Pesquisadores desenvolvem embalagens biodegradáveis e comestíveis

Além de não poluírem o meio ambiente, os biofilmes contêm nutrientes benéficos à saúde
Sementes de quinoa
Ricas em amido, sementes de quinoa estão entre os ingredientes usados nos biofilmes - Foto: Emily Barney/Flickr

Interessados na melhoria da qualidade de produtos embalados e na redução de lixo proveniente de embalagens, pesquisadores da UFRGS vêm desenvolvendo novos materiais para acondicionamento de alimentos: os biofilmes. Utilizando resíduos que seriam descartados pelas indústrias, são feitas embalagens biodegradáveis e até mesmo comestíveis, reduzindo o impacto no meio ambiente.

Uma das mais recentes pesquisas do Instituto de Ciência e Tecnologia de Alimentos (ICTA) trata de biofilmes de amido de quinoa. O amido é a matéria-prima agrícola mais utilizada para a fabricação de filmes comestíveis, devido a seu baixo custo, fácil manuseio e ampla disponibilidade na natureza. A semente de quinoa, típica da região montanhosa dos Andes, possui 80% dessa substância em sua composição, o que a torna capaz de formar filmes transparentes biodegradáveis e comestíveis sem qualquer tratamento químico prévio. Nos testes feitos pelos pesquisadores, nanopartículas de ouro são adicionadas ao biofilme de amido. Dessa maneira, pretende-se minimizar o crescimento de micro-organismos indesejados que possam contaminar o alimento durante o seu processamento ou armazenamento. A atividade antimicrobiana das partículas de ouro aumenta a chamada vida de prateleira, isto é, a validade do produto. A pesquisa, intitulada Desenvolvimento de biofilmes ativos de amido de quinoa (Chenopodium quinoa, W.) contendo nanopartículas de ouro e avaliação de atividade antimicrobiana é uma parceria entre pesquisadores da UFRGS e da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Os biofilmes não são uma grande novidade; já existem trabalhos similares em diversos países. No entanto, segundo a professora do curso de Engenharia de Alimentos Simone Hickmann Flôres, coordenadora das pesquisas, a produção dos filmes no ICTA leva em consideração dois aspectos essenciais: sustentabilidade e funcionalidade. O fato de serem biodegradáveis e utilizarem matérias-primas provenientes de fontes renováveis, como cascas de frutas, sementes e óleos, auxilia na redução de danos à natureza. Além disso, é possível fazer biofilmes comestíveis, o que elimina a produção de lixo e ainda serve como adicional nutritivo ao alimento. Através da mucilagem da semente de chia, por exemplo, pode-se fazer um achocolatado mais nutritivo. Sachês produzidos com esse material, ao serem mergulhados no leite, se dissolvem junto com o chocolate, integrando seus nutrientes à bebida. Já a chia integral é utilizada no filme que reproduz o chamado “arroz em saquinhos”. Em lugar de um saco plástico, os profissionais utilizam um biofilme comestível, que é diluído na água quente e absorvido pelo alimento.

O processo de produção dos filmes utilizado nos laboratórios do instituto é o casting. Com os componentes do filme se faz uma solução, que se torna viscosa quando são adicionados água e glicerol. Depois disso, ela é posta para secar em uma estufa, tomando forma e ficando mais resistente. Esses filmes viram embalagens primárias, ou seja, eles entram em contato apenas com o alimento, e não com o exterior – essa é a função das embalagens secundárias. Após sua fabricação, eles são testados pelos profissionais do laboratório.

Artigo científico

Flôres, Simone Hickmann et al. Development of active biofilms of quinoa (Chenopodium quinoa W.) starch containing gold nanoparticles and evaluation of antimicrobial activity. Food Chemistry, v. 173, p. 755-762, 2015.

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