Aminoácido tóxico para seres humanos está relacionado a casos de enfarto e isquemia, inclusive em pessoas jovens

Professora do Departamento de Bioquímica estuda os efeitos da homocisteína em excesso no organismo
Foto: Thiago Cruz/UFRGS - Arquivo

Neste Ciência 1080, conversamos com a professora Angela Wyse sobre uma de suas linhas de pesquisa junto ao Departamento de Bioquímica do Instituto de Ciências Básicas da Saúde (ICBS). Ela fala sobre a homocisteína, aminoácido não proteico sintetizado a partir do metabolismo de outro aminoácido que faz parte das proteínas, a metionina.

A metionina é um aminoácido essencial, ou seja, não é produzido pelo organismo humano, mas é fundamental para seu bom funcionamento e, portanto, ela tem que fazer parte da dieta. Ela está nas proteínas e, portanto, em alimentos de origem animal, principalmente carne, ovo e laticínios. O excesso de consumo em proteínas, principalmente de carne vermelha e outros, pode elevar os níveis de metionina, aumentando sua degradação à homocisteína. O organismo humano geralmente está preparado para manter níveis aceitáveis de homocisteína desde que os níveis de ácido fólico e vitamina B12 estejam adequados, mas defeitos genéticos e maus hábitos alimentares podem desequilibrar esta equação, levando à hiperhomocisteinemia que pode ser grave, moderada ou leve. A hiperhomocisteinemia grave, que se caracteriza por níveis plasmáticos muito altos de homocisteina, é encontrada na homocistinúria, uma doença genética que em que os pacientes, se não tratados precocemente, desenvolvem distúrbios mentais e infarto do miocárdio, enquanto que a hiperhomocisteinemia leve é caracterizada por níveis levemente aumentados de homocisteína e seu aumento é devido principalmente a fatores ambientais como sedentarismo e dieta pobres em verduras e ricas em proteínas, principalmente carne vermelha. A hiperhomocisteinemia leve é considerada um fator de risco para o desenvolvimento de doenças, tais como cardio e cérebro vasculares (como isquemia cerebral e cardíaca), neurodegenerativas (como Doença de Alzheimer) e psiquiátricas (como depressão).

Ouça mais na entrevista para o Ciência 1080, da Rádio da Universidade.

 

Pesquisadora da UFRGS é destaque regional e internacional

Angela Wyse é membro Titular da Academia Brasileira de Ciências (ABC) e recentemente foi eleita Membro Titular da Academia Mundial de Ciências para o avanço da ciência em países em desenvolvimento (TWAS). A eleição da docente reconhece a sua contribuição para a ciência e sua promoção no mundo em desenvolvimento. Em 2016 recebeu o Prêmio Internacional Capes Elsevier que reconhece os pesquisadores brasileiros que em sua carreira acadêmica apresentam uma produção de alto impacto e excelência retratada na base de dados Scopus, a mais ampla base de citações de literatura científica mundial. Em outubro de 2018, recebeu o Prêmio Pesquisador Gaúcho – Fapergs, na área Ciências Biológicas. O prêmio reconhece o trabalho dos pesquisadores, destacando a importância do investimento científico, tecnológico e de inovação para alavancar o desenvolvimento do Estado.

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