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Quinta-feira, Abril 29, 2004
# Pessoal, Não sei se alguém ficou responsável de apresentar a leitura de Maquiavel na próxima aula. No entanto, gostaria de fazer parte da apresentação, pois comecei a leitura e fiquei muito empolgada com o príncipe moderno. Vera Rosane Segunda-feira, Abril 26, 2004
# Pessoal, Recebi o e-mail que segue anexo sobre os índios Cinta Larga, e não pude deixar de passar a diante. Pois cada vez que morre uma vida sempre ficamos revoltdos, mas se não formos aos fatos geradores nuca teremos justiça. Ter morrido mais de vinte pessoas é muito ruim, mas o exterminio em nome do dianheiro, de terras, diamantes ou seja o que for é Inadmissível. Vera Rosane Segue um relato que, diante do conflito que está ocorrendo entre garimpeiros e índios Cinta Larga, provoca a reflexão e nos remete a pergunta: Onde estão os promotores dessa chacina? "Mais dramático ainda foi o caso dos índios Cintas Largas, pequena tribo praticamente desconhecida do vale do Jiparaná, que foi atingida por uma das fronteiras da economia extrativista. Uma reportagem publicada na revista Fatos e Fotos do Rio de Janeiro (18 de abril de 1968), descreve a selvageria com que esses índios foram abatidos pelos que queriam apoderar-se de suas terras. 'O pequeno avião monomotor já havia feito dois rasantes sobre a aldeia e agora, mais baixo, quase tocando com as rodas nas folhas das árvores, se aproximava fazendo grande ruído. Na maloca, os índios corriam para dentro de suas palhoças e no meio do terreiro as mulheres e crianças choravam desorientadas. De repente, uma explosão levanta palha, madeira, terra e corpo de gente. Em seguida outra explosão e o avião desaparece sobre a copa de uma grande castanheira para dar mais uma volta e sobrevoar a alceia. Ele ganhou alguma altura e desta vez vem de pique sobre o acampamento. Com o barulho do motor não dá para se escutar o ruído dos tiros, mas em suas janelas se vê o braço de um homem trepidando com o pipocar de uma metralhadora. As pessoas saem correndo das poucas casas que ainda restam e a maioria tomba alguns metros adiante, sem alcançar o mato pra se proteger. Assim foi exterminada quase uma tribo inteira de índios Cintas Largas, no Estado de Mato Grosso, em meados de 1963. Bananas de dinamite eram jogadas sobre as malocas e os índios que conseguiam sobreviver ao primeiro ataque foram alvejados a tiros de metralhadora. Ao todo, ali viviam trinta índios, mas apenas dois puderam contar essa história'. (Reportagem de Ronald de Carvalho). Mas não ficou nisto, porque os chacinadores voltaram depois por terra, para liquidar os sobreviventes. Ocorre, então, o seguinte episódio: 'Após terem metralhado um grupo de índios acampados junto a um rio, os homens da expedição ouviram um choro de criança, abafado pela mão da mãe. Para os que deviam regressar na manhã seguinte com a missão cumprida, aquele pequeno ruído mostrava que o serviço não fora perfeito. Rapidamente eles acendem as lanternas e saem vasculhando o mato. Sob dois corpos crivados de balas estavam escondidas mãe e filha. Os homens que as encontraram fizeram uma festa. Dois tentavam violentar a mulher e um beliscava a garotinha que chorava, vendo a aflição da mãe. Em volta fechando o círculo, o grupo se divertia. Nas mãos dos dois nordestinos fortes a mulher índia se debatia. Nesse instante, aproveitando um descuido, a criança libertou-se, correu em socorro da mãe e, com raiva, mordeu a perna de um dos homens. A mulher em pânico tentava cuidar da menina e, ao mesmo tempo, livrar-se dos homens que a violentavam. O homem com a perna mordida foi substituído por outro, afastou-se da índia e com ódio começou a estrangular a criança. Alguém, querendo terminar