Banco de dados desenvolvido na UFRGS reúne genes impactados durante a infecção por Zika vírus

Trabalho deve acelerar as pesquisas de grupos brasileiros e internacionais relacionadas à enfermidade
mosquito Aedes aegypti
O Zika vírus é transmitido principalmente pela picada do mosquito Aedes aegypti - Foto: Ian Jacobs/CC 2.0

Pesquisadores da UFRGS criaram um banco de dados público e gratuito que reúne os genes cuja expressão foi alterada devido à infecção por Zika. Chamado de Zikavid, o site compila dados de todos os trabalhos publicados até o momento que avaliaram a expressão gênica após a infecção pelo Zika vírus em modelos animais, celulares e demais amostras biológicas. O desenvolvimento do trabalho que resultou no banco de dados foi descrito em artigo publicado na revista científica internacional Journal of NeuroVirology na última quarta-feira, 11 de setembro.

O banco reúne 7.348 genes identificados com expressão alterada pós-infecção pelo Zika vírus e 16.984 medições de expressão gênica ao nível de RNA ou proteína. As informações foram extraídas de 45 artigos – rastreados a partir de mais de 5 mil trabalhos sobre o Zika disponíveis na base de dados Pubmed. Conforme explica o professor da Faculdade de Farmácia da UFRGS Walter O. Beys da Silva, todo o levantamento foi feito de maneira manual. Os pesquisadores, inicialmente, buscaram artigos relacionados ao vírus e checaram seus títulos e resumos. Ao verificarem que algum continha dados sobre a expressão gênica, liam-no por completo e baixavam os dados para, então, incluí-los no sistema. O processo levou cerca de um ano e envolveu, além da Faculdade de Farmácia, pesquisadores do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e do Departamento de Bioquímica da UFRGS.

O Zikavid permite identificar e rastrear os modelos experimentais mais utilizados para estudos do impacto molecular da infecção por Zika, as origens dos vírus mais estudados (amostras clínicas brasileiras, africanas ou asiáticas, por exemplo), entre outros fatores. A busca pode ser filtrada pelos nomes de genes ou proteínas, pela cepa do vírus e pelo tipo de amostra utilizada na pesquisa, como cultura de células, tecidos humanos ou testes com camundongos. A disponibilidade desses dados em um único banco deve facilitar e agilizar as pesquisas de grupos brasileiros e internacionais relacionadas à patologia, à terapêutica e ao diagnóstico da infecção por Zika. “Para toda a comunidade científica, esse banco com certeza vai acelerar muito a análise dos impactos da infecção”, enfatiza Silva.

De modo a manter sua relevância, o banco de dados contará com atualizações periódicas. Conforme novos artigos vão sendo publicados, os pesquisadores irão coletar os dados e incluí-los no sistema. “Será feito, pelo menos, um rastreio mensal”, comenta o professor. Outra intenção do grupo é criar ferramentas de análise integradas ao banco para que os cientistas que o utilizam não precisem exportá-los para outras plataformas. Também está em andamento um estudo acerca do próprio conteúdo do banco de dados.

Artigo científico

ROSA, Rafael L. et al. ZIKAVID – Zika virus infection database: a new platform to analyze the molecular impact of Zika virus infection. Journal of Neurovirology, 11 set. 2019.

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