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14/02/2012

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Ausência de privacidade na nova política do Google

Filed under: Variados — admin @ 10:44 am

Como fica sua privacidade com o novo atrevimento do Google

Por José Antonio Milagre

Fonte: http://www.dicas-l.com.br/legaltech/legaltech_201202031348.php

Data de Publicação: 03 de Fevereiro de 2012

O que realmente pode acontecer a partir de 1 de mar√ßo de 2012 com a vig√™ncia da “camisa de for√ßa digital”?

Todos est√£o recebendo e-mails, popups e alertas do Google sobre sua nova “Pol√≠tica de Privacidade”. A partir de 1 mar√ßo, usu√°rios que continuam usando os servi√ßos tacitamente declaram concord√Ęncia com as novas regras impostas pelo provedor de servi√ßos. Longe das declara√ß√Ķes superficiais, apaziguadoras e que nunca dizem toda a verdade, por parte dos representantes do Google, √© hora do cidad√£o saber realmente como ficar√° sua privacidade.

Se voc√™ acha que esta informa√ß√£o √© dispens√°vel, talvez n√£o tenha percebido o valor deste direito, o direito de prote√ß√£o dos dados pessoais, o direito de estar s√≥, de n√£o ser rastreado ou ter padr√Ķes, comportamentos privados e h√°bitos logados a cada passo que se d√° no mundo virtual.

Primeiramente, na verdade, nada √© para melhorar a “comodidade dos internautas”. Voc√™ realmente acredita nisso? O fato √© que hoje, al√©m da pol√≠tica de privacidade geral, alguns servi√ßos do provedor tinham regras pr√≥prias, adicionais. Com a nova pol√≠tica, estas regras (aproximadamente 60) ficam agrupadas em uma √ļnica regra. E o que tem de mal?

Em se unificando as pol√≠ticas o Google tamb√©m se cria o permissivo para o mesmo utilizar o que j√° estruturou antes de consultar o cidad√£o: Um grande centro de minera√ß√£o de dados, um poderoso c√©rebro de cruzamento, que agora, agrupar√° informa√ß√Ķes de todos os servi√ßos, antes separados, isolados.

Quais os efeitos? Um cidadão que tenha uma conta de e-mail Gmail quebrada por determinação da Justiça, como os dados agora são coletados como um todo, poderá ver sua privacidade em outros serviços, Blogger, Orkut, Docs, etc., quebrada. Não há garantias que diante desta nova política, não fique mais fácil a autoridades e interessados obterem dados além dos necessários para uma investigação ou repressão de um ato ilícito.

Imagine que você faz uma pesquisa relacionada a sexualidade no buscador e neste momento YouTube e Gmail são influenciados por esta busca, no Orkut ou Google+ perfis de vendas de produtos eróticos lhe enviam mensagens. Como se livrar deste rastro?

Voc√™ est√° no caminho de uma reuni√£o. O tr√°fego parece estar diminuindo. Um texto surge: “Voc√™ vai se atrasar, pegue a pr√≥xima sa√≠da para a rota alternativa”. Voc√™ realmente deseja esta facilidade proposta pelo Google? Pois bem, para isso acontecer, considere que o Google bisbilhotou sua localiza√ß√£o de seu celular Android e al√©m disso fu√ßou no seu Calendar, para saber para onde voc√™ ia e quais seus compromissos!

Segundo a revista Scientific American, ter√≠amos tamb√©m um problema grave de integra√ß√£o de dados entre contas diferentes. Imagine que voc√™ tem uma conta pessoal (usada para divers√£o) e outra profissional? Voc√™ gostaria de ter a integra√ß√£o entre ambas, relacionamentos, contatos, termos pesquisados? Pense bem…

A revista vai além, e explica que mais um problema futuro seria o descobrimento dos usernames, pois Google+ solicita nomes reais e outros serviços como YouTube não. A partir de 01 de março, em tese, seu nome real poderia aparecer em todos os seus produtos Google. Legal?

Ao passo em que aprimora sua gest√£o de informa√ß√Ķes, passa a ter um dossi√™ global e integrado de cada usu√°rio de Internet, com cabe√ßalhos HTTP, IPs, localiza√ß√£o geogr√°fica, termos procurados, sua agenda do Calendar, conversas do Gtalk, documentos do Docs, etc. etc. Imagine tudo isto integrado, nas m√£os das pessoas erradas?

