Simetria corporal de roedores pode ser influenciada pelo ambiente em que vivem

Estudos avaliaram o crânio de animais que habitam a região da Mata Atlântica
Crânio da espécie Akodon cursor
Espécie estudada foi a Akodon cursor, popularmente conhecida como rato-do-chão

Renan Maestri, doutorando em Ecologia na UFRGS, baseia sua tese na relação entre a morfologia (estudo da aparência externa de seres vivos) de roedores e o ambiente em que esses animais vivem. A espécie estudada foi a Akodon cursor, popularmente conhecida como rato-do-chão, escolhida por sua abundância e ampla distribuição geográfica – no Brasil, é encontrada de Pernambuco a São Paulo. “Você precisa estudar vários crânios da mesma espécie para ter certeza do que está falando”, comenta Renan. O objetivo da tese é entender como o animal evoluiu ao longo do tempo e qual o papel da seleção natural sobre sua morfologia.

O pesquisador fotografou animais disponíveis em museus e verificou se seus crânios possuíam simetria. “Esperamos que os indivíduos estejam em simetria bilateral. Por exemplo, os dois lados do nosso rosto têm a carga genética para serem exatamente iguais.” Na análise, o estudante quantificou o formato dos crânios por meio de um programa de computador, colocando pontos na mesma área correspondente dos dois lados da cabeça. Quanto maior o desvio entre esses pontos, mais assimétricos eram os ratos. Para analisar o nível de simetria de uma população, todos os seus indivíduos são quantificados e depois se faz uma média desses resultados.

Distribuição da espécie Akodon cursor

Distribuição da espécie Akodon cursor

Quanto mais simétrico for o crânio do animal, mais adaptado ele está ao ambiente em que vive. Por meio da modelagem de nichos, é possível investigar a região em que esses animais estão mais bem adaptados, considerando-se determinada temperatura, pluviosidade e as demais condições mínimas para a sua sobrevivência. A partir disso, a pesquisa constatou que os indivíduos que moram nas periferias da sua região de habitat possuem maior nível de assimetria, fator que pode indicar maior estresse ambiental naquela localidade.

O doutorando salienta que a análise da simetria corporal pode ser um método eficaz para preservar animais em extinção. “Especulamos que quando uma espécie, ou indivíduos de uma espécie, vivem em locais que não são ideais, ela vai sofrer distúrbios em seu desenvolvimento. Podemos imaginar que se você quer preservá-la, você deveria proteger as regiões onde aquela espécie é mais simétrica e, se possível, descobrir quais são esses locais e usar a informação para gerar estratégias de conservação”, sugere.

A tese é orientada pelo professor Tales de Freitas, do departamento de Genética da UFRGS, com colaboração de Daniel Galiano, doutor em Zoologia, e Rodrigo Fornel, doutor em Genética. Renan também realizou parte da pesquisa no Museu Field de História Natural, em Chicago, por seis meses.

 

Artigo científico

Maestri, Renan et al. Niche suitability affects development: skull asymmetry increases in less suitable areas. PLoS ONE, 10(4): e0122412, 2015.

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