.:: espaço onde alunos e alunas do PPGEDU da UFRGS interagem e refletem sobre suas leituras e atividades.

Relendo Clássicos é um projeto vinculado ao [zaptlogs] da ZAPT / UFRGS , Porto Alegre, RS, Brasil

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Segunda-feira, Maio 31, 2004
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Compartilho com o Rafael a admiração por Michael Moore. Ainda não assisti ao filme, mas já li sobre...também estou empolgada para o dia 8. O cara é gênio...
Conheci sua crítica à hegemonia americana a alguns anos, pela Tecsat (no interior se a gente não quer assistir as notícias pelos olhos e boca do Lasier Martins, só com alguma tecnologia). Num de seus programas, o cara teve a brilhante idéia de alugar um posto de gasolina que vendia a dita por 60% do valor normal. Quando as pessoas chegavam para abastecer, o frentista -o próprio Michael Moore, explicava que era uma promoção e toda a arrecadação iria para as vítimas do embargo americano ao Iraque (crianças sem remédios e sem alimentos). Ele inclusive mostrava fotos. A primeira reação das pessoas era xingar e ir embora, movidos pelo nacionalismo. Todas porém, sem excessão, retornavam e enchiam o tanque, quando não levavam em galões para o outro dia. Não que estivessem sensibilizadas pela causa, de jeito nenhum. Mas o espírito do americanismo falava mais alto - o lucro a qualquer preço. A velha hipocrisia dos capitalistas: mandam às favas seus princípios para obter algum lucro. Coloco aqui um trecho do ótimo Stupid White Men - uma nação de idiotas, do Michael Moore, que nos traz uma definição das conseqüências do Americanismo, numa abordagem gramsciniana bem atual:
"Liberdade de escolha é uma coisa do passado. Fomos reduzidos a seis empresas de comunicação, seis empresas de transporte aéreo, duas e meia montadoras de carros e um conglomerado de rádio. Tudo que jamais precisaremos pode ser encontrado no WalMart. Podemos escolher entre dois partidos políticos que parecem iguais, votam da mesma forma e recebem fundos exatamente dos mesmos doadores ricos. Podemos escolher vestir roupas indefinidas em tom pastel e nos mantermos calados, ou podemos escolher usar uma camiseta com o Marilyn Manson e sermos expulsos da escola. Britney ou Christina, Warner Bros ou UPN, Flórida ou Texas - não existem diferenças, gente; é tudo igual, é tudo igual, é tudo igual..."(Michael Moore, 2001).
Até terça, Rita





Sábado, Maio 29, 2004
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Olá gentes... Conversando com a Carmen, ao final da última aula, fiquei estimulado com a possibilidade de assistirmos, juntos, o filme do americano Michael Moore na aula do dia 08/06. Então decidi passar algumas informações sobre o cara para que tomemos conhecimento de sua obra. Então, uma boa leitura... Rafa

Cannes


Tiros em Columbine - 2002
Tiros em Columbine" é um filme engraçado e aterrorizante sobre os Estados Unidos, o estado da União e a alma violenta da América. Por que 11 mil americanos morrem todos os anos vítimas de armas de fogo? Essa é a grande questão. As pessoas berram nas câmeras de TV e acusam todos de satanás, até os joguinhos de vídeo game. Mas será que somos muito diferentes dos outros países? O que nos torna diferentes? Como é que nós nos tornamos ao mesmo tempo os mestres e as vítimas de tanta violência? Tiros em Columbine não é um filme sobre o controle de armas. É um filme sobre o coração e a alma apavorada dos Estados Unidos, e sobre os 280 milhões de americanos sortudos o suficiente para ter o direito constitucional de ter um Uzi.

Fahrenheit 9/11 - 2004
Depois da ampla repercussão na imprensa, com direito a editorial do The New York Times criticando a decisão da Disney de vetar a distribuição do novo documentário do cineasta e escritor Michael Moore, Fahrenheit 9/11 foi exibido pela primeira vez no mundo no dia 17 de maio, no Festival de Cannes e foi aplaudido de pé por pelo menos 23 minutos, como informam os jornais Folha de S.Paulo, O Estado de S.Paulo e O Globo, que reservaram a capa dos seus cadernos de cultura para o assunto: Folha Ilustrada, Caderno2 e Segundo Caderno, respectivamente. O filme é um dos 18 concorrentes à Palma de Ouro. Em Tiros em Columbine, Moore mostrou os efeitos do medo individual, e em Farenheit 9/11, ele estuda as causas e conseqüências do terror coletivo que é induzido pelo Estado para poder manipular os cidadãos. A exibição do documentário monopolizou as atenções do festival e atraiu os jornalistas presentes no evento pela grande possibilidade do filme interferir no resultado das urnas em novembro, nas eleições presidenciais americanas. Acesse as principais matérias e reportagens publicadas hoje (18 de maio).











Terça-feira, Maio 25, 2004
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Olá pessoal!
A aula de hoje 25.05 foi muito boa. Lembrando dos amigos que não estavam presentes: continuamos para a próxima com Americanismo e Fordismo.
Trabalhamos hoje com muitos pontos dos textos de Gramsci, aliás, é impossível manter a linearidade quando se trata da teoria gramsciniana.
Isso me faz recordar uma disciplina básica "Software Educacional" que é obrigatória para o Licenciatura em Computação, mas optativa para as demais
Licenciaturas. Em uma avaliação dos cursos reclamei que os alunos, nessa disciplina eram muito heterogêneos e cada curso possuia peculiaridades impossíveis de serem tratadas em caso de turma muito heterogênea. Alguns professores concordaram comigo, mas fui severamente criticada por um professor muito culto, que admiro muito, por não conseguir lidar melhor com a diversidade. Ao final refelti sobre o meu ponto de vista e a crítica e consegui reelaborar o meu trabalho. Hoje vejo a disciplina e os conteúdos sob um outro prisma, consigo linkar até com questões trabalhadas em Sociologia e Filosofia, base conquistada nas discussões como as de hoje aí na UFRGS. Então amigos, atento para a importância da diversidade, dos pontos de vista dvergentes e da capacidade de descentração - "coisa" que Gramsci conquistou com muita propriedade.
Abraço a todos, Marcia.





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Agradeço as indicações!
[] Marcia





Domingo, Maio 23, 2004
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Colegas, estou postando esse texto da Caros Amigos ( Correio Web Caros Amigos, 21/05/2004) porque achei interessante a semelhança com as discussões de algumas de nossas aulas. Rita
Do veneno maniqueísta
Por Luís Fernando Vitagliano
Por estranho que pareça pelo título, este artigo trata do PT. Não só do atual Partido, mas de sua história. Porque, diferente da formação dos outros partidos nacionais, o Partido dos Trabalhadores nasceu de manifestações de massas. Em uma época de grande efervescência política, o Partido vem de uma junção estranha de proletários, católicos e intelectuais (que só a partir das carências brasileiras pode ser entendida). Afinal, não há outro exemplo no mundo que tenha conseguido unir esses grupos em torno de um projeto político.

Tão gritante era a originalidade do PT que rapidamente se tornou exemplo de compromisso social e ético, em contraste com a tradicional política partidária de cunho clientelista reinante no contexto brasileiro. Aos poucos o Partido se impõe à agenda política. Revigora o debate sobre ética política, de combate a gritante corrupção de algumas correntes partidárias. Não há novidade nisto, o "Rouba, mas faz!" de Adhemar de Barros e seus herdeiros teve em São Paulo adversários tradicionais, como a vassourinha de Jânio. Mas, este caminho aberto, e mal preenchido por outros partidos, foi adequado ao corolário petista rapidamente.

E foi no processo de redemocratização que a realidade misturou-se à fantasia. O mito se tornou estratégia bem sucedida de marketing. Ou seja, o PT se tornou o portador oficial da honestidade e ética na política. Os outros partidos, por contraste, eram acusados de desvios, má-vontade, favorecimento das elites corruptas e tudo mais que se possa averiguar.

Em uma bem casada racionalidade, muitas coisas ganhavam sentido lógico para um partido que nasce de manifestações de massas e tem uma plataforma definida de reivindicações sociais: nada mais evidente do fazer da luta contra a corrupção uma bandeira. Criou-se então no imaginário popular uma mística. Como se o PT fosse o representante da virtude, enquanto os outros partidos eram os representantes do vício. Com o toque particular de Duda Mendonça, as eleições de 2003 ganharam ares de luta entre o bem e o mal.