Cada servi√ßo do Google tem sua caracter√≠stica o que demanda prote√ß√Ķes adicionais de privacidade. N√£o se pode, em preju√≠zo do principio da especificidade (ou especialidade), conceder a servi√ßos distintos regras id√™nticas. Cada dado deve ser coletado para finalidade espec√≠fica. Agora, crio um simples e-mail e dou o direito ao Google de usar estes dados em todos os seus outros servi√ßos? Sim! N√£o existe finalidade!E ali√°s, esta unifica√ß√£o parte do baseline mais protetivo a privacidade ou mais aberto? Com certeza do mais aberto. Pegue o servi√ßo do Google que mais lhe d√° direitos em rela√ß√£o a dados de usu√°rios, unifique a todos os demais e pronto, estamos oferecendo “comodidade, facilidade aos internautas”.

N√£o se trata de comodidade, mas de estrat√©gia para an√ļncios focados, para lucrar com seus dados. Igualmente, √© obscura a declara√ß√£o da Privacy Officer do Google de que “os governos requisitaram regras menores e mais simples em rela√ß√£o a privacidade”. Fica clara a inten√ß√£o, favorecer quebras de sigilo, investiga√ß√Ķes e an√ļncios publicit√°rios.

E para o usu√°rio o que resta? N√£o fazer login? Ignorar sua privacidade rumo a “novas experi√™ncias”. N√£o! Cabe ao Google nos dar o direito de escolhermos e desativarmos a combina√ß√£o, conex√£o e interc√Ęmbio de informa√ß√Ķes. Lembrando que pelo anteprojeto de Lei de prote√ß√£o de dados pessoais, toda a combina√ß√£o de informa√ß√Ķes deve ser previamente e expressamente autorizada pelo usu√°rio, que ali√°s poder√° revoga-la a qualquer momento. N√£o devemos buscar somente o direito de desligar an√ļncios, mas de desligar esta correla√ß√£o de informa√ß√Ķes. N√£o devemos buscar o direito de limpar o hist√≥rico, mas efetivamente limpar os registros dos servidores do provedor…

O cidadão que quiser, por exemplo, manter dados desvinculados entre os serviços, segundo o Google só teria das saídas, ou não fazer loggin ou criar novas contas. Imagine-se com uma conta para cada serviço?

√Č hora de buscarmos nossos direitos inerentes a privacidade digital, como os de poder peticionar e conhecer realmente cada informa√ß√£o que o provedor coleta sobre n√≥s, o de realizar as chamadas “auditorias de privacidade” e principalmente o de “opt-out” de mudan√ßas suspeitas nas regras do jogo, como a presente. Nos Estados Unidos, um bom exemplo, os republicanos Ed. Markey e Joe Barton j√° solicitaram a Federal Trade Comission (FTC), a investiga√ß√£o das viola√ß√Ķes a privacidade estampadas pela nova pol√≠tica (veja carta), zelando, efetivamente, pelos direitos dos usu√°rios.

Então me desculpe, mas não vejo benefício algum na política do Google, a não ser para aqueles ávidos em conhecer o que fazemos, anunciantes, empresas, governo e ao próprio

Google que terá mais tráfego em seus serviços.

Voc√™ pode at√© pensar, “Ora, mas o Google j√° faz isso faz tempo!” Ok, mas agora passa a legitimar seus atos, em uma pol√≠tica em que, ou voc√™ concorda ou est√° praticamente fora da Internet. Precisamos de figuras que tamb√©m defendam nossa privacidade no Congresso.Pense, e veja se n√£o √© hora de exigir de nossos Congressistas maior aten√ß√£o a estes temas e aos nossos direitos.

Ali√°s, para n√≥s, nossos direitos, para o Google, “id√©ias erradas”. Pense bem antes de colocar seus dados nesta teia. Ou realmente voc√™ acredita que oferecer lembretes de sua reuni√£o √© mais importante do que seus dados e seu sagrado direito a privacidade?

Continue achando que o que √© de gra√ßa n√£o se questiona. N√£o h√° nada de gra√ßa, o pre√ßo de tudo isso, s√£o seus dados pessoais, o rastreamento da sua vida. Em s√≠ntese, como bem disse Jeff Chester, um c√£o de guarda da privacidade, Diretor do Centro de Democracia Digital, a partir de primeiro de mar√ßo, receberemos uma “camisa de for√ßa digital”, for√ßados a compartilhar informa√ß√Ķes pessoais, sem defesa.