com o espetáculo paralelo que atrapalhava o primeiro, tomou a menina das mãos de seu estrangulador e lhe deu um tiro de pistola 45 na cabeça. A testa da garotinha explodiu e o sangue salpicou a roupa dos que estavam volta. Vendo a filha morta, a mulher não resistiu e desmaiou. Indefesa nas mãos dos chacinadores, a índia foi violentada por todos e depois retalhada a facão". (Ibidem) (RIBEIRO, Darcy. Os índios e a Civilização. Petrópolis, RS: Vozes, 1977, p. 189-190). Domingo, Abril 25, 2004
# Introdução ao estudo da filosofia e do materialismo histório (Gramsci) Pensar este conteúdo em Educação, Já no início da leitura, onde o autor , com imensa facilidade explica o que é Filosofia , encontrei forte semelhança entre o conceito de Intelectual e de Filosofia. Se conseguirmos compreender que a Filosofia, com seus limites e suas características , interage é dinâmica e se a pensarmos com o foco voltado para Educação, poderemos compreender que em cada grupo social existe sua noção de senso comum, de bom senso , acredito que teremos mais clareza para pensar, construir uma proposta em educação. Compreender que a Filosofia está vinculada á concepção de mundo é ter claro que estamos interagindo, é saber que podemos criticar o nosso mundo, torná-lo coerente. É importante compreender o nosso papel nesta história , no passado, e criarmos assim um presente melhor. É ter consciência que estamos fazendo parte deste processo histórico. Ma s afinal o que tem isso a ver com a Educação? Ora se pela própria concepção de mundo, pertencemos sempre a um determinado grupo social com o qual compartilhamos, pensamos e agimos, podemos interagir neste pensar para a educação vista por Gramsci. Não como uma formação fechada, mas aberta , onde não existe um dirigir, mas sim partícipe. Entender também que existem grupos mais desenvolvidos e outros menos, tanto histórico como socialmente e que o nosso presente está embasado nas experiências passadas. Portanto entendo que o papel do educador , segundo Gramsci, não é apenas o de criar uma nova cultura, individualmente, mas sim difundir verdades já descobertas, criticamente, socializá-las para que possam ser tornar bases de decisões importantes, que leve um grupo a pensar com coerência, real e presente, que promova neste grupo uma nova verdade que esta verdade possa ser incorporado ao seu patrimônio. É possível também encaixar na Educação as questões expostas por Gramsci referindo-se ao " agir político" onde existe um contraste entre a teoria e a prática, e ao mesmo tempo que contrastam , coexistem, enquanto concepções de mundo, uma afirmada pelas palavras e a outra pela próprio agir. Aqui neste momento deverá prevalecer o bom senso, que deverá ser coerentemente desenvolvimento dentro do momento histórico que este grupo está vivenciando para que se possibilite a permanência do contato com o simples, com a fonte dos problemas que deverão ser estudados e resolvidos. Promover, ou permitir que a crítica aconteça, pois desta maneira o valor real, ou o significado, poderá surgir e desta forma as respostas aos novos problemas poderão ser construídas. Mas é importante também que se tenha uma compreensão crítica de si mesmo tanto em relação a ética como a política para que se possa elaborar uma concepção do real, ter consciência de ser parte de uma certa força hegemônica. Mas existe ainda, sob o foco da educação, e no contexto gramsciano , a necessidade, a possibilidade de rever, de retomar, de reformar o senso comum e as velhas concepções de mundo , de trabalhar intelectualmente . Entendo a Escola como uma das maiores organizações culturais buscar a interação desta com os grupos sociais, não apenas como formação cultural , fragmentada, mas homogênea , coerente e unificadora.