Aos poucos, as notícias de Brasília mostraram que as coisas não eram bem assim. Se os outros não eram tão maus, os petistas também não se mostram tão bons. A realidade logo tratou de corrigir os erros místicos. Deparamo-nos com o fato de que os problemas enfrentados pelo PT são os mesmos que todos os partidos (ou facções políticas) se colocam: como conquistar e manter o poder? Maquiavel fez esta pergunta em 1513, quando escreveu O Príncipe. E, antes de saber o que fazer com o poder que tem, qualquer governo precisa saber como conservá-lo. Evidente: ninguém precisa saber o que fazer com o poder se se deixa perdê-lo. Assim, se o PT não é tão bom quanto achávamos, também não é tão ruim como estão pintando.

Se isso que coloco for verdadeiro, o importante é nos perguntarmos o que o governo de Lula tem de original, diferente. Já sabemos que não é a pureza dos virtuosos. Recuso-me a aceitar que é a incapacidade que agora pintam. E, afastem-se frases estúpidas do tipo: "políticos são todos iguais"; se fossem, o que diria Clinton quando olhasse no espelho: Bush?!!

Luís Fernando Vitagliano é mestrando Unicamp/Campinas, pesquisador FAPESP do projeto temático "Reestruturação econômica mundial e reformas liberalizantes em paises em desenvolvimento e membro discente do CEIPOC - Centro de Estudos Internacionais de Política Contemporânea.






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Márcia, vou tentar, mas espero que mais pessoas postem sobre a última aula.
O colega Luís Fernando, nos presenteou com um texto de Gramsci: Os indiferentes. Excelente como reflexão inicial. Tirei algumas cópias para discutir nas reuniões pedagógicas da minha escola...posso te levar uma.
Lembra que a Lélia ficou inscrita para falar no final da última aula em que vc estava, quando discutíamos democratização? Bem ela iniciou a sua fala comentando sobre como uma bandeira de luta das esquerdas, a eleição direta de diretores nas escolas estaduais, pode ser desvirtuada, e alguém ser eleito com a ampla maioria e depois esquecer que o processo foi democrático, esquecendo o diálogo e as decisões conjuntas, podendo até mesmo destituir os vices que foram eleitos pelos professores (é isso, Lélia?). Os comentários se deram em torno de como historicamente a direita vem se apoderando de bandeiras antes utilizadas exclusivamente pelas esquerdas. Termos como qualidade, cidadania, inclusão, participação, entre outros, surgem moldados de uma forma que sirva exatamente a quem não está nem aí para o real significado deles. Outra contribuição feita foi em relação ao tipo de democracia que temos. Votamos e se não ficamos satisfeitos temos que esperar a próxima eleição. Será essa a única forma de participar? Trazendo o OP para a discussão, percebemos que traz avanços em termos de democratização e participação da sociedade civil na gestão, apesar de institucionalizar o que já está posto. Mais do que disputa por obras entre o bairro X ou Y, observa-se o crescimento do princípio de solidariedade e de diálogo entre as partes interessadas. Mas é preciso ainda avançar...e essa é uma discussão interessante. Difícil falar nisso sem tomar partido.
Por efeito da globalização, o Estado, não dando conta dos anseios e reivindicações sociais, abre espaço para a sociedade civil, que teoricamente poderia assumir encargos políticos. Como temos visto, a sociedade civil está desagregada: proliferam movimentos sociais, mas sem unificação ( não podemos esquecer que vivemos sob a lógica do capitalismo = consumismo, concorrência, acumulação, individualismo, "neutralidade" política.
O movimento de luta pelas diretas, aparentemente coeso, deve ser analisado em seu momento histórico - país periférico, regime de governo autoritário (assim como em outros países da América latina). Alguém lembrou (acho que foi a Vera), que nos demais países com ditaduras militares, sempre que havia pronunciamento na TV, os presidentes apareciam de farda. No Brasil isso não acontecia; os generais iam para a tela de terno e gravata (intenção de aparentar um governo mais aberto). Interessante, né?
E nesse quadro de fragilidade democrática que temos no Brasil, até que ponto existe vontade coletiva para que haja mudanças (baseemo-nos por nós mesmos, professores, nas práticas de sala de aula)?. Será possível unificar ações e movimentos? Como avançar na articulação entre Estado forte e uma sociedade civil organizada politicamente? Quem protagonizará este feito? A ação dos "intelectuais" dará conta de toda a vontade coletiva ( que é, ou está desagregada)? Espero ter te ajudado a se situar. Até terça, Rita





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[postagem e outras coisinhas :)]


Pessoal, o wbloggar já voltou ao normal. É possível deletar e corrigir posts por ele novamente. Por outro lado, atendendo a algumas solicitações, informo que é possível a todos terem a sua própria assinatura para postar neste blog. Como? Me passando seu e-mail.
Acontece da seguinte forma:

   - Mandarei um email convite para o seu endereço por meio do blogger. Neste email vai um link para aceitação do convite. Antes de aceitar o convite, saia da página de edição do blogger (a www.blogger.com), usando o botão 'sair' ou 'logoff' e feche a página.
   - Cliquem no link do convite e abrirá uma página que pergunta se vocês aceitam o convite. Marquem sim.
   - Na página é perguntado, também, se vocês são usuários do blogger. Escolham a opção NÃO e preencham o cadastro.
   - Não usem nem a senha nem o nome de usuário deste blog. Criem o seu.
   - Usem prefencialmente nomes de usuários diferentes. Por exemplo: é bem provável que já exista alguém usando dudu, então usem dudufrgs. Importante: não usem acentos, espaço entre palavras, símbolos, ç ou letras maiúsculas.
   - Feito o cadastro aparecerá uma página onde tem um link para o blog. Nesta página, além de nosso blog, vocês poderão criar o seu próprio se assim o desejarem.
   - Depois disso basta configurar uma nova conta no wbloggar, exatamente como fizeram a que já tem. Abram o aplicativo, selecionem 'nova conta', e preencham com os dados que criaram (nome do usuário e senha) e criem a 'nova conta'. Na janela que abrir, escolham 'blogger' e coloquem novamente seu nome de usuário recém criado.


Tá feito! De agora em diante seus posts vão sair com sua assinatura, como este meu (olha o Su lá embaixo!).
buh <--- clique na bonequinha para me mandar um e-mail. abraço a todos :)





Sexta-feira, Maio 21, 2004
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Pessoal!
Parece que os comentários ficaram esquecidos!
Mais do que isto, o pedido da Márcia continua sem resposta, ou eu é que estou enganada?
Para quem não estve presente no dia 18 de maio informo que combinamos a leitura do "Americanismo e fordismo" para a próxima semana.
Bom fimdi!!! Bom desconso e também trabalho, espacialmente nas leituras!
ont>Carmen
ComunicaçãoC:\Documents and Settings\UFRGS\Meus documentos\Minhas imagens\comunicação é td.jpg





Terça-feira, Maio 18, 2004
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Amigos!

Vcs devem estar iniciando a aula. Eu estou aqui (no meu cárcere) impedida de participar presencialmente por motivos inesperados-imprevistos no meu local de trabalho, os quais necessito resolver ainda hoje.
Sendo assim, gostaria que colocassem um relato do que for discutido e as leituras que deverão ser feitas para o dia 25.05.
Agradeço a quem puder colaborar. Um ótimo encontro e mais uma vez obrigado! Marcia





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Genial as descobertas que começam a aparecer!
Tanto as de produção de texto como a de nosso desconhecimento da tecnologia!
Eu não sei como resolver a dupla postagenm mas eu sei que no Zaptquest do Blog [zaptlogs] voces podem encontrar a orientação para retirar o que foi publicado em dose dupla.
Quanto às questões retomares presencialmente algumas, hoje!
Esta aqui comigo a Jara, ainda relutante em aprender a mexer nestas coisas maquinavélicas!
Até a tarde.





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Queridos colegas, penso que agora consigo retornar a este meio de comunicação. Estava com dificuldades. Este é um teste. Continuemos com Gramsci, italiano um pouco complicado, mas que aos poucos vamos fazê-lo falar mais para nós, que preicsamos ouví-lo e assim poder interpretá-lo. Abraços, Isabela Camini





Segunda-feira, Maio 17, 2004
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[como usar o wbloggar]


Pessoal, corrigi o link para baixar o programa wbloggar, pois mudou. Clique AQUI para baixar o programa e aprenda como usar neste post. Talvez tenha sido por isso que alguns não conseguiram instalar.





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[mudanças no blogger]


As mudanças no blogger estão fazendo com que o wbloggar não funcione para a edição (corregir/deletar) de posts. Para estes movimentos é necessário acessar diretamente o site do blogger. Acredito que em breve haverá correção para esta limitação.