At√© quando a destrui√ß√£o de nosso direito a privacidade ser√° coberto pelo falso manto da “otimiza√ß√£o da experi√™ncia do usu√°rio”? N√£o queremos novas experi√™ncias impostas, mas liberdade para constru√≠-las, quando bem nos convier.

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Congresso americano e Uni√£o Europeia se op√Ķem √† nova pol√≠tica de privacidade do Google

Fonte: http://www.gizmodo.com.br/conteudo/congresso-americano-e-uniao-europeia-se-opoem-a-nova-politica-de-privacidade-do-google

A nova pol√≠tica de privacidade j√° foi recebida com certo temor por parte de seus usu√°rios. Agora, o Congresso americano e √≥rg√£os reguladores da Uni√£o Europeia est√£o fu√ßando as mudan√ßas e n√£o est√£o nem um pouco felizes ‚ÄĒ mas o Google parece n√£o se importar muito.

De acordo com o The Hill, legisladores do Congresso questionaram os representantes do Google durante duas horas ontem, mas eles n√£o ficaram satisfeitos com as explica√ß√Ķes da empresa. Falando ao The Hill, a legisladora Mary Bono Mack disse:

‚ÄúPor ser mais simplificada, [a pol√≠tica de privacidade] √© na verdade mais complexa‚Ķ No fim das contas, eu n√£o acredito que as respostas dadas a n√≥s foram o bastante se considerarmos o que isso significa para a seguran√ßa de nossas fam√≠lias e crian√ßas.‚ÄĚ

Aparentemente, o Congresso americano est√° preocupado sobre quanto de envolvimento os usu√°rios t√™m na hora de proteger sua pr√≥pria privacidade, mas as respostas n√£o foram satisfat√≥rias em pontos como apagar dados ou manter dados guardados por muito tempo. ‚ÄúH√° uma crescente temor no Congresso sobre quest√Ķes de privacidade ‚ÄĒ disso n√£o h√° d√ļvidas‚ÄĚ, acrescentou Mack.

Do outro lado do oceano, reguladores da Uni√£o Europeia est√£o pedindo para o Google adiar o in√≠cio de sua nova pol√≠tica de privacidade, segundo informa√ß√Ķes da Reuters. ‚ÄúDado o amplo n√ļmero de servi√ßos que voc√™s prestam, e a popularidade deles, mudan√ßas na pol√≠tica de privacidade podem afetar muitos cidad√£os na maioria, sen√£o em todos, os membros da Uni√£o Europeia‚ÄĚ, disse o Data Protection Working Party da Uni√£o Europeia em uma carta enviada a Larry Page ontem. ‚ÄúN√≥s desejamos poder checar as poss√≠veis consequ√™ncias na prote√ß√£o de dados pessoais de todos esses cidad√£os de forma coordenada.‚ÄĚ Eles n√£o dizem o tempo que precisam para isso, mas, bem, n√£o sabemos nem se o Google concordar√° com isso.

Dito isso, o Google est√° fazendo uma s√©rie de novos inimigos ap√≥s sua proposta de mudan√ßa de pol√≠tica de privacidade, e not√≠cias assim s√≥ d√£o a entender que a rea√ß√£o negativa continua crescendo. Mesmo o Google sendo uma empresa privada, o que significa que em tese eles podem fazer o que quiserem com seus servi√ßos ‚ÄĒ desde que de forma legal ‚Äď, h√° um ponto em que seus opositores querem que as coisas sejam feitas com mais calma. Se isso significar que na√ß√Ķes cobrar√£o respostas legais do Google, o palco estar√° armado para um debate enorme. [The Hill e Reuters; Imagem: AP]

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O que as mudanças da política de privacidade do Google significam?

Fonte: http://www.gizmodo.com.br/conteudo/o-que-as-mudancas-da-politica-de-privacidade-do-google-significam

O Google anunciou ontem que decidiu modificar toda sua pol√≠tica de privacidade. A primeira vista, a mudan√ßa √© bem simples: todos os servi√ßos do Grande G ter√£o a mesma pol√≠tica de privacidade. Mas isso significa que todos os dados ser√£o unificados. E que as informa√ß√Ķes usadas em qualquer servi√ßo do Google poder√£o ser usadas todos os outros. H√° escapat√≥ria?

