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Análise de Indicadores de Planejamento e Controle da Produção na Construção Civil

Autores: Rodrigo Bortolazza e Camile Moura

INDICADORES DE PLANEJAMENTO E CONTROLE DA PRODUÇÃO (PCP)

Bortollaza (2006) e Moura (2008) estudaram os indicadores de planejamento e controle da produção (PCP) do Sistema Last Planner visando avaliar tanto o impacto da eficácia do processo de planejamento e controle, bem como os fatores que afetam a eficácia do PCP em empreendimentos da construção civil.

Dentre os indicadores estudados pelos dois autores, destacam-se: o PPC (Percentual de Pacotes Concluídos), Causas de Não Cumprimento dos Pacotes de Trabalho, Índice de Boas Práticas de Planejamento e Controle da Produção, Desvio de Prazo, Desvio de Custo e Índice de Boas Práticas em Canteiros de Obras.

AMOSTRA DAS PESQUISAS

O banco de dados utilizado no trabalho de Bortolazza (2006) é composto por 141 obras, executadas entre os anos de 1996 e 2005, organizados numa base de dados única, sendo que inicialmente foi feito um tratamento dos valores espúrios e dados faltantes. Dessas, 105 obras possuíam, além dos registros de PPC, os registros das causas de não cumprimento dos pacotes de trabalho. Estes dados foram coletados de três fontes: pesquisas anteriores do NORIE/UFRGS, dados do SISIND-NET e dados coletados complementarmente em empresas.

O banco de dados de Moura (2008) é composto por 119 obras, registradas no sistema online do SISIND-NET, executadas entre os anos de 2002 e 2007. A autora coletou, além de Percentual de Planos Concluídos (PPC) e as causas de não cumprimento, o Índice de Boas Práticas de Planejamento e Controle da Produção (IBPPCP), Desvio de Prazo (DP), Desvio de Custo (DC) e Índice de Boas Práticas em Canteiros de Obras (IBP). A amostra do trabalho de Moura é apresentada no quadro 1.

Quadro 1: Base de Dados de Moura (2008)

BortolazzaMoura_Quad1

ANÁLISE DOS INDICADORES DE PCP

A seguir serão apresentados alguns resultados importantes identificados em ambas as pesquisas.

Percentual de Planos Concluídos e Causas e Não Cumprimento dos Pacotes

Para o indicador PPC, tanto Bortolazza quanto Moura realizaram estudos de estatística básica, que incluiu mínimo, primeiro quartil, mediana, terceiro quartil, máximo, coeficiente de variação e desvio padrão.

Para fins de comparação de valores entre os dados de Bortolazza (2006) e o de Moura (2008), calcularam-se as estatísticas de PPC para os casos do banco de dados do ano de 2006 em diante, visto que as análises de Bortolazza compreendiam dados entre 1996 e 2005, evitando-se assim sobreposições. Analisando a tabela 1 se percebe uma diferença considerável, principalmente no nicho de incorporações residenciais ou comerciais, o que pode caracterizar uma mudança no perfil da amostra.

Tabela 1: Comparação de valores de PPC: Bortolazza [1996-2005] e Moura [2006-2007]

BortolazzaMoura_Tab1

Com relação às causas do não cumprimento dos pacotes de trabalho, a figura 1 mostra um comportamento semelhante para ambos os casos, existindo uma diferença relativamente alta, de aproximadamente dez pontos percentuais, apenas nas causas relativas à mão-de-obra. No entanto, é importante ressaltar que a ordem de maior ocorrência é a mesma para as três principais causas: mão-de-obra, planejamento e problemas meteorológicos. As demais causas têm valores muito parecidos para ambas as amostras. Dessa forma, identifica-se uma consistência dos dados referente a este indicador em ambos os trabalhos.

BortolazzaMoura_Fig1

Fig. 1: comparação entre autores dos valores de causas de não cumprimento dos planos semanais.

Outra análise importante é feita em problemas de origem interna (somatório das causas mão-de-obra, materiais, equipamento, projeto e planejamento) e externa (interferência do cliente, problemas meteorológicos e fornecedores). Na comparação dos dados de Bortolazza (2006) e de Moura (2008), as causas de origem interna somaram, respectivamente, 77,1% e 83,08%. As causas externas, por sua vez, somaram 22,9% e 16,92%. Apesar da diferença entre os valores, mantém-se o padrão de haver uma parcela substancialmente maior de causas internas em relação às externas.

Desvio de Custo

Os dados de DC utilizados em Moura (2008) são referentes apenas a uma empresa, denominada de C, e totalizam 181 casos pertencentes a 28 obras. O valor médio dos valores finais por obra, na escala de zero a dez foi de 4,21. Esse valor corresponde a um desvio de custo de -2,59% na escala não transformada, o que significa que essas obras tiveram um ganho percentual maior do que previsto inicialmente. No entanto, observa-se na obra Q um comportamento completamente atípico em relação às demais, conforme mostra a figura 2.

Dessa forma, considerando-se a mediana das obras 4,05 na escala de zero a dez, correspondendo ao valor -0,07% na escala não transformada, o que é muito próximo de zero, observa-se que as obras em questão estão muito próximas do cumprimento dos custos planejados.

BortolazzaMoura_Fig2

Fig. 2: Desvio de custo acumulado final por obra da empresa C.

Desvio de Prazo

O desvio de prazo foi disponibilizado por duas empresas, denominadas de empresas A e C, e constitui uma amostra de 242 casos referentes a 36 diferentes obras, conforme tabela 2.

Tabela 2: Estatística descritiva de desvio de prazo por empresa.