# Pessoal.. que otima noticia ver todos agora já conectados ao blogger . Espero que possamos dar continuidade ao debate iniciado e também desenvolvido em sala de aula. Neste sentido, gostaria aqui ja de fazer duas observações/indicações que podem prolongar/ampliar nossos debates: 1) Um texto complementar que diz respeito ao que estamos discutindo e que aborda, sob oolhar de Gramsci, a educação no tempo histórico atual bem como na realidade brasileira. Para quem interessar, trata-se do texto 'GRAMSCI, A EDUCAÇÃO E O BRASIL - NOTAS PARA UMA REFLEXÃO CRÍTICA' do Prof. Paulo Sergio Tumolo , que está publicado na revista Universidade e Sociedade, Ano VII, n. 12 de fevereiro de 19997, pgs. 91 a 97. A revista se encontra na biblioteca da FACEF/UFRGS. Podemos xerecá-lo e deixar uma cópia na pasta da disciplina. 2) Ainda, a quem interssar, indico também o filme animado 'VIDA DE INSETO' onde, de forma bem descontraída e animada, podemos ver retratado um pouco do que Gramsci fala na perspectiva da contrução de um bloco histórico para a transformação da realidade social contraditória. O confronto das formigas, que decidem se rebelar contra a dominação e exploração dos gafanhotos, demonstra a organização necessária para a transformação. Para concluir.. reforço que na primeira parte da sistematização do texto que foi base de nossa discussão na ultima aula, primeira parte que iríamos apresentar apos o intervalo e que o Rafael ficou de retomar na proxima aula (não estarei presente), que vai da página 1 até a metade da pagina 4 do xerox entregue, Gramsci explicita claramente o 'Por que e como se difundem as novas concepções de mundo'. Esta questão, me parece chave para compreendermos o que e como Gramsci entende a possibilidade de engajamento e de ação para a transformação das massas. Comentando alguns aspectos sobre a resposta a esta questão.. Conforme Gramsci: "Pode-se concluir que o processo de difusão das novas concepções ocorre por razões políticas, isto é, em última instância, sociais; entretanto, o elemento forma (a coerência lógica), o elemento autoritário e o elemento organizativo têm uma função muito grande neste processo tão logo se tenha verificado a orientação geral, tanto em indivíduos singulares como em grupos numerosos. Disto se conclui, entretanto, que nas massas como tais, a filosofia não pode ser vivida senão como uma fé." (26) "O elemento mais importante, indubitavelmente, é de caráter não racional: é um elemento de fé. Mas, de fé em quem e em quê ? Notadamente no grupo social ao qual pertence, na medida em que este pensa as coisas também difusamente, com ele: o homem do povo pensa que, no meio de tantos, ele não pode se equivocar radicalmente, como o adversário argumentador queria fazer crer; que ele próprio, é verdade, não é capaz de sustentar e desenvolver as suas razões como o adversário; e, de fato, ele se recorda de ter ouvido alguém expor, longa e coerentemente, de maneira que ele se convenceu de sua justeza, as razões da sua fé." (26) Assim, comparando a organização e adesão que a igreja consegue manter, Gramsci vai afirmar: "Disto se deduzem determinadas necessidades para todo movimento cultural que pretenda substituir o senso comum e as velhas concepções do mundo em geral, a saber: 1) não se cansar jamais de repetir os próprios argumentos (variando literalmente a sua forma): a repetição é o meio didático mais eficaz para agir sobre a mentalidade popular; 2) trabalhar incessantemente para elevar intelectualmente camadas populares cada vez mais vastas, isto é, para dar personalidade ao amorfo elemento de massa, o que significa trabalhar na criação de elites de intelectuais de novo tipo, que surjam diretamente da massa e que permaneçam em contato com ela para tornarem-se os seus sustentáculos. Esta segunda necessidade, quando satisfeita, é a que realmente modifica o "panorama ideológico" de uma época. (27) Neste sentido, já que para ele "A escola - em todos os seus níveis - e a igreja são as duas maiores organizações culturais em todos os países, graças ao número do pessoal que utilizam." (29) vejo que a escola, tem extrema responsabilidade e pode permitir a materialização destas duas necessidades de todo movimento cultural que pretenda tornar outra concepção de mundo (filosofia) hegemonica contribuindo para a transformação da realidade. Aí e´que entra também o papel do educador enquanto um intelectual organico. Quanto as possibilidades de ação deste último.. fica dentre os assuntos para continuarmos debatendo! Abraço a todas/as. Nair. |