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[LYON, David. Pós-modernidade. São Paulo: Paulus, 1998. 131p.]




David Lyon, professor de sociologia na Queen's University Kingston, Canadá, teve seu livro Pós-modernidade publicado em 1994. De acordo com suas palavras no prefácio, seu objetivo era tentar o impossível: "uma breve descrição da pós-modernidade". Para isso, divide o texto em seis capítulos e de forma clara e simples traça as linhas gerais das mudanças sociais do final do século XX.

Na introdução, salienta a dimensão cultural como foco do movimento pós-moderno que se reflete nas artes, na arquitetura e no cinema. Passa a descrever características pós-modernas visibilizadas através do filme Blade Runner, de Ridley Scott. Em relação à trama, Lyon detém-se especialmente no 'questionamento da realidade', na mistura do moderno, na 'busca da identidade' e na vigência do capitalismo em sua fase pós-industrial/consumista.
Dirigindo o leitor ao aprofundamento destas questões, no segundo capítulo, faz um apanhado da pós-modernidade como evento histórico, "uma idéia, uma expressão cultural, uma condição social". (LYON, 1998, p. 13). Aponta que o debate sobre a pós-modernidade se estabeleceu após os anos 80 e resgata a trajetória desta idéia dentro de uma linha social e intelectual.

No terceiro capítulo, Lyon propõe um mergulho em seu passado e passa a analisar a modernidade. Partindo da sua origem no pensamento iluminista, descreve suas características de ênfase na razão humana e no progresso como produtores de liberdade. Situa a modernidade no abandono da 'providência' e opção pelo 'progresso'como fonte de segurança e desenvolvimento humanos. Descreve seu desenvolvimento e as mudanças sociais que determinou, em especial em relação às ciências, à tecnologia e sua ligação com o desenvolvimento do modo de produção capitalista. Salienta suas representações culturais, suas contradições internas que deram origem as primeiras idéias ditas pós-modernas.

No quarto capítulo, Lyon aborda o início do 'novo tipo de sociedade' ligando as transformações sociais preditas desde os anos 60 ao que Daniel Bell consagrou como pós-industrialismo e que hoje se chama sociedade da informação. Uma sociedade onde a informatização é decisiva para todo o seu funcionamento e em que, para alguns, o princípio de análise social se transfere do trabalho para o conhecimento. Um conhecimento performativo, focado nas habilidades e competências, uma transmutação de todo o estatuto do saber que nos faz chegar ao conceito de uma sociedade pós-moderna global. Conclui pela participação central das novas tecnologias da informação e da comunicação em todas estas mudanças sociais e nos seus desdobramentos.

No quinto capítulo é abordado o tema do consumismo. A partir da mercadorização de todas as coisas, o surgimento de uma cultura de consumo onde "o projeto do eu se traduz no projeto de posse de bens desejados e na busca de estilos de vida artificialmente modelados" (GUIDDENS, apud LYON, 1998, p. 93). Lyon trás as visões de diversos autores e dos novos movimentos sociais onde o pós-modernismo é apontado como a lógica cultural do capitalismo atual e conclui que não há ruptura entre a modernidade e a pós-modernidade, tanto nos aspectos sociais como nos aspectos culturais.

No capítulo final, Lyon constrói a tese de que a análise da atual sociedade deve partir da reavaliação da modernidade e dos seus desdobramentos pós-modernos. O autor pergunta-se se resta algo dos ideais modernos que possa ser revitalizado no sentido de um abandono da rota pós-moderna para o caos. Evoca a ligação da sociedade atual com o capitalismo de consumo e apresenta as teorias de diversos autores para a superação do momento atual. Encerra dizendo que as saídas propostas são de toda a ordem e que um princípio coerente seria reconhecer a arrogância em depositar toda a confiança na razão humana apenas.

O Pós-modernidade de Lyon é uma leitura agradável que trás traz a reflexão todos os principais temas que configuram as sociedades avançadas atualmente.

* professora e engenheira, mestranda em Educação PPGEdu/UFRGS. Professora do Colégio Militar de Porto Alegre. Pesquisadora do TRAMSE/UFRGS



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