Por que utilizar o "x" nos editais?

Por que utilizar o "x" nos editais?

O uso do X é, antes de qualquer coisa, um ato político. Foi a forma encontrada pela militância da diversidade sexual e de gênero para fazer com que as pessoas reflitam sobre o assunto. Se não fosse "a polêmica do x no edital", talvez muitos continuariam sem saber da existência da transgeneridade ou a ausência de uma identificação de gênero, por exemplo. Portanto, uma das principais razões para a utilização de um neutralizador de gênero é justamente provocar em todas as pessoas algum questionamento, seja ele qual for, desde que não seja a mesma velha ignorância quanto a essa temática.
 
O português brasileiro tem instrumentos suficientes, na maioria das vezes, para que se faça um texto neutro em gênero. Ou seja, o X pode ser dispensável em muitos casos. A militância, ao utilizar o X, não quer este seja incorporado nas palavras da língua. No entanto, ao utilizá-lo, obriga as pessoas a pensarem na existência desses gêneros não previstos pelo nosso sistema binário (masculino e feminino pré-determinados). Daí alguém que nunca havia pensado nisso, ao deparar-se com o X, passa a pensar: ora bolas, mas que diabos?!
 
Muitos questionamentos costumam ser no sentido de "ah, então quer dizer que existe algo além do masculino e feminino?". Sim, é isso mesmo! Os estudos de gênero superaram essa questão. Hoje, sabe-se e acredita-se que gêneros são construções sociais. Isso significa que as expressões de gênero não previstas na sociedade são absolutamente naturais. Ninguém nasce masculino ou feminino. Nascer com um pênis ou uma vagina não define isso. Posso ter uma vagina e ser do gênero masculino, assim como posso ter um pênis e ser do gênero feminino, assim como posso ter um destes e não ser nem de um, nem de outro. 
 
Assim, a decisão do Conselho Deliberativo do SAJU por essa forma de escrita teve por objetivo não somente abarcar toda diversidade de gênero, mas também suscitar essa discussão para quem teve acesso ao edital. O SAJU, enquanto núcleo de defesa de direitos humanos, continua lutando pelo reconhecimento das minorias e aguarda a quem tem interesse em unir-se para a construção de uma sociedade sem preconceitos, livre de rótulos, e de amarras morais e sociais!


6 de setembro de 2013


Conselho Deliberativo do SAJU