Domingo, Maio 16, 2004
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Ao tentar entender melhor as idéias de Gramsci reli as anotações em aula e textos e me surgiram algumas questoes:
1- Gramsci coloca que a escola deveria ser unitaria (pois entende a escola como uma das maneiras de transformacao da sociedade) como seria esta escola, tem os principios da teoria critica da educacao?

2- Com relacao as categorias tenho dificuldade para entender qdo se refere a estrutura e a super estrutura. Estrutura seria como a sociedade esta organizada em termos de hierarquia de classes, politica, economia e super estrutura as normas e valores que esta organizacao impoem?

3- e a filosofia da praxis nao entendi esta categoria, qual é o seu conceito.

Abraços a todos
Ate terça feira

Maira Rozenfeld





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Ao tentar entender melhor as idéias de Gramsci reli as anotações em aula e textos e me surgiram algumas questoes:
1- Gramsci coloca que a escola deveria ser unitaria (pois entende a escola como uma das maneiras de transformacao da sociedade) como seria esta escola, tem os principios da teoria critica da educacao?

2- Com relacao as categorias tenho dificuldade para entender qdo se refere a estrutura e a super estrutura. Estrutura seria como a sociedade esta organizada em termos de hierarquia de classes, politica, economia e super estrutura as normas e valores que esta organizacao impoem?

3- e a filosofia da praxis nao entendi esta categoria, qual é o seu conceito.

Abraços a todos
Ate terça feira

Maira Rozenfeld





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Fiquei devendo o resumo sobre
(da Marcia)

Gramsci e a escola

Lembrando que Gramsci foi o marxista que mais longe levou as reflexões sobre a escola.

A escola da época era fragmentada, somente uma escola unitária levaria a superação da hegemonia vigente e imposta pela classe dominante.

Uma definição de hegemonia: “exercício de uma classe por meio da direção e consenso. Para o operariado criar consenso de uma concepção de mundo diferente da dominante e superá-la. Segundo a Vera (muito bem colocado), essa tentativa de superação é denominada de contra-hegemonia

A escola para Gramsci, assim como o Partido Político e o sindicato de fábrica, cumpre sua função social no ambiente de cultura e de hegemonia.


Escola da Época

1-Tradicional, elitista, burguesa

Perpetua e cristaliza as diferenças sociais

2-Totalmente humanista ou totalmente técnica

3-Com ensinamentos dogmáticos, desvinculados da realidade

4-Supre apenas interesses práticos, imediatos – é desinteressada de mais ou especializada de mais

5-Mantém extrema distância entre os Liceus e as Universidades



Escola proposta por Gramsci - Escola Unitária e ou Ativa – Nova


1-Considerada um instrumento de edificação da sociedade

1.1Pretensão de que as classes sociais atinjam maior protagonismo social

1.2Escola única, inicial, de cultura geral, humanista, formativa. Que equilibre trabalho manual/industrial e intelectual.


2-A escola elementar oferecendo noções das ciências naturais, do mundo das coisas. Ampliando para direitos e deveres e vida estatal e civil.



3-Superação dos esquemas teóricos da época, através da abordagem de conteúdos, temas que entendessem a realidade, conseqüente superação da visão folclórica.

3.1-Desenvolvimento de autonomia moral, autodisciplina e humanismo.

3.2-Superação do senso comum.



4.Maior aproximação professor-aluno

4.1-Professores inseridos na vida prática, tratando de problemas da vida prática


5-Estreitar a distância entre Liceu e Universidade realizando seminários já no final do estudo no Liceu. As escolas deveriam possuir ambientes, salas especiais, bibliotecas; os alunos deveriam freqüentar em tempo de aula estes ambientes.

5.1-Exigir dos alunos criatividade não apenas nas universidades, mas trabalhar com seminários nos anos finais dos Liceus.


Reflexões sugeridas:

1- O que entendemos hoje sobre reforma da escola? Redução de Custos?

2- Como percebemos a política educacional comparada a outras políticas governamentais?

3- Como explicar a frase em frente a uma escola: “Paz entre os homens, guerra entre as classes”.


Outro [] a todos!





