Como os sintomas desaparecem com a terapia cognitivo-comportamental

Conforme foi mencionado anteriormente, a natureza nos dotou de um mecanismo natural de diminuição de resposta a estímulos em geral (sons, cheiros, paladar, tato, luz) – a habituação. Curiosamente, essa diminuição também vale para reações de medo ou desconforto, desde que se permaneça em contato com o estímulo que as provoca por tempo suficiente e que ele, de fato, não ofereça qualquer risco. No TOC, demonstrou-se que a ansiedade e, conseqüentemente, os sintomas físicos e psicológicos que o indivíduo sente em decorrência (taquicardia, suor nas mãos, falta de ar, medo de perder o controle, apreensão) desaparecem espontaneamente após um período de exposição entre 15 minutos e 3 horas. Além disso, os sintomas desaparecem mais rapidamente quando a exposição é repetida. A cada exposição, a intensidade e a duração dos sintomas ficam menores. Verifica-se seu desaparecimento não só durante o exercício (habituação durante a sessão), mas também no intervalo entre as exposições (habituação entre as sessões). Reações como nojo ou desconforto, sensação de que as mãos estão pegajosas, também desaparecem por meio desse mesmo mecanismo.

Muitos pacientes temem o aumento inicial da ansiedade, mas a experiência tem demonstrado que o aumento da freqüência cardíaca, observado às vezes, não apresenta nenhum risco ao sistema cardiocirculatório (como uma crise de angina ou um infarto, desmaios, crise de loucura, etc.).

Algumas pessoas perguntam se o fato de eliminar um sintoma não faz com que automaticamente surja outro em seu lugar. Na verdade, isso nunca foi constatado, devendo, portanto, ser considerado um mito. Observa-se, sim, que o sintoma eliminado com os exercícios geralmente não volta. Contudo, pode ocorrer a eliminação de alguns sintomas enquanto outros permanecem inalterados.

A terapia cognitivo-comportamental: ETAPAS

Na terapia cognitivo-comportamental, além de comparecer às sessões, nas quais recebe informações sobre o TOC e sobre os recursos e técnicas disponíveis para vencer os sintomas, o paciente faz exercícios práticos junto com o terapeuta, aprendendo a usar tais recursos técnicos para, depois, aplicá-los em seu próprio domicílio ou local de trabalho. Usualmente, no início do tratamento, é elaborada uma lista de todas as obsessões, evitações e rituais. Os sintomas são classificados de acordo com o grau de aflição que provocam ou com o grau de dificuldade em enfrentá-los. A partir dessa lista hierarquizada, os exercícios de exposição e prevenção de resposta que serão realizados nos intervalos das sessões (em casa) são planejados semanalmente. Deve-se começar pelos sintomas considerados mais fáceis ou que provocam menos ansiedade, deixando-se para mais adiante os mais difíceis. Os exercícios são sempre decididos em acordo com o terapeuta, e devem apresentar um nível de dificuldade considerado perfeitamente suportável. É necessário que o paciente dedique um mínimo de tempo, uma a duas horas por dia, à realização dos exercícios.

 

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