texto da prova do vestibular da UFSM, pois apresentava os textos do vestibular seguidos de um glossário. Propomos para os alunos a seguinte atividade: primeiro, eles deveriam formar grupos e escolherem cinco palavras que poderiam estar no glossário daquele texto específico. Em seguida, apresentamos o glossário que vinha com o texto e o questionamos com relação à relevância das palavras ali apresentadas. Assim, os alunos puderam compreender melhor que o propósito do glossário não era só colocar todas as palavras que não conheciam, mas sim colocar as palavras que fossem relevantes para a resolução das questões ou específicas sobre aquele tópico.

A partir dessa aula, passamos a trabalhar somente com as provas da UFRGS. Pedimos para os alunos se reunirem em grupos - podendo, assim, interagir com pessoas que não eram da sua turma regular - e atingirem um consenso de cinco palavras que deveriam estar em um glossário daquele texto. Em seguida, as palavras eram apresentadas e discutidas com a turma e adicionadas ao glossário.

Nosso produto final, o glossário das provas de língua inglesa da UFRGS de 2011 a 2014, foi construído colaborativamente durante as aulas enquanto trabalhávamos com os textos e questões das provas da UFRGS. Ao final, imprimimos o glossário e entregamos para todos os alunos das duas turmas de inglês. Além disso, como um dos objetivos do glossário era ajudar as futuras turmas do PEAC, ele foi inserido no Google Drive do curso.

A seguir, uma imagem de como ficou a versão final do glossário.

 

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4. Considerações Finais

Essa experiência de realizar um projeto em curso pré-vestibular popular foi muito interessante, pois foi possível trabalhar com os conteúdos necessários para o concurso vestibular da UFRGS de uma maneira menos tradicional proporcionando aos alunos uma experiência diferente da que eles estavam tendo em sala de aula até então. Para isso, ações simples foram tomadas, como fazer com que os alunos trabalhassem em uma outra formatação em sala de aula - em vez de sentarem de frente para nós, professoras, eles sentavam em círculos com seus grupos para realizar as atividades relacionadas ao glossário. Esperamos que outros alunos do curso utilizem o material criado durante nosso estágio em 2014.


[1] http://www.ufrgs.br/coperse/provas-e-servicos/baixar-provas

[2] https://www.passeidireto.com/arquivo/2597940/aula-01---problema-na-clamba

 

 

 

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