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Caros Colegas e Carmen, (texto da Marcia)
O blogger está quase em sua totalidade um instrumento síncrono online. Podemos marcar encontros via blogger pois acessamos muitas vezes ao mesmo tempo. Verifiquei no início da tarde: a Hedi e a Regina postaram mens. A Regina* traz Boaventura de Sousa Santos (gosto desse autor) e a Hedi uma questão importante sobre como "de modo dialético a hegemonia social se faz hegemonia escolar" - tema que resume a o final da aula de terça dia 11.06. Lembro que comentávamos sobre o esmaecimento das lideranças promotoras de revoluções sociais significativas, que no início a Jara sugeria a publicação de artigos em periódicos como jornal e revista, a Vera levantava a questão sobre a fase política em que segmentos da nossa política se encontram em que se preferiu deixar a luta - enfrentamento direto e realizar "acordos estratégicos" (é isso Vera?), eu e outros comentávamos que um pouco da contribuição que os professores podem dar é no sentido de articular entre os alunos a reflexão sobre todas as questões sociais. Independentemente da área de conhecimento de atuação do professor. Comentávamos sobre consciência, que muitos jovens não possuem e que pode ser trabalhada em aula. Imagino que daí tenha surgido a questão da Hedi. Considero uma questão extremamente polêmica, uma responsabilidade muito grande que pode ser assumida ou não, pelos professores, afinal temos a "máscara" do conteúdo programático (que necessita ser bem trabalhado), mas ele tb pode ser fuga e omissão. Terminamos a última aula com a Carmen comentando sobre como mobilizar forças maiores se não conseguimos mobilizar um pequeno grupo e sugerindo ampliação das questões: sociedade civil, bloco histórico e correlação de força. Também aconselhando a leitura "O príncipe", entre outros para auxiliar na compreensão dos conceitos de Gramsci.
Relativo a Maquiavel em "O príncipe"
O obra tem objetivo de indicar formas de controlar-governar principados na época das conquistas, na Itália; principados que possuíam governantes e leis próprias. Este controle pode ser fácil ou mais exigente, assim Maquiavel cita exemplos como de Luis XII, reino de Dario ocupado por Alexandre o Grande. Cita exemplos de principados "...conquistados com as próprias armas..." , "...com armas e virtudes de outrem" e "...com malvadez ...com atos maus". Comenta como "...devem ocorrer as injúrias ao povo...". Que se chega ao principado "...graças ao favor do povo ou dos nobres". Afirma que a milícia e as armas são fundamentais, cita 4 tipos de milícias e a necessidade da prontidão do exército para uma emergência. A arte da guerra deve ser sempre exercitada. Para finalizar, explana as características necessárias aos príncipes que devem evitar o ódio e o desprezo dos súditos. Devem desenvolver a generosidade, mas não em exagero, a parcimônia e a economia. Afirma que é melhor ser temido do que amado - evita a traição. O que me deixa desiludida: o príncipe só deve manter a palavra dada quando não lhe for prejudicial. Deve evitar o ódio (caso considerado volúvel, efeminado, indeciso,...) Deve ser forte, corajoso e decidido para não precisar voltar atrás em uma decisão. Desaconselha aduladores, mas sugere secretários (conselheiros sábios) que pensem principalmente no próprio príncipe. Desvincula o bom governo das amarras características da igreja. Elogia Papas armados, conquistadores,... mas incentiva a autonomia ao príncipe para decisões a favor do Estado, enfim transforma a visão do bom governante. Considera impossível só características positivas ao príncipe, mas tb. Que jamais deve colocar interesses pessoais acima do Estado, inclusive, manter respeito às mulheres e fortuna de seus súditos. Certamente Maquaivel "acerta contas" com algumas incoerências medievais.
Sobre Sociedade Civil
Logo que pensamos em civil lembramos que parece ser o oposto de Estado... No Brasil esse termo começa a ser usado na 2ª metade dos anos 70 em pleno surgimento de novos movimentos sociais e deterioração da ditadura militar. Nesta época Gramsci passa a ser amplamente absorvido pelo pensamento social brasileiro. Gramsci pensa em sociedade civil segundo Marx e supera os conceitos emitidos por Hegel e Croce articulando uma nova teoria política marxista. Esse conceito correu riscos de ser equivocadamente tratado sendo considerado positivo tudo que vier da sociedade civil e negativo tudo que vier do Estado, na época de luta contra a ditadura militar. Porém, conhecemos que nem tudo que vem da sociedade civil é bom e nem tudo que vem do Estado é mau. Segundo Semeraro, 1999 o conceito de "sociedade civil" originário de Gramsci possui imensa densidade política, é uma arena privilegiada da luta de classe, uma esfera do ser social onde se dá uma intensa luta pela hegemonia; e precisamente ela não é o "outro" do Estado, mas, juntamente com a sociedade política ou o Estado-coerção, um dos seus conceitos constitutivos.
Sobre Bloco Histórico
Segundo Oliveira s/d, para Gramsci, Bloco Histórico é a articulação interna de uma situação histórica precisa. O Bloco Histórico é dividido em estrutura, conjunto das relações materiais e superestrutura, conjunto das relações ideológico-culturais. No seio do Bloco Histórico Estrutura e Superestrutura mantém uma relação orgânica e dialética representada pelos intelectuais. Cabe dizer que para Gramsci os intelectuais não são aqueles "grandes intelectuais clássicos" mas sim, aqueles que possuem uma "consciência elevada" e que são capazes de elaborarem uma ideologia para a classe que representam. Portanto, os intelectuais formam uma camada social diferenciada, ligada à estrutura e encarregada e elaborar e gerir a superestrutura que dará a uma classe que representam, homogeneidade e direção do Bloco Histórico; este é o caráter dialético da relação orgânica entre estrutura e superestrutura. Então, não existe primazia superestrutural sobre o estrutural. Essa é a polêmica entorno do pensamento de Noberto Bobbio quando ele afirma que a superestrutura domina a estrutura. Como vimos, a relação entre esses dois conjuntos do Bloco Histórico é orgânica e dialética.
Para Gramsci os intelectuais são os agentes da superestrutura. Seu trabalho é desenvolvido no seio da sociedade civil. A função dos intelectuais das classes subalternas é a de elaborar uma ideologia e transforma-la em uma nova "concepção de mundo". A difusão dessa nova "concepção de mundo" é feita através dos aparelhos privados de hegemonia na sociedade civil. Portanto, o novo Bloco Histórico a ser construído deve ser representado pelos intelectuais orgânicos das classes subalternas - os intelectuais orgânicos do proletariado devem fazer oposição aos intelectuais tradicionais da burguesia que representam o "antigo" Bloco Histórico.
Conclusão de Oliveira: Após analisar o conceito de Bloco Histórico em Gramsci, chego a conclusão de que para se construir o socialismo e destruir o Estado burguês é necessário que primeiramente o proletariado consiga conquistar a hegemonia dentro da sociedade civil ( guerra de posição). A hegemonia da burguesia repousa essencialmente sobre a "direção intelectual e moral" da sociedade, na impregnação ideológica de todo o sistema social. Portanto, a destruição do Estado burguês não se dará com uma revolução armada ( guerra de movimento) antes de se conquistar a hegemonia. A guerra de movimento contra a burguesia é inevitável mas , a chance do proletariado de triunfar em uma possível Revolução nas sociedades "ocidentais" está no apoio e na base que a sociedade civil irá lhe dar ; "o Estado é somente uma trincheira avançada, atrás da qual se encontra uma robusta cadeia de fortalezas e casamatas".
Outro autor comenta (não lembro qual): "Um dos maiores desafios políticos e pedagógicos que bate à porta do século XXI, particularmente para o Brasil, é superar a condição de massa e fortalecer uma sociedade civil criativa que nasce das aspirações populares e busca autodeterminação, cidadania e participação ativa na gestão democrática do poder. A concepção original de sociedade civil delineada por Gramsci é uma fonte de inspiração fundamental para enfrentar os impasses atuais e construir uma sociedade livre e democrática".
Fico devendo correlação de força.
Todas estas questões são reflexões sobre a minha imensa necessidade de conhecer e aprofundar elementos teóricos para ampliar a minha área central de atuação - a formação docente - e pensar sobre a questão do trabalho e campo de atuação do profissional formado nesse curso(Licenciatura em Computação) do grupo das licenciaturas. Como formar docentes que trabalhem com tecnologia em prol de um mundo mais justo e solidário sem refletir sobre todas as questões político-sociais? A área da tecnologia, especialmente a virtual, proporciona formas de comunicação e possibilidades de ampliação da consciência, reflexão e emancipação. Postando no blogger - dialeticamente - comprovamos esta teoria. O meio virtual proporciona nossa aproximação extra-classe. Como seria interessante aproveitarmos estes textos, ampliar e publicar. Vejo nosso grupo estreitar laços de amizade presencialmente. Aos poucos vamos conversando com os colegas e conhecendo suas peculiaridades. Acho que agora seria um ótima época para uma nova apresentação, pois imaginamos em que áreas os colegas atuam, não lembramos os nomes,... Conversando com o Dalton (está certo?) descobri que ele leciona Física! Bem, até agora a disciplina trouxe "tudo de bom" conheci a Carmen Castro, a Mireila e tantos admiráveis colegas, mas que acabo não lembrando os nomes.
Gostei d+ da idéia da Jará de enviarmos artigos para periódicos, podíamos ainda pensar em unir artigos ao longo da disciplina e tentar um meio formal de publicação. Já pensaram em um livro?
Regina: acho que para tirar uma mens. enviada 2 vezes só a Susana, pois quando clicamos em postar/enviar enviamos o nosso texto para o servidor que hospeda o blogger. A Susana deve ter uma senha e poderá retirar, apesar que prefiro em dose dupla do que nenhuma... Imagino que o nosso editor de webblogger apenas abra local nossos textos.
Um abraço forte a todos! Marcia





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Colegas, desculpem a repetição do texto. Não consegui aprender como desfazer ou corrigir o que já foi postado e publicado. Caso alguem possa me fazer este favor, ficarei muito agradecida. Abraços, REGINA CELI.





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Domingo, 16 de maio de 2004

Caros colegas,

Na semana passada, enviei um e-mail à professora Carmen, falando das minhas angustias, sobre a leitura que fiz do "Maquiavel Notas sobre o Estado e a Política" (GRAMSCI, Cadernos do Carcere, Vol.3, p. 13-109). Tentava alguma contribuição para a aula passada, conforme nos foi recomendado, mas não conseguia fazer nenhuma que julgasse relevante para discussão no grupo. Ainda assim, arrisquei com um pequeno comentário (não publicado aqui, naturalmente!). Agora, arrisco mais, com uma nova tentativa:

GRAMSCI em Boaventura de Sousa Santos?

Tomo como referência o texto Globalización y Democracia que é a Conferência apresentada por Boaventura Santos, no Fórum Social Mundial Temático: Democracia, Derechos Humanos, Guerras e Narccotráficos, realizado em Cartagena das Índias, Colômbia, em junho de 2003. (Disponível em: www.ces.fe.uc.pt.).
Boaventura começa explicando sobre uma característica das sociedades modernas: a existência de uma discrepância entre as experiências que vivemos e as expectativas que temos de forma que, quem nasce pobre pode morrer rico, o que não acontecia nas sociedades antigas, onde havia uma simetria entre experiências e expectativas e quem nascia pobre, morria pobre, quem nascia analfabeto, morria analfabeto. A sociedade moderna assenta-se, pois, na interpretação de mundo, "espera com esperança", a qual chamamos de progresso, desenvolvimento, modernização, revolução, reformismo.
O autor prossegue dizendo que hoje, porém, vivemos em um mundo em que para a grande maioria da população mundial esta discrepância se inverteu: as experiências atuais são provavelmente muito difíceis, mas as expectativas são ainda piores. Isso quer dizer que quando acontece uma reforma na saúde, na educação, na segurança social, não é para melhorar, senão para piorar! Então, hoje, a maioria da população "espera sem esperança". Não há expectativas. Trata-se de um colapso total das expectativas que é o próprio colapso da sociedade em si, do contrato social, com processos de exclusão irreversíveis; é a "sociedade incivil", desigual e que depende, totalmente de forças poderosas sobre as quais não se tem nenhum controle.
Trata-se de uma situação onde os poderosos têm poder de veto sobre a vida dos fracos e vulneráveis, caracterizando um fenômeno que o autor denomina de "fascismo social". Não é um regime político, mas um regime social, uma forma de sociabilidade onde uns tem capacidade de veto sobre a vida de outros. É uma situação que se mantém sob a forma de dois tipos violência: a violência política organizada e a violência "comum". Estamos correndo o risco de viver em sociedades que são politicamente democráticas, mas socialmente fascistas, diz Boaventura Santos.

<b>Como isso foi possível? Onde está a solução? Que instrumentos temos para sair dessa situação? Que fazer, então? Que diz Boaventura Santos?

