Exercício físico ajuda na prevenção à depressão

Estudo de meta-análise avalia 49 pesquisas que tratam do assunto
mulher alongando o braço
Dados indicam que a prática de atividades físicas diminui a probabilidade de se desenvolver depressão ao longo da vida - Foto: Rochele Zandavalli/UFRGS - Arquivo

Pesquisadores da UFRGS, da Universidade La Salle, da UERJ, da UFRJ e de outras sete universidades estrangeiras desenvolveram um estudo que avalia a relação entre a prática de exercício físico e a incidência de depressão. O artigo, que analisa dados de 49 outras pesquisas, foi publicado em abril na revista The American Journal of Psychiatry. O professor da UniLaSalle Felipe Schuch explica: “Pegamos todos os dados dos estudos que já foram publicados e fizemos uma análise estatística desses dados. Não colhemos dados de pessoas individualmente, apenas escrevemos essa meta-análise, esse estudo de revisão”.

O objetivo do trabalho, segundo o professor, é ver o quanto as pessoas que tinham um nível mais alto de atividade física no início do estudo do qual participaram, e que não tinham depressão, diminuem a probabilidade de desenvolver a doença ao longo da vida.  Centenas de pesquisas foram feitas sobre o assunto, mas os cientistas não encontraram uma conclusão comum entre elas. “Vários estudos tinham o mesmo objetivo e avaliaram os mesmos pontos, mas têm resultados diferentes. Cria aquela dúvida: qual dos resultados é o mais próximo da realidade? Quando fazemos uma meta-análise, a gente tenta responder a essa pergunta, e foi essa a nossa motivação especial para fazer o estudo”, explica Schuch.

Analisando dados de mais de 265 mil pessoas de 20 países diferentes, o estudo conclui que, sim, independentemente de idade ou localização geográfica, a atividade física funciona como prevenção à depressão. “Este estudo especificamente se refere à prevenção, e não ao tratamento. Há bastante evidência na literatura de que, para pessoas que têm depressão, o exercício pode ajudar a aliviar sintomas. Mas o nosso estudo especificamente é um marco dizendo que quem não tem depressão hoje tem um risco menor de desenvolver depressão no futuro se fizer atividade física”, diz Schuch.

Quanto ao nível de atividade física necessário para prevenir a depressão, os pesquisadores não conseguiram chegar a uma definição exata. “A grande limitação do estudo é que o ‘nível alto de atividade física’ é um conceito que variou muito entre um estudo e outro. Então não sabemos exatamente o que é esse alto nível de atividade física. Sabemos que fazer mais é melhor do que fazer menos; todos os estudos que compararam o ‘fazer mais’ e o ‘fazer menos’ chegaram a essa conclusão, porém não sabemos o quanto é esse mais e o quanto é esse menos”, esclarece Schuch. Seis dos trabalhos analisados, entretanto, indicam que, ao completar o nível de atividade física recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) de 150 minutos de exercício moderado por semana, se reduz em 32% a probabilidade de desenvolver depressão.

A prática da atividade física acelera a regeneração neuronal, e esta é uma das formas pela qual ela pode ajudar na prevenção ao transtorno depressivo. “Em pessoas com depressão, isso é diminuído. Elas perdem mais neurônios do que conseguem regenerar. Nós acreditamos que a aceleração da regeneração por meio do exercício pode prevenir ou diminuir o risco do desenvolvimento de depressão”, explica Schuch. Além disso, em longo prazo, pessoas com depressão acabam com partes do cérebro atrofiadas, como o hipocampo e o córtex pré-frontal, e a atividade física também diminui o risco de isso acontecer.

O grupo de pesquisadores segue trabalhando em outros projetos de meta-análise. “O próximo estudo, que já está escrito, é sobre o quanto a atividade física reduz ou previne alguém de desenvolver transtornos ou sintomas de ansiedade. Esse é o próximo passo. Vamos replicar isso também para transtornos de álcool e drogas e avaliar ainda para a esquizofrenia”, finaliza Schuch.

 

Artigo científico

SCHUCH, Felipe B. et al. Physical activity and incident depression: a meta-analysis of prospective cohort studiesAmerican Journal of Psychiatry, 25 abr. 2018.

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