GAJUP - Educação e Assessoria Popular Comunitária

 

O Grupo de Assessoria Justiça Popular (GAJUP) é um grupo de extensão, vinculado ao Serviço de Assessoria Jurídica Universitária (SAJU) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. O GAJUP possui como temática a educação e assessoria populares, trabalhando atualmente com a Vila do Chocolatão, comunidade pobre de Porto Alegre.

 No segundo semestre de 2009, o GAJUP foi convidado, pelas lideranças da Vila do Chocola-tão para iniciar um trabalho de assessoria comunitária. Inserimo-nos no cotidiano da comuni-dade, melhor forma de conhecê-la, frequentamos as reuniões de sua Associação, construímos conjuntamente a essa comunidade quais seriam nossas principais lutas até que chegamos a três eixos de trabalho: geração de renda, representatividade e habitação.

 Em uma comunidade tão carente quanto é a Vila do Chocolatão, o incremento da renda dos moradores sempre é uma necessidade. A maior parte da renda dessa comunidade se obtinha através da catação de materiais recicláveis na região central de Porto Alegre e de galpões de reciclagem existentes na própria comunidade. Esse povo queria se organizar! Em contato com o Movimento Nacional de Catadores de Material Reciclável e a Pastoral Ecológica, realizamos atividades sobre a  reciclagem e as formas possíveis de organização. Desse trabalho surgiu a Associação de Catadores e Recicladores da Vila do Chocolatão!

 Durante o início de nossas atividades na Vila do Chocolatão, assistimos o brutal assassinato do maior líder comunitário da Vila e presidente da Associação  de  Moradores,  o  Seu  Leo.  Fragilizada e recebendo constantes cobranças do poder público, a comunidade não tinha organização suficiente para se pronunciar e isso justificou o trabalho do Eixo de Representatividade. O trabalho de fomento de lideranças é lento e requer paciência, mas foi com muito empenho que, no final de 2010, em conjunto com a comunidade, realizamos uma eleição para a Associação de Moradores que teve mais de duzentos votos. Assim se elegeu a nova executiva!  

 Uma coisa interessante sobre a Chocolatão era o lugar onde essa se situava: na  região cen-tral de Porto  Alegre, ela contrastava com os prédios da “justiça” que, de  tão  injustos,  nada faziam pela comunidade. Aliamos essas informações ao fato de que a ocupação era em propriedade federal e deixamos para você escolher o que motivou  o  poder público a elaborar um projeto de realocação e despejo. Isso tudo motivou-nos a tratar do problema da realocação em um eixo distinto: habitação. Não havia reunião que fizéssemos na comunidade que não surgisse esse assunto.

Junto da comunidade e de outras organizações parceiras, tratamos de participar das reuniões com a Governança de Porto Alegre - instituição governamental interinstitucional que cuidou do projeto de realocação da Chocolatão - em encontros instituídos especialmente para discutir o projeto de realocação. Durante toda nossa movimentação: construímos, em conjunto com a Associação de Geógrafos do Brasil, um laudo técnico que expunha as falhas do projeto da prefeitura; contatamos órgãos públicos; fizemos denúncias sobre o tratamento dado à comunidade; fomos até a câmara e a Assembleia Legislativa falar sobre o Caso da Vila do Chocolatão.

 Durante a realocação – que se iniciou em maio do ano de 2011 – fincamos pé na comunidade: fiscalizamos a ação de remoção; ocupamos a casa de moradores que não estavam sendo contemplados pelo projeto da prefeitura até que lhes fosse oferecido algum acordo; denunciamos as irregularidades da remoção à ONU; fizemos reportagens e vídeos publicados em veículos de mídia alternativa; e buscamos parceiros que representassem judicialmente as pessoas prejudicadas no projeto de realocação.

 Desde então, com a comunidade já realocada, estamos nos ambientando à Nova Chocolatão. Sem esquecer daquelas pessoas que moravam no Centro e não foram contempladas pelo projeto de realocação, estamos elencando demandas no novo loteamento. Diversas falhas, previstas pelo laudo que construímos, vêm sendo confirmadas: falta de escolas na região, falta de emprego aos moradores, má qualidade das casas construídas. Esses são apenas alguns problemas com os quais a comunidade e o grupo terão de lidar, questionando os órgãos públicos competentes.

 Da experiência proporcionada por nossas atividades, tiramos o que queremos para a Universidade: baseada na ação-reflexão, uma instituição que se coloque ao lado do povo para construir dialogicamente e trabalhar conjuntamente em soluções para problemas que atentam contra a dignidade humana e o pleno desenvolvimento de nossas potencialidades. Pretendemos com a nossa as ações de nosso grupo contribuir para que isso de fato aconteça.

Nossas reuniões acontecem todas as quartas-feiras, das 11h30 às 14h na sede do SAJU. Qualquer pessoa é bem-vinda a conhecer o nosso trabalho e com ele contribuir de alguma forma. Para entrar em contato conosco, envie um e-mail para gajup.rs@gmail.com.Para mais informações sobre o grupo e suas atividades, visite o blog “viladochocolatao.blogspot.com”


Fotos:

Chocolatão e o prédio do TRF4

Ainda no Centro, a Vila do Chocolatão contrastava com os prédios da (in)justiça

Carrinhos de Reciclagem

Uma das principais fontes de renda da comunidade: a catação de materiais recicláveis

Muralismo na Chocolatão

O muralismo alerta para qual contexto se insere a luta da comunidade

Patrola e remoção  da comunidade

Em maio de 2011 aconteceu a remoção da Vila do Chocolatão

Comentários (0)