(OBS: quem quiser, pode parar a leitura por aqui e fazer suas reflexões gramscianas. Quem desejar saber o que diz Boaventura Santos sobre isso, pode continuar).

- O que diz Boaventura Santos:
Como isso foi possível? Um marco dessas mudanças seria os anos 80, com a globalização neoliberal que termina uma tensão criativa que existia entre democracia e capitalismo. Essa tensão era criada pelas seguintes idéias:
1- o trabalho era o motor da cidadania. No início, o contrato social era muito excludente, mas os trabalhadores lutaram para ter seus direitos e o trabalho era, assim, o motor da cidadania. Hoje em dia, este motor ficou dentro do marco da sociedade e da economia nacional, mas a economia globalizada tem feito uma coisa muito simples: concebe o trabalho como um recurso global, mas não há um mercado global de trabalho, então o trabalho não é mais o motor da cidadania;
2- o segundo mecanismo dessa tensão é que o Estado tinha começado a criar, através da luta dos trabalhadores, das mulheres, das classes populares, interações não mercantilistas entre os cidadãos, então, se alguém adoecia, havia um sistema de saúde que fazia com que a pessoa não se veja obrigado a ir ao mercado de serviços médicos. Com a globalização neoliberal, desde os anos 80, isso foi totalmente invertido. Hoje, o estado é um agente de interações comerciais. As privatizações dos serviços públicos são exatamente isso, a transformação de relações que não eram comerciais, em relações completamente comercias, como educação, a segurança social. O Estado tem feito isso sob pressão global.
Tudo isso significa que o Estado que até então era considerado uma solução para os nossos problemas, passou a ser nosso problema (ruptura do contrato: Sociedade X Estado).

Onde está a solução? Na sociedade civil. Essa solução significa uma inversão total de uma idéia anterior a qual dizia que o Estado não é o contrário da sociedade civil, mas o seu espelho, ou seja, um Estado democraticamente forte podia criar uma sociedade civil forte, e vice versa. Os anos 80 inverte essa lógica e a idéia oposta é a que domina: para que uma sociedade civil seja forte é necessário que o estado seja fraco.

Que instrumentos temos para sair dessa situação? Teríamos dois grandes instrumentos para criar expectativas positivas, mas se foram: o reformismo e a revolução. A queda do muro de Berlim é o símbolo da crise simultânea do reformismo e da revolução. Resta-nos apenas, 2 instrumentos hegemônicos para repor a lógica e uma estabilidade de expectativas: a democracia e os direitos humanos os quais, como instrumentos hegemônicos significam que suas promessas de dignidade podem não ser cumpridas. È claro para todos nós que existem democracias que convivem com muito despotismo social. Por outro lado, há muito sofrimento humano injusto que não se constitui uma violação dos direitos humanos.

Que fazer, então? Buscar nesses instrumentos hegemônicos as sementes de uma contra hegemonia. O autor propõe repolitizar e radicalizar os direitos humanos e a democracia, ou seja, reinventar a tensão entre democracia e capitalismo, fazer com que, o objetivo desta democracia seja fazer um mundo menos confortável para o capitalismo, para que um dia possamos criar uma alternativa. Para tanto é necessário criar não só alternativas democráticas, mas também um pensamento alternativo de alternativas.
Como a democracia é hoje, o único regime político legítimo, ela vem sendo um dos temas mais discutido pelos povos do Fórum Social Mundial. O Banco Mundial e o FMI exigem a democracia como uma de suas condicionantes, não reconhecendo alternativa de democracia, enquanto nós estamos buscando uma alternativa de globalização neoliberal. Aí está o problema, diz Boaventura.
Não queremos uma alternativa de democracia. Queremos uma democracia alternativa. São conceitos diferentes de democracia. Pensamos como Rousseau: "só é democrática uma sociedade onde nenhuma pessoa é tão pobre que ten que se vender a outra e nenhuma pessoa é tão rica que pode comprar outra". Segundo esse critério, não temos sociedades democráticas!
Portanto, a democracia, hoje, é parte de nosso problema, como de nossa solução. Enquanto parte da globalização neoliberal é parte de nosso problema e então, há que criticá-la e denunciá-la. Enquanto parte da globalização alternativa é parte de uma solução.

- Podemos identificar GRAMSCI nesse pensamento de Boaventura ?

Abraços para todos. Até terça! Regina Celi.





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Domingo, 16 de maio de 2004

Caros colegas,

Na semana passada, enviei um e-mail à professora Carmen, falando das minhas angustias, sobre a leitura que fiz do "Maquiavel Notas sobre o Estado e a Política" (GRAMSCI, Cadernos do Carcere, Vol.3, p. 13-109). Tentava alguma contribuição para a aula passada, conforme nos foi recomendado, mas não conseguia fazer nenhuma que julgasse relevante para discussão no grupo. Ainda assim, arrisquei com um pequeno comentário (não publicado aqui, naturalmente!). Agora, arrisco mais, com uma nova tentativa:

GRAMSCI em Boaventura de Sousa Santos?

Tomo como referência o texto Globalización y Democracia que é a Conferência apresentada por Boaventura Santos, no Fórum Social Mundial Temático: Democracia, Derechos Humanos, Guerras e Narccotráficos, realizado em Cartagena das Índias, Colômbia, em junho de 2003. (Disponível em: www.ces.fe.uc.pt.).
Boaventura começa explicando sobre uma característica das sociedades modernas: a existência de uma discrepância entre as experiências que vivemos e as expectativas que temos de forma que, quem nasce pobre pode morrer rico, o que não acontecia nas sociedades antigas, onde havia uma simetria entre experiências e expectativas e quem nascia pobre, morria pobre, quem nascia analfabeto, morria analfabeto. A sociedade moderna assenta-se, pois, na interpretação de mundo, "espera com esperança", a qual chamamos de progresso, desenvolvimento, modernização, revolução, reformismo.
O autor prossegue dizendo que hoje, porém, vivemos em um mundo em que para a grande maioria da população mundial esta discrepância se inverteu: as experiências atuais são provavelmente muito difíceis, mas as expectativas são ainda piores. Isso quer dizer que quando acontece uma reforma na saúde, na educação, na segurança social, não é para melhorar, senão para piorar! Então, hoje, a maioria da população "espera sem esperança". Não há expectativas. Trata-se de um colapso total das expectativas que é o próprio colapso da sociedade em si, do contrato social, com processos de exclusão irreversíveis; é a "sociedade incivil", desigual e que depende, totalmente de forças poderosas sobre as quais não se tem nenhum controle.
Trata-se de uma situação onde os poderosos têm poder de veto sobre a vida dos fracos e vulneráveis, caracterizando um fenômeno que o autor denomina de "fascismo social". Não é um regime político, mas um regime social, uma forma de sociabilidade onde uns tem capacidade de veto sobre a vida de outros. É uma situação que se mantém sob a forma de dois tipos violência: a violência política organizada e a violência "comum". Estamos correndo o risco de viver em sociedades que são politicamente democráticas, mas socialmente fascistas, diz Boaventura Santos.

<b>Como isso foi possível? Onde está a solução? Que instrumentos temos para sair dessa situação? Que fazer, então? Que diz Boaventura Santos?

(OBS: quem quiser, pode parar a leitura por aqui e fazer suas reflexões gramscianas. Quem desejar saber o que diz Boaventura Santos sobre isso, pode continuar).

- O que diz Boaventura Santos:
Como isso foi possível? Um marco dessas mudanças seria os anos 80, com a globalização neoliberal que termina uma tensão criativa que existia entre democracia e capitalismo. Essa tensão era criada pelas seguintes idéias:
1- o trabalho era o motor da cidadania. No início, o contrato social era muito excludente, mas os trabalhadores lutaram para ter seus direitos e o trabalho era, assim, o motor da cidadania. Hoje em dia, este motor ficou dentro do marco da sociedade e da economia nacional, mas a economia globalizada tem feito uma coisa muito simples: concebe o trabalho como um recurso global, mas não há um mercado global de trabalho, então o trabalho não é mais o motor da cidadania;
2- o segundo mecanismo dessa tensão é que o Estado tinha começado a criar, através da luta dos trabalhadores, das mulheres, das classes populares, interações não mercantilistas entre os cidadãos, então, se alguém adoecia, havia um sistema de saúde que fazia com que a pessoa não se veja obrigado a ir ao mercado de serviços médicos. Com a globalização neoliberal, desde os anos 80, isso foi totalmente invertido. Hoje, o estado é um agente de interações comerciais. As privatizações dos serviços públicos são exatamente isso, a transformação de relações que não eram comerciais, em relações completamente comercias, como educação, a segurança social. O Estado tem feito isso sob pressão global.
Tudo isso significa que o Estado que até então era considerado uma solução para os nossos problemas, passou a ser nosso problema (ruptura do contrato: Sociedade X Estado).