Segundo o Google, a mudança aconteceu por dois motivos: primeiro, o site contava com mais de 70 políticas de privacidade, e era difícil revisar todas com as agências reguladoras. Agora, com uma só política, alguns entraves legais devem ser eliminados. E, em segundo lugar, o Google diz que isso irá melhorar a vida do usuário. Como?

Veja o vídeo do Google sobre a nova política de privacidade: http://www.youtube.com/user/googleprivacy

Agora, todos os seus dados ser√£o armazenados e coletados de uma s√≥ forma. Isso significa que se voc√™ estiver no Gmail, por exemplo, e escrever sobre alpinismo, sua pr√≥xima visita ao YouTube poder√° ter uma sugest√£o de v√≠deo sobre o assunto. H√°, no entanto, combina√ß√Ķes mais perigosas: usu√°rios do Google Latitude, por exemplo, ter√£o seus dados de localiza√ß√£o colhidos e utilizados em outros servi√ßos ‚ÄĒ o mesmo para americanos que usarem o Google Wallet como carteira virtual. O mesmo acontece com o Google+, que cada vez ganha mais espa√ßo em outros servi√ßos da empresa: eles j√° aparecerem no topo das buscas com sugest√Ķes de amigos e p√°ginas.

E qual o problema em toda a hist√≥ria? A famigerada frase ‚Äúdon‚Äôt be evil‚ÄĚ. Foi com esse mantra que o Google se tornou o que √© hoje, e compilar dados de usu√°rios para facilitar o bombardeio de publicidade mais do que direcionada n√£o parece seguir a filosofia da empresa. Segundo os princ√≠pios de privacidade da empresa:

Pessoas t√™m preocupa√ß√Ķes e necessidades diferentes sobre privacidade. Para servir melhor todos os nossos usu√°rios, o Google esfor√ßa-se para oferec√™-los op√ß√Ķes √ļteis e f√°ceis sobre como lidar com suas informa√ß√Ķes pessoais. N√≥s acreditamos que informa√ß√Ķes pessoais n√£o devem ser usadas como ref√©ns e temos o compromisso de criar produtos que permitam que os usu√°rios exportem suas informa√ß√Ķes pessoais para outros servi√ßos. N√≥s n√£o vendemos as informa√ß√Ķes pessoais dos usu√°rios.

Pois bem, caso voc√™ n√£o aceite a nova pol√≠tica de unifica√ß√£o de dados do Google, sabe qual √© sua op√ß√£o? N√£o usar os servi√ßos. Tais mudan√ßas podem facilmente ultrapassar a linha de privacidade proposta pela empresa. E elas tamb√©m indicam que as recentes mudan√ßas ‚ÄĒ como a adi√ß√£o da ‚Äúbusca social‚ÄĚ com o Google+ ‚ÄĒ mostram um caminho bem diferente daquele Google que pregou a ideia de ‚Äúlucrar sem ser demon√≠aco‚ÄĚ. E bem parecido com aquilo que Larry Page criticou em uma entrevista √† revista Playboy em 2004:

PLAYBOY: Os portais tentam criar o que eles chamam de conte√ļdo pegajoso, para manter o usu√°rio pelo maior tempo poss√≠vel neles.

PAGE: Esse √© o problema. A maioria dos portais mostra seu pr√≥prio conte√ļdo acima de outros conte√ļdos da internet. N√≥s acreditamos que isso √© um conflito de interesse, algo an√°logo a ganhar dinheiro com resultados de busca. A ferramenta de busca deles n√£o necessariamente oferece os melhores resultados; ele oferece os melhores resultados do portal. O Google tenta, de forma consciente, ficar longe disso. N√≥s queremos que voc√™ saia do Google e chegue ao lugar certo o mais r√°pido poss√≠vel. √Č um modelo bem diferente.

Agora, você tem até o dia primeiro de março para rever toda a sua vida online e pensar no que você quer compartilhar em cada serviço do Google. E fique de olhos bem abertos quando aquela publicidade extremamente direcionada atingir sua tela. [Google Blog e Gizmodo US]

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Veja a cl√°usula 11 dos Termos de Uso do Google: http://www.ufrgs.br/soft-livre-edu/blog/clausula-11-do-google

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