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O uso de medicamentos no tratamento do TOC

O uso de medicamentosMuitos medicamentos foram experimentadas no tratamento do TOC. No entanto um fato tem ficado evidente: apenas os chamados inibidores da recaptação da serotonina são efetivos em reduzir os sintomas obsessivo-compulsivos. Esse grupo de medicamentos juntamente com a terapia cognitivo-comportamental (TCC) são os métodos de tratamento cuja eficácia no tratamento dos sintomas do TOC foi comprovada de forma consistente e são considerados na atualidade os tratamentos de primeira linha.

Os medicamentos utilizados no TOC

A clomipramina (Anafranil) foi o primeiro medicamento cujo efeito antiobsessivo ficou comprovado, ainda na década de 1970, e até hoje é muito utilizada no tratamento dos sintomas obsessivo-compulsivos. Mais recentemente, verificou-se que outros medicamentos também apresentam o mesmo efeito. Todas elas são antidepressivos, que pertencem ao grupo dos inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRSs), como já comentamos. Fazem parte desse grupo a fluoxetina, paroxetina, sertralina, citalopram, escitalopram e fluvoxamina. Para o seu uso, é necessário a prescrição médica em receita carbonada.

As doses diárias usuais

  • Clomipramina: 100 a 300 mg/dia Média: 200 mg/dia
  • Fluvoxamina: 100 a 300 mg/dia Média: 200 mg/dia
  • Fluoxetina: 20 a 80 mg/dia Média: 50 mg/dia
  • Sertralina: 50 a 200 mg/dia Média: 150 mg/dia
  • Paroxetina: 20 a 60 mg/dia Média: 50 mg/dia
  • Citalopram: 20 a 60 mg/dia Média: 50 mg/dia
  • Escitalopram:10 a 30 mg/dia. Média: 20 mg.

Em geral, as doses administradas no tratamento dos sintomas do TOC são mais elevadas do que as utilizadas na depressão. Os efeitos podem demorar até três meses para se manifestar (na depressão, em geral, o resultado é obtido mais rapidamente). O desaparecimento dos sintomas é gradual (e não rápido, como em outras doenças, entre elas a depressão ou o pânico), podendo progredir ao longo de vários meses. Um dos problemas mais sérios dos medicamentos é que a melhora tende a ser incompleta, isto é, a redução dos sintomas é parcial. Embora entre 40 e 60% dos pacientes obtenham uma redução significativa, dificilmente os sintomas desaparecem por completo. Infelizmente, mesmo que sejam utilizadas as doses preconizadas ou mesmo as doses máximas por tempo prolongado, muitas vezes os sintomas continuam em níveis considerados graves.

Quando  a resposta é parcial e insatisfatória é usual acrescentarem-se outros medicamentos aos anti-obsessivos como o haloperidol, a risperidona, a quetiapina e o aripriprazol. Mesmo durante o uso do medicamento, embora seja mais raro, podem ocorrer recaídas ou piora dos sintomas. Por estes motivos em geral se utiliza a medicação por longo tempo.Como regra deve-se sempre associar  aos medicamentos a terapia-cognitivo-comportamental.

Vantagens e desvantagens do uso dos medicamentos no TOC

As principais vantagens dos medicamentos são a facilidade do uso, o fato de serem obtidos em qualquer lugar e de não exigirem treinamento especial por parte do médico para prescrevê-los, como seria o caso da TCC. O ideal é que sejam utilizados em conjunto com a TCC, já que a associação pode ser mais efetiva do que o uso isolado de uma ou de outra modalidade de tratamento. A manutenção do medicamento antiobsessivo parece exercer efeito protetor para recaídas, especialmente se usado em doses elevadas e a longo prazo.

O uso de medicamentos tem alguns inconvenientes. O maior deles é a resposta incompleta: ao redor de 20% dos pacientes apena  ficam inteiramente livres dos sintomas e a maioria segue com sintomas residuais, mesmo depois de longos períodos de tratamento. Muitos não toleram os efeitos colaterais, que são bastante comuns, ou simplesmente não aceitam usar medicamentos. Um outro inconveniente são as recaídas, que são muito comuns após a suspensão do tratamento. Uma pesquisa mostrou que elas ocorrem em até 90% dos pacientes nos primeiros quatro meses após a interrupção.

Efeitos colaterais

Os efeitos colaterais mais comuns da fluoxetina, da sertralina, da paroxetina, da fluvoxamina do citalopram e escitalopram são náuseas, dor abdominal, sonolência, eventualmente insônia, inquietude, dor de cabeça e, sobretudo, disfunção sexual (diminuição do desejo, dificuldades para atingir o orgasmo retardo na ejaculação). Mais raramente podem provocar tremores das mãos.

A clomipramina (Anafranil) pode provocar tonturas, queda da pressão arterial, boca seca, visão borrada, constipação intestinal, sonolência, fadiga, ganho de peso, retardo na ejaculação, retenção urinária, diminuição da libido e confusão mental. Mais raramente, provoca tremores das mãos, suores noturnos e galactorréia (secreção de leite) em mulheres. Em doses elevadas, pode provocar convulsões. A clomipramina não deve ser usada em crianças, em obesos e especialmente em pacientes com problemas cardíacos, como os idosos, pois provoca tonturas e aumenta o risco de quedas e além de provocar alterações na condução dos impulsos elétricos que regulam os batimentos cardíacos. Outra razão para a clomipramina não ser usada neste último grupo de pacientes é o fato de provocar confusão mental, agravar a constipação intestinal ou provocar retenção urinária o que pode acarretar dificuldades sérias em homens com problemas de próstata. Fora essas limitações, pode ser um excelente medicamento, especialmente para os mais jovens, que se adaptam mais facilmente aos efeitos colaterais.

Em geral, os efeitos colaterais são mais fortes ao se iniciar a medicação. Eles variam de pessoa para pessoa e tendem a ser mais intensos em idosos e crianças. Os efeitos colaterais também atingem pessoas muito sensíveis a medicamentos, que nunca os utilizaram ou que estejam muito magras ou desnutridas. Os efeitos costumam se atenuar após três a quatro semanas do início do uso do medicamento.

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