Onde está a solução? Na sociedade civil. Essa solução significa uma inversão total de uma idéia anterior a qual dizia que o Estado não é o contrário da sociedade civil, mas o seu espelho, ou seja, um Estado democraticamente forte podia criar uma sociedade civil forte, e vice versa. Os anos 80 inverte essa lógica e a idéia oposta é a que domina: para que uma sociedade civil seja forte é necessário que o estado seja fraco.

Que instrumentos temos para sair dessa situação? Teríamos dois grandes instrumentos para criar expectativas positivas, mas se foram: o reformismo e a revolução. A queda do muro de Berlim é o símbolo da crise simultânea do reformismo e da revolução. Resta-nos apenas, 2 instrumentos hegemônicos para repor a lógica e uma estabilidade de expectativas: a democracia e os direitos humanos os quais, como instrumentos hegemônicos significam que suas promessas de dignidade podem não ser cumpridas. È claro para todos nós que existem democracias que convivem com muito despotismo social. Por outro lado, há muito sofrimento humano injusto que não se constitui uma violação dos direitos humanos.

Que fazer, então? Buscar nesses instrumentos hegemônicos as sementes de uma contra hegemonia. O autor propõe repolitizar e radicalizar os direitos humanos e a democracia, ou seja, reinventar a tensão entre democracia e capitalismo, fazer com que, o objetivo desta democracia seja fazer um mundo menos confortável para o capitalismo, para que um dia possamos criar uma alternativa. Para tanto é necessário criar não só alternativas democráticas, mas também um pensamento alternativo de alternativas.
Como a democracia é hoje, o único regime político legítimo, ela vem sendo um dos temas mais discutido pelos povos do Fórum Social Mundial. O Banco Mundial e o FMI exigem a democracia como uma de suas condicionantes, não reconhecendo alternativa de democracia, enquanto nós estamos buscando uma alternativa de globalização neoliberal. Aí está o problema, diz Boaventura.
Não queremos uma alternativa de democracia. Queremos uma democracia alternativa. São conceitos diferentes de democracia. Pensamos como Rousseau: "só é democrática uma sociedade onde nenhuma pessoa é tão pobre que ten que se vender a outra e nenhuma pessoa é tão rica que pode comprar outra". Segundo esse critério, não temos sociedades democráticas!
Portanto, a democracia, hoje, é parte de nosso problema, como de nossa solução. Enquanto parte da globalização neoliberal é parte de nosso problema e então, há que criticá-la e denunciá-la. Enquanto parte da globalização alternativa é parte de uma solução.

- Podemos identificar GRAMSCI nesse pensamento de Boaventura ?

Abraços para todos. Até terça! Regina Celi.





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teste para ver se funcionaa





Sábado, Maio 15, 2004

[ Hegemonia e poder ]
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Profe Carmem e colegas:
Questão para aula de 3ª feira

Como o poder hegemônico da educação escolar se configura ( "reproduz') nas relações sociais. Que práticas escolares movem para que a hegemonia escolar se estabeleça como hegemonia social, ou melhor, como de modo dialético a hegemonia social se faz hegemonia escolar...... ( uma reflexão no sentido de entender mais como no jogo do poder as forças se articulam...)

Um abraço Hedi Maria





Segunda-feira, Maio 10, 2004
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Milton Santos
Como reverter a Globalização perversa
Revista Caros amigos Especial - Fórum Social Mundial - Março, 2001.

"...Sem dúvida, quando as reivindicações se multiplicam a ponto de parecerem pulverizadas há, paralelamente, o risco de um enfraquecimento quanto à busca do alvo principal, isto é, o elenco das causas mais profundas dos males que se deseja debelar isoladamente. Aliás, o risco é grande porque, às vezes, uma medida apresentada contra um aspecto da problemática pode encobrir o fortalecimento da situação sistêmica que, exatamente, se deseja superar. Nesse caso, se faz, com boa vontade, e mesmo com perfeição, a coisa errada. Essa, aliás, é a crítica que os intelectuais e pensadores com preocupações mais sistêmicas e totalizantes levantam frente às ações isoladas. Por sua vez, ativistas de toda ordem, impacientes por resultados, não raro consideram os pensadores como pessoas que se contentam com formulações abstratas, nem sempre praticamente utilizáveis. Esse dilema haverá sempre. O fato, porém, é que, se não se dominam as causas essenciais dos fenômenos tal como eles se apresentam, empiricamente, a luta pela mudança está condenada a menor eficácia e, mesmo, ao fracasso. Daí o papel insubstituível dos intelectuais..." (p.7).

GRAMSCI E MILTON SANTOS E A HISTÓRIA EM MOVIMENTO

Refletir sobre a problemática do desenvolvimento das concepções de mundo e os conseqüentes impasses historicamente resultantes desses diálogos entre autores no campo da filosofia, da política econômica e da cultura, traz consigo questões não menos importantes que as próprias discussões sobre o papel dos intelectuais nos processos de transformação da sociedade que, dialeticamente, revelam forças antagônicas em movimento ao longo da história. Que premissas são necessárias para que o processo de desvelamento da realidade se realize, não como mera aparência (no sentido de Croce), mas contra o dogmatismo, isto é, a afirmação da caducidade de todo um sistema ideológico hegemônico e opressor? Qual o papel dos intelectuais nesta tarefa? Quem são eles? Onde estão atualmente?
Antes de incorrer na tentativa de responder aos questionamentos aparentemente indispensáveis seria conveniente, na esteira das discussões realizadas em sala de aula e da própria contribuição de Gramsci em seu texto Maquiavel, a Política e o Estado Moderno, recobrar algumas idéias fundamentais que podem contribuir para uma análise crítica da realidade.
Uma delas se relacionada ao que Gramsci caracterizou como "inovação fundamental introduzida pela filosofia da práxis na ciência da política e da história", na qual rompe-se com a lógica do pensamento religioso e da transcendência, e, em contraposição, elege-se uma compreensão materialista do homem. Não existe uma "natureza humana" abstrata, fixa e imutável, mas sim um conjunto de relações sociais historicamente determinadas, factível de ser comprovado desde que criticamente interpretado.
Outra contribuição fundamental (que une à noção de "relações sociais") para a compreensão dos movimentos históricos no pensamento, na política e na vida coletiva, apóia-se na noção de "partido político", isto é, a demonstração do processo que impulsiona a formação dos partidos políticos. Entre outros pontos, Gramsci sistematiza três premissas indispensáveis para que as condições objetivas de desenvolvimento ulterior de um partido se verifiquem. 1) a presença de um elemento difuso, representada por uma massa de indivíduos comuns, médios, que sob centralização, organização e disciplina, constitui um elemento básico na formação dos partidos; 2) um fator de coesão principal que potencialize um conjunto de forças que de per se, dispersas, se pulverizariam, dotado de capacidade de convergência, organização e disciplina suficiente para justificar a coordenação das ações; 3) por último, um elemento médio que faça a ponte entre o primeiro e o segundo grupo, apresentando-se de uma forma física, mas também moral e intelectual.
Feitas estas considerações, a questão que se coloca é: como interpretar a realidade, tal como ela se apresenta nos dias de hoje sem cair no equívoco das paixões desprovidas de sólida análise das causas essenciais dos fenômenos, de um programa de mudança que leve em conta o presente e o passado, e, por que não, perspectivas de luta no futuro, visíveis nas preocupações de Milton Santos? Vale lembrar o trecho "previsão e perspectiva", em que Gramsci reforçando a teoria da "dupla perspectiva", trata de ressaltar a necessidade do rompimento com o pensamento linear, encontrando no movimento dialético, na união dos contrários, saídas mais elevadas e complexas.
Finalmente, deve-se por em foco o jogo de forças que no mundo faz sentir seus reflexos práticos, quer sejam políticos, culturais, mas, que sem dúvida, marcam possibilidades diferenciadas de acesso às condições de reprodução social para a maioria da população mundial. Trata-se, justificadamente, de identificar as relações entre estrutura e superestrutura para, a partir da justa análise da totalidade, poder-se distinguir no estudo da estrutura os movimentos orgânicos e os movimentos conjunturais, isto é, o conjunto de fatos que por sua aderência histórica permanecem "vivos" ao longo dos tempos, daqueles corriqueiros e sem significado no conjunto dos acontecimentos permanentes. Deve-se atentar, com isso, que no desenvolvimento da História observou-se, se não sempre, ao menos depois da Grande Revolução, longos períodos de espera que permitiram, novamente, a revelação e o amadurecimento de forças convergentes capazes de triunfar sobre os interesses e as formas sociais pretéritas, hegemônicas. Isto se dará no momento em que tais esforços, incessantes e perseverantes, conseguirem realizar a nova realidade, sem desconsiderar a possibilidade que, mais cedo ou mais tarde, novas polêmicas surgirão como manifestação das forças antagônicas ainda presentes como resquícios da antiga formação ou de alianças necessárias à composição do "bloco histórico". Todos recordam a aliança que elegeu Lula?