BortolazzaMoura_Tab2

Índice de Boas Práticas de Planejamento e Controle da Produção (IBPPCP)

Esse indicador foi fornecido apenas pela empresa C, sendo que a amostra é composta por 202 casos de 31 obras. A tabela abaixo apresenta os valores médios, mínimo e máximo para cada uma das 16 práticas para a amostra total. Dessas, a mais bem aplicada na empresa é a prática 8 (ver tabela 3), com média 9,73, que se refere à boa definição de pacotes de trabalho. A prática que menos é aplicada é a 4, com média 4,28, que se refere à análise dos fluxos físicos.

Tabela 3: Média das boas práticas de PCP da empresa C.

BortolazzaMoura_Tab3

 Índice de Boas Práticas no Canteiro de Obras

Na figura 3 são apresentados valores referentes aos trabalhos de Saurin e Formoso (2000), Souza (2005) e Moura (2008). Como no trabalho de Souza (2005) os dados utilizados foram provenientes também do SISIND-NET, optou-se por considerar na comparação somente os dados do trabalho de Moura (2008) que fossem referentes aos anos de 2006 e 2007, não contabilizando os dados anteriores para evitar sobreposições.

 

BortolazzaMoura_Fig3

Fig. 3: Comparação entre autores de valores de IBP.

Outra análise importante é feita em problemas de origem interna (somatório das causas mão-de-obra, materiais, equipamento, projeto e planejamento) e externa (interferência do cliente, problemas meteorológicos e fornecedores). Na comparação dos dados de Bortolazza (2006) e de Moura (2008), as causas de origem interna somaram, respectivamente, 77,1% e 83,08%. As causas externas, por sua vez, somaram 22,9% e 16,92%. Apesar da diferença entre os valores, mantém-se o padrão de haver uma parcela substancialmente maior de causas internas em relação às externas.

Desvio de Custo

Os dados de DC utilizados em Moura (2008) são referentes apenas a uma empresa, denominada de C, e totalizam 181 casos pertencentes a 28 obras. O valor médio dos valores finais por obra, na escala de zero a dez foi de 4,21. Esse valor corresponde a um desvio de custo de -2,59% na escala não transformada, o que significa que essas obras tiveram um ganho percentual maior do que previsto inicialmente. No entanto, observa-se na obra Q um comportamento completamente atípico em relação às demais, conforme mostra a figura 2.

Dessa forma, considerando-se a mediana das obras 4,05 na escala de zero a dez, correspondendo ao valor -0,07% na escala não transformada, o que é muito próximo de zero, observa-se que as obras em questão estão muito próximas do cumprimento dos custos planejados.

BortolazzaMoura_Fig2

Fig. 2: Desvio de custo acumulado final por obra da empresa C.

Desvio de Prazo

O desvio de prazo foi disponibilizado por duas empresas, denominadas de empresas A e C, e constitui uma amostra de 242 casos referentes a 36 diferentes obras, conforme tabela 2.

Tabela 2: Estatística descritiva de desvio de prazo por empresa.

BortolazzaMoura_Tab2

Índice de Boas Práticas de Planejamento e Controle da Produção (IBPPCP)

Esse indicador foi fornecido apenas pela empresa C, sendo que a amostra é composta por 202 casos de 31 obras. A tabela abaixo apresenta os valores médios, mínimo e máximo para cada uma das 16 práticas para a amostra total. Dessas, a mais bem aplicada na empresa é a prática 8 (ver tabela 3), com média 9,73, que se refere à boa definição de pacotes de trabalho. A prática que menos é aplicada é a 4, com média 4,28, que se refere à análise dos fluxos físicos.

Tabela 3: Média das boas práticas de PCP da empresa C.

BortolazzaMoura_Tab3

Índice de Boas Práticas no Canteiro de Obras

Na figura 3 são apresentados valores referentes aos trabalhos de Saurin e Formoso (2000), Souza (2005) e Moura (2008). Como no trabalho de Souza (2005) os dados utilizados foram provenientes também do SISIND-NET, optou-se por considerar na comparação somente os dados do trabalho de Moura (2008) que fossem referentes aos anos de 2006 e 2007, não contabilizando os dados anteriores para evitar sobreposições.

 

BortolazzaMoura_Fig3

Fig. 3: Comparação entre autores de valores de IBP.

Nota-se um expressivo aumento nos índices do trabalho de Moura (2008) em relação aos trabalhos anteriores. Cabe ressaltar que as empresas que compõem a maior parcela de dados recentes da amostra do referido trabalho são empresas que reconhecidamente têm boa organização de seus canteiros, o que explica os valores bastante altos do IBP e de cada um dos subitens de boas práticas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BORTOLAZZA, Rodrigo C. Contribuições para a Coleta e a Análise de Indicadores de Planejamento e Controle da Produção na Construção Civil. 2006. Dissertação (Mestrado em Engenharia Civil) – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil, UFRGS, Porto Alegre, 2006.

MOURA, Camile B. Avaliação do Impacto do Sistema Last Planner no Desempenho de Empreendimentos da Construção Civil. 2008. Dissertação (Mestrado em Engenharia Civil) - Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil, UFRGS, Porto Alegre, 2008.

SOUZA, Joana. S. Avaliação da Aplicação do Índice de Boas Práticas de Canteiros de Obras em Empresas de Construção Civil. Trabalho de Diplomação (Graduação em Engenharia Civil) – Departamento de Engenharia Civil, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2005.

SAURIN, T. A; FORMOSO C. T. Análise das práticas de planejamento de layout e logística em um conjunto de canteiros de obra no Rio Grande do Sul. Revista Produto & Produção. Porto Alegre, vol. 4, n. 3, p. 14-25, out. 2000.

 

Os textos desta resenha foram extraídos de Bortolazza (2006) e Moura (2008)

 

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