"A distinção entre "movimentos" e fatos orgânicos e movimentos e fatos de "conjuntura" ou ocasionais deve ser aplicada a todos os tipos de situação: não só àquelas em que se verifica um processo de regressivo ou de crise aguda, mas àquelas em que se verifica um desenvolvimento progressista ou de prosperidade e àquelas em que se verifica uma estagnação das forças produtivas. O nexo dialético entre as duas ordens de movimento e, portanto, de pesquisa, dificilmente pode ser estabelecido exatamente: se o erro é grave no que se refere à historiografia, mais grave ainda se torna na arte da política, quando se trata de não reconstruir a história passada, mas de construir a história presente e futura. Os próprios desejos e paixões deteriorantes e imediatos constituem a causa do erro na medida em que substituem a análise objetiva e imparcial". (Gramsci, p.47)


Na atual conjuntura econômica e política, mundial e brasileira, sentimentos de desilusão e fracasso amontoam-se frente às manobras políticas de acomodação de forças. A contemporaneidade trouxe consigo novas questões, mais complexas e disputadas, que, momentaneamente, impulsionadas pelas necessidades de expansão do capital internacional, pressionam o sistema econômico, político, cultural, militar e tecnológico em benefício próprio. Mostra-se essencial aos que pensam o mundo em seu desenvolvimento histórico, ou seja, ao conjunto da sociedade que no seu fazer diário intervêm na realidade, postarem-se criticamente em seus espaços de vida, individuais e coletivos, na direção consciente de seu ser-estar no mundo. Quem mais além dos partidos políticos, dos movimentos sociais se colocará a frente do processo como protagonista do novo Príncipe moderno?


Rafael





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Interessante esta idéia da Carmen de partir a turma em 3 grupos. O 1º escreveria mensagens sobre as leituras, o 2º comentaria e o 3º realizaria comentários sobre as opiniões do 2º grupo. Grupos coesos, unidos, nos quais os participantes possuem "autrodisciplina" conseguem. È um desafio para o nosso grupo.
Amigos, me auxiliem. Pela minha leitura, observo que Gramsci denomina o partido político de "moderno príncipe". O "moderno príncipe" é o fundamental agente da "consciência operosa da necessidade histórica". Além do partido lutar pela renovação política, econômica e social, deve lutar tb. por uma revolução cultural. É uma intenção imensa a de Gramsci, pois, deseja uma espécie de consenso nacional. O mais interessante é que o partido não pode ser um "mero executante", mas precisa conseguir democraticamente assegurar a circulação de idéias e fazer prevalecer a vontade coletiva. Vcs tb vêem assim?
[] Marcia





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Como também estava no final da aula no momento da combinação do trabalho a ser postado, estou me incluindo no primeiro grupo.
A reflexão trazida pela colega Jara tocou a todos nós, pois de uma forma ou outra, talvez com mais ou menos intensidade, sentimo-nos muitas vezes nessa solidão. Solidão pedagógica, solidão política, solidão afetiva, tantas outras solidões...cada um com a sua. Tudo isso me levou a tentar entender por que estamos passando por isso e o que nossos estudos sobre Gramsci tem a ver com o que sentimos com a reflexão inicial da aula do dia 4/5.
Tentando fazer relações, percebo que o ano iniciou com decepções sucessivas para nós, que acreditamos que uma outra ordem é possível. Os escândalos seriam corriqueiros no planalto se o governo fosse outro, mas não é. E isso deixa um mal estar em todos nós difícil de superar. A economia muito aquém do que gostaríamos, educação, saúde, empregos e a tão esperada reforma agrária idem. Nosso cinema continua não agradando aos gringos (será que é isso que queremos?) e Cidade de Deus não trouxe nenhum Oscar depois de termos criado enormes expectativas. A passividade com que o mundo todo assiste ao que está acontecendo no Iraque e com os povos palestinos e israelenses. O absurdo da Intervenção no Haiti, a irreversível proximidade da ALCA, entre outros acontecimentos. Outro motivo que levanto para todo esse sentimento aflorado e ó aniversário de 40 anos do Golpe de 64, que suscita tantas mágoas, por uma dívida que nunca foi paga. Golpistas, perseguidores, torturadores, financiadores, apoiadores e beneficiados com a ditadura, convivem conosco normalmente, possuem livre transito no governo e continuam tendo poder decisório em questões políticas. Não é questão de sermos rancorosos, mas de sermos coerentes, de não esquecermos que o que aconteceu reflete hoje na alienação de nossos estudantes diante da realidade( e isso significa uma marca indelével em várias gerações).
E pensar que o Lula não quer nem saber o que aconteceu de fato no Araguaia...o que é isso companheiro?
As professoras de História de minha escola comentam que ficam estarrecidas com o fato de que os alunos do 3º ano do Ensino Médio acham um tédio estudar o período da ditadura, não esboçam reação alguma ao ouvir os relatos sobre torturas e que só demonstram um certo interesse quando sabem que o golpe de 64 é matéria de vestibular. Como isso se justifica?
Participando de um encontro da faculdade de História da UPF nesta semana, entre tantos depoimentos e debates sobre o golpe de 64, algo que me impressionou muito foi o relato do Marcos Rolim sobre pesquisas feitas entre universitários do Rio de janeiro e de Belo Horizonte. Pasmem: mais de 60% trocaria a democracia pela ditadura se houvesse uma melhora econômica em suas vidas. Mais de 30% acham que os doentes mentais devem sair as ruas com uma identificação e a grande maioria concorda que em alguns casos a tortura pode e deve ser utilizada pela polícia. Que senso comum perverso é esse e como ele se enraizou? Que "Príncipe" é esse, que nos conduziu a tudo isso? Acredito que esse quadro que estamos vivendo contribui para o sentimento trazido a tona pela colega Jara, e que deixou todos nós com saudade de algo que ainda não aconteceu e que talvez ainda demore muito a acontecer.
Foi de muito boa acolhida a sugestão das colegas de irmos esmiuçando algumas categorias que não estavam tão claras, e que, com o entendimento destas, a leitura de Gramsci se torna mais fácil. Não que as dúvidas sobre elas tenham se esgotado, até por que isso seria subestimar a complexidade dos termos. Mas o debate inicial, com contribuição de muitos da sala, possibilitou que alguns conceitos fossem construídos, pois foi uma oportunidade de troca entre colegas. Das categorias que foram elencadas (já citadas pela Viviane), as mais discutidas nesse dia e relacionadas com o Príncipe Moderno foram estrutura e superestrutura, consciência em si, movimentos orgânicos e movimentos de conjuntura. Pergunto-me se nestes tempos de fim de identidade cultural, em que a mola mestra do mundo é a acumulação, a concentração e a centralização do capital, haverá ainda um movimento orgânico que contrarie tudo isso, invertendo a lógica e priorizando o humanismo? Um trecho do Príncipe Moderno nos ajuda a compreender que movimentos de conjuntura não serão suficientes para que isso venha a acontecer e que talvez as vozes do Fórum Social Mundial devam ser mais fortes: Todavia, deve-se distinguir no estudo de uma estrutura os movimentos orgânicos (relativamente permanentes ) dos elementos que podem ser denominados"de conjuntura"( que se apresentam como ocasionais, imediatos, quase acidentais). Também os fenômenos de conjuntura dependem, é claro, de movimentos orgânicos, mas seu significado não tem um amplo alcance histórico: eles dão lugar a uma crítica política miúda, do dia-a-dia, que investe os pequenos grupos dirigentes e as personalidades imediatamente responsáveis pelo poder. Os fenômenos orgânicos dão margem à crítica histórico-social, que investe os grandes agrupamentos, acima das pessoas imediatamente responsáveis e acima do pessoal dirigente.(Antônio Gramsci, Maquiavel, a Política e o Estado Moderno, pp45 e 46)
Até terça-feira, Rita Mônica Mombelli





Sábado, Maio 08, 2004
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Aula do dia 04 maio

A aula da última terça feira da professora Carmen Machado se inicia com uma colega de Pelotas falando sobre a SOLIDÃO, de estar ou não só. E fez do início da aula, um momento de reflexão com duas músicas. Esta colega faltou a três aulas, teve seus motivos e neste instante também não nos interessa seus motivos, senti sua falta, um ou outro colega também notaram sua falta. Mas a professora sabia seus motivos e isso é o que importa. Estar "só" não significa somente estar sozinho, não ter ninguém a sua volta. A presença física. Pode até haver calor das outras pessoas, mas não é tão significante quanto estar presente de "corpo e alma". Remeto a uma experiência de vida pessoal, a virada do ano de 1999 para 2000 (era a grande e mais charmosa virada de ano dos últimos anos, estamos entrando em 2000 diferente dos últimos 999... 1999, era uma mudança para "2", 2000!!!). Eu estava na Alemanha realizando um estágio. Passei esta famosa virada na cidade de Berlim. Estava com mais 5 amigos alemães, segundo a polícia estavam presentes dois milhões de pessoas. E eu me senti só! Muito só!

Para uns ter este momento de solidão traz consigo a tristeza, para outros um momento de reflexão sobre si, sobre seu eu interior e exterior, pode ser um momento de transformação. Pois as vezes temos que encontrar portas, onde não há mais saídas.

Alguns colegas propõem algumas categorias para com mais clareza podermos estudar a obra de Gramsci. São elas: intelectual orgânico, estrutura e superestrutura, escola unitária, consciência em si, movimentos orgânicos/ movimentos de conjuntura, filosofia da práxis, sociedade civil e política, estado, política, relações entre forças sociais, bloco histórico e ideologia.

Esta aula transcorreu diferentemente das outras, não teve um colega que apresentasse algum dos textos de Gramsci, foi uma aula de bate papo, ao meu ver. A professora ou algum colega falava ou provocava sobre um determinado assunto e um ou mais colegas discutiam sobre este assunto, com a intervenção ou não da professora, relacionado-o com o texto de Gramsci: "Maquiavel, a Política e o Estado Moderno".

Gramsci foi um intelectual que teve a relacionalidade como princípio norteador de seu pensamento político-filosófico suas idéias perpassavam em PROMOVER O AUTO- CONHECIMENTO, a AUTO-DISCIPLINA, o CONHECIMENTO DO OUTRO e a CONSTITUIÇÃO DE UM PENSAMENTO POLÍTICO.

Já Maquiavel surge com uma das figuras emblemáticas do Renascimento, do político e do pensador, se dedicou a escrever obras que mudaram o pensamento político na época: O Príncipe (1513) e Discursos sobre os Primeiros Dez Livros de Tito Lívio (1513-1517). Me remeto a obra de "O Príncipe", onde Maquiavel para escrever se isolou com a família em uma fazenda após ser demitido do seu trabalho.

Gramsci, assim que foi preso solicitou que o deixassem escrever, mas a permissão foi-lhe negada. Em 1927, por exemplo, pediu aos seus amigos as obras de Maquiavel para ler. Somente em Janeiro de 1929, depois de dois anos e quatro meses, obteve permissão para escrever. O primeiro caderno começa em 8 de Fevereiro de 1929.

Percebemos que ambos, de certa forma se isolam, buscam voluntariamente ou não a solidão. Solidão esta imposta para Gramsci quando foi preso, se isolou da sociedade, mas me parece que não se sentiu só. Seus companheiros eram os livros que lia, seu papel, seu lápis para escrever e interagir com suas cartas à família ou seus livros escritos sobre diversos temas. Maquiavel se isolou voluntariamente, sua solidão foi um momento de reflexão e transformação, pois escreveu um livro e quis por opção, ficar longe da sociedade.

Cada um destes autores mesmo se isolando teve sua identidade cultural preservada. Pois defendiam e pertenciam a um determinado grupo social. Foi discutido em aula a IDENTIDADE CULTURAL, que identidade é esta? Cada país tem a sua identidade cultural através da moeda, da língua, do território e de seus símbolos nacionais. Mas, atualmente, em todas as partes do mundo estamos vivenciando um movimento de unificação econômica. Para muitos este movimento de unificação econômica é mais conhecida como GLOBALIZAÇÃO. A globalização se inicia mais fortemente na Europa com a abertura das fronteiras, do capital, pela necessidade de consumo ( todos nós temos na bolsa ou algum artefato de outro país, principalmente da China), transformando a identidade cultural de um país para uma identidade européia, ou quem sabe, em breve em mundial. Surge aí uma ruptura da identidade cultural. Eu mesma citei o exemplo da Alemanha, onde a moeda, o Marco Alemão, era uma moeda forte, com notas fabricadas em 1940 e que valia até o ano de 2001. Os alemães sentiram muito a perda desta parte da "identidade cultural". Hoje são mais de vinte países que tem a mesma moeda, o "EURO" na "Comunidade Européia".

Com tudo que observamos no mundo, na realidade que nos cerca, me pergunto. Esta transformação foi uma vontade coletiva? De toda uma população ou somente dos burgueses, dos detentores do capital? E os intelectuais? Quem seriam os intelectuais que estão em retiro, em seu momento de solidão fazendo suas análises lúcidas para compreender, analisar ou criar idéias de um novo mundo?

Um forte abraço a todos os colegas!
Viviane Loeser







Terça-feira, Maio 04, 2004
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Tarefa para o dia 11 de maio, tendo como ponto de partida a aula de hoje ( 4 de maio)

Compartilhar é dividir para trocar. Proponho dividirmos a turma em 3 grupos:

a) O grupo 1 (Luiz Fernando, Márcia, Mireila, Sônia, Rafael, Beto e Viviane) fará cada um a postagem sobre a aula de hoje, conforme combinamos ao final da aula.
b) O grupo 2 (Silvana, Jara, Liliana, Isabela, Vera Rosana e Nadia) fará comentários sobre os post dos colegas do 1º grupo.
c) Já o grupo 3 (todos e todas os outros colegas que não estão listados nos grupos 1º e 2º comporão o 3º grupo) fará cada um, uma sintese comentada das idéias dos dois grupos anteriores. Até a próxima aula, quanto ao texto, será o mesmo da aula de hoje.

Mãos-à-Obra!
Carmen






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Aos colegas mestrandos e doutorandos do TRAMSE (Trabalho, Movimentos Sociais e Educação).

Solicito que mandem seus dados, nome, atividades profissionais, temática de pesquisa.... e uma foto (caso queiram), para a Suzana colocar na página do núcleo de pesquisa. O email dela podem pegar comigo, com a Sônia, com a Carmen. Aproveitem e olhem a página do InTRAMS, do TRAMSE e do Argumento. É só clicar nos links existentes no Relendo os Clássicos, na lateral.

Espero que todos já tenham conseguido baixar o bloggar. Agora é só postar.
J





Domingo, Maio 02, 2004
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Pessoal, já que estamos lendo O Príncipe Moderno, vale a pena visitar este endereço. É um texto do Octávio Ianni : O Príncipe Eletrônico. Chega ser assustador, mas é importante percebermos para onde caminhamos em termos de hegemonia. www.clacso.edu.ar/~libros/anpocs/ianni.rtf Rita Mombelli





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Quanto mais se lê Antonio, mais se aprende que:
   Gramsci foi um intelectual que teve a relacionalidade como princípio norteador de seu pensamento político-filosófico. Por exemplo, quando ele trabalha a noção de "bloco histórico", estrutura/superestrutura são igualmente determinantes. Assim, fugiu do economicismo mecanicista e também do idealismo. A relação perpassa todo o seu instrumental analítico-teórico, ou seja, as categorias de bloco histórico, hegemonia, intelectuais, sociedade civil e política, teoria ampliada do Estado, todas encadeadas dialéticamente.
Por ser um homem que pensava em termos de relações, seu entendimento sobre as formações sociais era global. Escrevendo sobre o fordismo, reconhece explicitamente que a homogeneidade, a padronização e as economias e empresas de escala são símbolos "inseparáveis de um modo específico de viver, de pensar e de sentir a vida"(Gramsci), e não apenas da esfera econômica. Esta visão de mundo refletia em sua prática política, e como Deputado e Secretário do Partido Comunista Italiano sempre pregou a busca dos elementos revolucionários e inovadores "onde quer que se evidenciassem: no operariado,mesmo não sendo comunista, no sofrido homem dos campos do sul da Itália, e nos intelectuais e artistas mais vivos e inteligentes mesmo sendo liberais"( In: Nosella).

Pesquisei e mando para todos os colegas do Tramse Relendo Clássicos. Carmen Castro.Antonio Gramsci